SOCIAL - 23 DE MAIO
Publicado em 23/05/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

AUXILIADORA DOS CRISTÃOS  (Márcia Duro Mello – MEB)

Na luz da manhã,

ao abrir a janela,

no céu de opalina,

vislumbro o manto azul,

o manto de Nossa Senhora.

Tão lindo!

O frescor do orvalho, no jardim,

o aroma das rosas é a delicadeza

do milagre de cada dia.

Mãe de todas as mães;

das mães sois a rainha!

Sentis nossas angústias

e atendeis  nossa ladainha.

Maria Auxiliadora dos milagres,

chorou, sofreu, calou

no mais intenso silêncio;

na cruz, seu filho bebendo vinagre.

Doce Mãe!

Vede nossas avarezas,

orgulhos e vaidades

e mostrai a vossa benta realeza.

Na nossa fragilidade,

entrevimos nossa fraqueza.

Preferimos, muitas vezes, ser soberbos,

rabugentos e impediosos,

quando nossa mão está ao alcance da Virgem,

para sermos piedosos,

complacentes, generosos

em nosso exemplo e ação.

É o exemplo que vale!

Não a doutrina em vão!

Senhora Auxiliadora da humanidade,

ajudai-nos a vislumbrar a humildade,

a caridade, o afeto,

para que não falemos vários dialetos.

Despedimo-nos da capa negra

da escuridão dos pecadores;

mostramos nossas chagas e dores

e sede nossa mãe de misericórdia!

Na mão esquerda, segura o Jesus menino;

na mão direita, segura o cetro

com o governo de toda a criação,

colocando   todos   nós  no espetro

da divina luz  arcoirizada  de  vossa  devoção.

É a fé que clama mais alto,

no planger  dos  sinos à tarde.

É a chamada de Maria,

na devoção da chama que, ainda, arde.

No vosso  andor de rosas,

só temos a agradecer por serdes tão generosa!

Do alto, nos contempla,

cheirais  a  jasmin  e  rosa.

No bordado dourado do manto,

evoca  o  sol  e  a  luz divina.

E, hoje, em honra  à  vossa  coroa,

vos pedimos numa só voz:

“Auxiliadora, rogai por nós!”

 

NOSSA SENHORA AUXILIADORA  - Ayeza Maria Ferreira –MEB

Com localização privilegiada

Sendo orgulho de Bagé

Ostenta um prédio importante...

Monumento no lugar

Situada em ponto central

Constitui belo portal...

O Colégio Auxiliadora

É destaque educacional

Sua igreja é magistral

Suas torres pontiagudas

Apontam como um sinal

Recebendo bênçãos do céu

E podem nos abençoar

Os sinos badalam sempre

Convocando seus fiéis

Na hora de silenciar

Permanecem a rezar

De mãos postas os indicam

Os caminhos a seguir

Do amor, da fé, do perdão

No convívio com os irmãos

Já que confraternizar

É o caminho do cristão.  

 

 

Catedral (Lúcia Oliveira – MEB)

Linda paisagem,

ao entardecer.

O céu cheio de nuances...

Bela e perene Catedral!

Altas palmeiras,

que o vento faz fremir.

A imponente catedral

traz importantes lembranças

de minha história familiar.

Entre padres e vigários,

missas e louvores,

reverenciam o Criador.

O movimento dos carros

parece não respeitar

os fiéis em suas orações.

Lá dentro, muitas preces

e esperanças de um amanhã melhor.

Lá fora, a vida em ação.

Mas e quando tudo para?

O tempo é amigo ou inimigo dos que creem.

Vida é vida!

Não podemos negar.

Precisamos lutar e orar,

para que nem a catedral e nem os carros

Virem pó.

(Foto- Catedral de São Sebastião ( fotógrafo Bruno Martins em exposição na galeria de arte Edmundo Rodrigues)

 

NIMBUS -  Pedro Barcellos -  MEB

 

Naquela noite fantasmagórica, as luzes bruxuleavam como se brincassem de esconde-esconde com suas próprias sombras. Não havia eco; pois não havia som, nem passos na água fria que se acumulava na calçada. Não havia badalar de sino de igreja alguma. Os postes riscavam a noite com linhas incandescentes, mas a escuridão do silêncio era um manto que abafava até o farfalhar das folhas secas. Tudo estava suspenso no tempo, como uma respiração presa, tomada por vapor de panela, em um giro de desmaio, lento e infinito. Até que houve um respiro, um rasgo na noite úmida, um estrondo à frente da igreja. As nimbus se chocaram. Uma faísca se fez, um raio beijou a cruz; e o trovão se adonou de cada ruela, de cada casa e de cada ouvido, em Bagé. As gotas caíram rápido; e o tempo andou. O relógio, iluminado, como que para compensar o trabalho não feito, girou rápido, dando tantas voltas quanto possível, enquanto as gotas martelavam o asfalto, o zinco quente e o sono de quem acordou na calada da noite, sem saber que o tempo parara. O coração descompensado, batendo rápido; não era susto do trovão que ressoava no quarto, era o tempo se recuperando. Agora, o vento varre as ruas; e a chuva limpa as janelas, horas passadas... A noite pariu, o dia pode chegar de mansinho e tudo seguir na engrenagem da vida, sistêmica e perfeita.

 

 


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