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SOCIAL 2 DE MARÇO
Publicado em 03/03/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

Convite para exposição de Gilberto Perin, galeria de arte Edmundo Rodrigues

FOI Ibrahim Sued quem diversificou o universo das colunas sociais na imprensa brasileira. Mas, foi Zózimo Barrozo do Amaral quem criou o truque de abrir a coluna com um editorial, o que ajudava a ocupar o espaço em O Globo, ele usava pseudônimo Carlos Swann, lembram? O politicamente correto  ainda não dava as cartas e valia tudo o que servisse para por alguém em evidência. O brilho social da época começava a valorizar outras informações. O capital já era outro. A arte e os artistas  passavam a ocupar as colunas sociais tal qual se vê ainda hoje. Aplausos!

 

A FOTOGRAFIA de Gilberto Perin está de volta a Bagé, trazendo o equilíbrio perfeito  entre a visão sofisticada do mundo e o humor moleque, por exemplo, dos bastidores do vestiário de um time de futebol.  

 

FOTÓGRAFO diretor de cena e roteirista, Gilberto Perin é formado em Comunicação Social pela PUC-RS, 1976.  Como fotógrafo, ele expõe no Brasil e no Exterior.  Apresentou, durante cinco meses, no Museu do Futebol de São Paulo, a exposição “Vestiário” com   imagens dos bastidores de um clube de futebol da segunda divisão do Rio Grande do Sul. Outra coleção:  “Camisa Brasileira”, com fotografias da mesma série, participou do Circuito de Artes-Sesc-RS.  O fotógrafo Perin já  fez exposição na França, Suíça e Portugal.  Aliás, a exposição “Camisa Brasileira” virou livro: “Fotografias para Imaginar”. Tem mais, fotos assinadas por ele ilustram  jornais, revistas e até capas de livros.

NESTA quarta-feira (4), às 20h, Gilberto Perin inaugura exposição de fotografias na galeria de arte Edmundo Rodrigues – Palacete Pedro Osório – Secult.  

             

 1.   Você nasceu em Guaporé; estudou  em Porto Alegre qual sua relação com sua cidade natal atualmente?

Sai da minha cidade natal quando eu tinha 15 anos, isso faz mais de 50 anos. Hoje, Guaporé é parte da minha memória, é uma recordação de uma época importante da minha formação. Época de muita leitura de livros e revistas que uma amiga me emprestava,  tempo muito introspectivo, de estranhamento.

 

2)     Como você imergiu no “universo fotográfico”?

Ainda criança, acho que com uns 9 ou 10 anos, ganhei uma máquina fotográfica chamada Flika. Os filmes tinham 12 poses cada um. Engraçado, não sei quem me deu essa câmera, mas é muito provável que aí tenha sido o início de tudo. Eu fazia com a câmera efeitos que aprendi nas revistas de cinema que eu olhava. Fotografava meus irmãos e vizinhos.

 

3)  Você é formado em Comunicação Social pela PUC-RS, além de fotógrafo, diretor de cena e roteirista. Quais trabalhos realizados lhe foram mais gratificantes?

Nessa área, tenho feito trabalhos e participações que me deram muita satisfação. Alguns exemplos: a exposição “Camisa Brasileira” em muitos lugares no Brasil (inclusive Bagé) e fora dele; dois livros publicados de fotos; participações em coletivas importantes como a “Queer Museu”; duas individuais que fiz na Europa no ano passado. Além disso, tenho escrito roteiros para séries (“Chuteira Preta” é uma delas, pode ser vista na Amazon Vídeo) e também alguns roteiros para cinema. Outro projeto que meu deu muita satisfação foi “Curtas Gaúchos”, durante 15 anos na RBS TV, infelizmente acabou.

 

4)      "Fotografias para Imaginar”, título de um livro seu, ainda é possível fazer reflexões teóricas sobre essa linguagem?

Sim, como todo o pensamento e atividade artística, sempre é possível fazer reflexões teóricas sobre isso tudo. Se isso não acontecer, ficaremos mais pobres, fazendo parte de uma manada sem amor, prazer e beleza.

 

5)    Com o desenvolvimento da tecnologia da informação e a possibilidade de alterar as fotografias por meio de programas de manipulação de imagens, ficou mais fácil ser fotógrafo?

Ficou mais fácil fotografar, como ficou mais fácil ser pintor quando as tintas foram industrializadas e cada um deles deixou de fabricar sua própria tinta. O tempo vai peneirar e dizer quem só fotografou e quem desenvolveu um trabalho de fotógrafo.
6) Fotografar por meio de um celular tornou-se uma obsessão entre todos; sair às ruas e ver crianças, adolescentes e adultos fotografando é rotina. Isso banalizou a fotografia?

A tecnologia popularizou a possibilidade de se registrar e mexer na imagem. Mas como dizia o fotógrafo Ansel Adams: “Você não faz uma fotografia apenas com uma câmera. Mas com todas as fotos que viu, os livros que leu, a música que ouviu e as pessoas que amou”.
7) Voltando ao seu trabalho, qual tipo de fotografia mais prende sua atenção, qual seu foco de interesse?

Gosto de fotografar gente e também os bastidores. Tenho séries de bastidores de futebol, bordel, lutas, circo, teatro, shows. Mas também me atrai fotografar pequenos detalhes que adquirem outros significados quando registrados através da lente de uma câmera.

8) Você viaja muito ao exterior, sempre para expor seu trabalho. Conte-nos um pouco sobre suas viagens mais recentes?

A minha viagem mais recente foi em janeiro e fevereiro de 2019. Fiz, nessa oportunidade, duas exposições: uma na Escola Internacional de Genebra, num projeto que envolveu o Margs e a escola suíça; a outra individual foi em Lisboa. Essas duas exposições estarão em Bagé. Claro que a viagem é aproveitada para ver o que acontece por lá e também para fotografar bastante.

9)  Como está o mercado da fotografia (arte) em Porto Alegre atualmente?

Difícil, muito difícil, no que diz respeito ao mercado fotográfico. Ou seja, a fotografia engatinha para se firmar como uma forma de arte. É mais fácil copiar uma foto da internet e reproduzir ao invés de ter um original, assinado numerado e datado. Enfim, coisas do fast food cultural. Mas, mesmo assim, isso não impede o surgimento de novas gerações de fotógrafos muito bons. E nem vamos entrar no assunto da falta de incentivo governamental...

10Em 2010, você expôs em Bagé e retorna para uma exposição na mesma galeria de arte Edmundo Rodrigues. O que você vai mostrar?   

A volta à galeria de arte Edmundo Rodrigues é bem emblemática para mim, foi o primeiro lugar em que esteve a minha individual “Camisa Brasileira”, depois de Porto Alegre. Agora tudo se repete. Vou apresentar, dessa vez, um “combo”, serão duas séries e um exercício, ao total serão 45 fotografias: “Sem Identificação” e “Fake Photos”, a primeira apresenta gente onde não vemos a cabeça, por consequência é gente sem identidade; a segunda provoca com a ideia sobre o que é verdadeiro ou falso. Também mostro um exercício de olhar paisagens geralmente comuns para quem viaja, nessas imagens procuro ressignificar esses lugares que visitei.

11. No lançamento do livro "Camisa Brasileira" - bastidores do vestiário do Brasil de Pelotas - você dizia: “a fotografia procura mais caminhos. Ela virou mais experimental e faz parte de um conjunto que é integrado a todos os outros produtos de área audiovisual. Virou pintura, ilustração”.  Ainda pensa assim ou acrescenta algo? 

Sim, penso nisso, ainda. A fotografia é a memória instantânea, uma espécie de ‘café solúvel’, fotografamos tanto, registrando tudo, de comida à selfie em velório, que é impossível não dizer que ela está integrada à parafernália audiovisual. Esse momento compulsivo do ato de fotografar se torna um poço sem fundo de registros que dificilmente serão revistos em algum outro momento depois que foi fotografado. Pobres crianças que estão nascendo agora, nunca foram tão fotografadas, mas é provável que seus pais não guardem nem 1% das imagens feitas dos seus bebês.


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