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PAPO DE ELEVADOR 07 DE AGOSTO
Publicado em 07/08/2019

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Divulgação/FS

Mourão de Bagé
Muito interessante o discurso do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, na sessão solene em que recebeu o Título de Cidadão Bageense, segunda-feira, na Câmara de Vereadores. Interessante porque, além de afetivo, demonstra conhecer a história de Bagé, seu início, as demarcações de fronteira, o acampamento que deu origem à fundação, e compreende a cidade.  

Conhecer e compreender
Compreender a cidade significa muito. Uma pessoa pode conhecer, mas não compreender. No entanto, Mourão demonstrou compreender o espírito do lugar, as suas memórias remetem ao que temos de mais sagrado e profundo: o sentimento de bem querer, a lembrança imersa, resguardada, de uma tia, de uma professora e de lendas urbanas, como a da terrível raposa chamada “Tulusa” no porão da casa da avó. 

Gibi no Glória e bebida no Cabral
O vereador Antenor Teixeira, do PP, proponente do título ao vice-presidente, foi muito feliz na iniciativa porque se trata de um homem com raízes profundas em Bagé e que chegou a um dos maiores postos da República. Mourão pode, sim, ajudar muito a cidade que ele tem como capital do mundo. A Bagé em que trocou gibi no Glória, assistiu filmes no Avenida, namorou na Sete e parou para uma caipira no Bar do Cabral, que era ali na frente da Praça de Esportes. 

Uma boa conversa
O prefeito Divaldo Lara teve uma boa conversa com o vice-presidente, segundo me informou. E houve uma clara e objetiva demonstração de boa vontade em relação a Bagé. Divaldo solicitou apoio para três projetos importantes:
1.    Hospital da Criança
2.    Faculdade de Medicina
3.    Ampliação das escolas cívico-militares, incluindo piscinas térmicas.  

Mãe e pai
Hamilton Mourão contou que seu pai veio para Bagé depois da II Guerra, em 1948. Ele não passara no concurso do Estado Maior do Exército, “um concurso muito difícil”. Foi então que conheceu, aqui, a futura esposa, Wanda Coronel Martins. “Minha mãe era de uma inteligência privilegiada, ela botou meu pai para estudar e, assim, conseguiu passar no concurso”, contou. O pai, Antônio Hamilton, foi de capitão a general de brigada em todos os postos.  

Simbolismos de um afeto
“Comecei a namorar a Betinha no início dos anos 70, antes da Academia Militar”, discorreu emocionado sobre o relacionamento com a esposa Ana Elisabeth Rossell, bageense com quem namorou por cinco anos e foi casado por outros 40 anos, até sua morte, em 2016. Com ela teve dois filhos. Foram oito minutos de discurso. Curto, mas de muito símbolismo e demonstração de afeto e compreensão de Bagé. 

Milico
Mourão estudou no Espírito Santo. Jogou bola no Tênis Clube. Comprava num armazém na volta da Praça da Estação. Foi amigo de vida e futebol do Nego Guiga, do Eduardo Romero, Betão, Vaguinho e Camilinho, entre outros. Chamavam-no de Milico e, dessa forma, encerrou o seu discurso, afirmando que seus parentes e amigos que “já partiram” estão dizendo: “Milico agora é de Bagé”. 

Político atento
E mais que conhecer e compreender a cidade, Hamilton Mourão está atento para os acontecimentos políticos. Na tribuna da Câmara chamou Carlos Azambuja de eterno prefeito de Bagé e, em conversa informal, perguntou como está o PT na oposição, se há alguma possibilidade de voltar à prefeitura. 
O que não é de seu agrado. Óbvio. 

Pra frente, sem retrocessos
Eis um vice-presidente e um cidadão bageense preocupado com sua cidade. Hamilton Mourão acredita no desenvolvimento de Bagé, tanto quanto traz consigo, exposto no peito, como demostrou em seu discurso, um imenso carinho pela cidade. Agora, mais que nunca, estará vigilante para que sua terra não retroceda e daqui para frente possa crescer como merece.
Tomara.       


 


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