SOCIAL 2 DE JUNHO
Publicado em 02/06/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

Talita Dias Suñe

O MOBILIÁRIO é a história

PARA resgatar as características originais de uma peça de madeira danificada pelo tempo, o melhor é sempre escutar alguém que, além de analisar e diagnosticar quais intervenções técnicas ou científicas são as mais adequadas, conhece os estilos e as épocas do mobiliário. Tudo para preservar a história e, até mesmo, respeitar o valor sentimental desses objetos. 
 
MADEIRAS NOBRES. Os móveis feitos em décadas passadas têm design bem pesado devido à influência europeia, quando os marceneiros eram verdadeiros artesãos e havia fartura de madeira nobre; as brasileiras: jacarandá, mogno, imbuia, cabreúva, pau-ferro e marfim.  O carvalho e o cedro têm origem americana e inglesa. Pero Vaz de Caminha citou a nobreza do jacarandá ao rei de Portugal em uma das cartas enviadas aqui do Brasil. É muito raro encontrar, atualmente, móveis em jacarandá e quando isso ocorre são caríssimos. Até a rainha da Inglaterra tem jacarandá brasileiro no Palácio de Buckingham. 
 

INTERESSADA no assunto, Talita Dias Suñe pesquisa esse tema há bastante tempo. Cadeira, mesa, cômoda, escrivaninha, cristaleira, cama, roupeiro e outros itens estão na lista da “curiosa” Talita. 
 

PARA ela, “a evolução do caráter estético está diretamente relacionada com as modificações progressivas das técnicas de produção de cada  época. Deste modo, os criadores de móveis harmonizavam as formas com os materiais e as técnicas disponíveis adaptando-as às necessidades da vida cotidiana. Por exemplo, as marcenarias do século XVII estavam instaladas, principalmente, nos portos onde descarregavam os navios que transportavam as madeiras exóticas. Através dos séculos, os móveis ajustam-se também aos costumes. Nos princípios do século XVIII, os braços das cadeiras encurvam-se, não para acompanhar a linha das pernas, mas para evitar que se enrugassem os volumosos vestidos impostos pela moda da época. As formas ogivais, marcas do estilo gótico, não foram criadas por um mero capricho da nobreza; eram a personificação do forte sentimento religioso que tomou conta da Europa no século XI. Foi assim que surgiram os estilos e as formas de ambientação que conhecemos até hoje: clean, contemporânea, étnica e outras – podem ser classificadas como tendências.”   
 

CADEIRAS – A partir do século 18 e 19, artesãos europeus e mesmo americanos produziram cadeiras requintadas. Também conhecidas como poltronas(fauteuil), em especial a bergère, criada na França por volta do ano de 1720, até hoje elas ganham releituras interessantes, diz Talita Suñe. 
 
SOFÁS. No Brasil, apareceram primeiro os conjuntos estofados de gabinete ou escritório, em couro.
Vale referência ao sofá chesterfield, ano 1700, encomendado pelo quarto conde de Chesterfield,  Inglaterra. Reproduzido em infinitas possibilidades de design.
Também, a chaise long, estreita e comprida, com dois espaldares desiguais e pés curvos inclinados para fora, o recamier – sofá sem encosto com as laterais elevadas. Esse nome deve-se à madame Recamier que o usava nos serões literários que promovia, na Paris do século 19.
 
O DIVÃ veio dos persas, Império Otomano; século 14; Marquesa ou Marquesão, em jacarandá; era o móvel mais nobre da sala de visitas da casagrande; sempre guarnecido em palhinha indiana. Canapés franceses, século 18, amplamente usados nos reinados de Luís XV e XVI. Namoradeira, sofá para duas pessoas.  
“Os estilos mudavam, transformavam-se ao viajarem pelos séculos”, conclui Talita. (Continuação)


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