Coluna Social Gilmar de Quadros 2455
Publicado em 18/12/2012

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Aplausos

Foto: Stela Vasconcellos/EspecialFS

Coral Auxiliadora, regência Renato Paim, Auto de Natal na Praça da Matriz

QUE alta quilatagem de talentos nesses espetáculos do Natal Luzes no Pampa, hein! Não se sabe quem é mais competente: os produtores, os diretores, os protagonistas ou os coadjuvantes que se superaram: Auto de Natal, Natal Paz e Bem, Parador da Tradição de Natal. Só artistas muito competentes mesmo; quilatagem demais! Todos nossos aplausos! 

CERCADO pela dupla maravilha, Elvira (Mercinha) Nascimento e Norma Vasconcellos que levou Téo, assisti ao magnífico AUTO DE NATAL, quinta-feira na Praça da Matriz. Ao sabor das metáforas e metonímias presentes no texto assinado por elas, eu revi a representação teatral da passagem bíblica referente à encenação do nascimento de Cristo. Os Bufões da Rainha deram show! Com toda a sua elegância francesa, Mercinha prestava atenção ao texto para ver o que haviam feito com o que ela escreveu e, é claro, que gostou do resultado final, a Vasconcellos também. 

MERCINHA escreveu assim: “Estava escrito que, esta terra de mentes privilegiadas, guardados corações amorosos e posturas inquebrantáveis de honra e resistência, haveria de nos trazer tempos melhores de desenvolvimento amplo e  equilíbrio  fraterno”. É a mais pura verdade, Bagé vive um momento muito especial. Nos últimos anos, foi a cidade do interior do RS que mais atraiu olhares de fora e recebeu elogios do país todo. Em meio a esse ciclo virtuoso, surgiu o Natal Luzes no Pampa, proposto pela Aciba, que é a materialização da identidade bageense, um símbolo que representa a essência das mudanças sociais e econômicas que aconteceram aqui nos últimos anos. Basta olhar nosso comércio de luxo, meus queridos!

ALEGRIA, beleza, energia, estilo, inovação, paz e paixão: CORAL (show) AUXILIADORA arrasou na apresentação que fez no Auto de Natal. Tudo para homenagear a maestrina Gilca Nocchi Collares que continua hospitalizada. Os coralistas elegantíssimos: elas de vestido de baile, com muitos bordados, maquilagem perfeita, linha festa; eles de smoking. Além do tenor Flávio Leite, a soprano Tânia Saralegue. Um espetáculo completo que teve participação das pianistas Lúcia Antônia (acompanhou Flávio) e Zélia Sastre. Aplausos, aplausos, aplausos... 

EM PARTE DO TEXTO do Auto de Natal diz: “AO SUL do descampado nascemos e temos vivido nós – os deserdados. Difícil, longa, turva tem sido a história desta terra onde plantamos os pés, os filhos e os sonhos. É bem verdade  que sempre nos compensaram a pródiga e privilegiada Natureza  na colcha verde e larga da planície, os abraços das auroras, os azuis mais inusitados de um céu infinito. É bem verdade que sempre nos  aqueceu o fogo de chão. Que nos encorajou o convívio, a prosa, o hábito de ruminar dias e fatos e, muito especialmente, as velas trêmulas que a cada ano, temos acendido, nas noites mais escuras, como e-mails de luz, endereçados a nossos padroeiros: Maria Auxiliadora e o guerreiro São Sebastião. Apesar disso  ficaram na memória para sempre, entre nós, questões muito antigas de terra, sangue e saque. O inverno comprido, poderoso e aniquilante. A desolada solidão das distâncias e toda a desconfiança do mundo com suas degolas de desesperanças e seus aguardos intermináveis estaqueados a sal e sol. E eis que, neste dezembro, com a sensível chancela da Associação Comercial  e Industrial de Bagé, pelo prenúncio das chuvas chegadas copiosamente na última primavera, como música nos telhados e alegria dos campos explodindo em brotação e cromos do pasto, uma luz indefinível vem se tornar visível sobre nossas cabeças (...)".

NATAL é tempo de  limpar a casa, varrer  as ruas de dentro. Polir a alma, projetos e dinâmicas. Alvejar intenções. Tempo de fazer brilhar, com a flanela do desvelo, castiçais rústicos e dourados candelabros. Cozinhar caldos quentes, estender toalhas. Reservar espaços nas hospedarias do coração. Perdoar, reconciliar, renovar, reinventar (...). Desci, o coração apertado, um gosto de candura muito antiga caindo  pela alma. Passei pela Ponte Seca e sonhei pontes de cristal, pontes feitas de jasmins e limpidez para chegar nesta noite da delicadeza, ao meu Deus e a toda a humanidade em minha volta. Fui avançando; mil anjos haviam puxado o lençol de sombras que cobria a cidade adormecida e, pela rua Sete, uma claridade anunciava o tempo da esperança. Muitas e muitas mãos de empresários, artistas, mãos operárias deram de providenciar e cozer luzes e luzes, deram de cardar nossas auroras, emendar cristais e transparências em fios e ramos, e armar abraços de Natal sobre a cidade de nossos sonhos. Luzes como  nunca sinalizando  os caminhos de Deus. Na Praça dos Esportes, anjos me avisaram: pisa de mansinho, a palavra AMOR está sendo retecida com as agulhas do silêncio nas profundezas do coração  humano. Nada pode perturbar  essa tecitura. Antigos mercadores, pela Praça da Estação ofertavam suas ânforas de barro e, de dentro dela, uma música muito antiga do tempo  de Jesus subia pelos plátanos até as estrelas. Mas eu sabia que era aqui, ao pé dessa grandiosa Catedral onde dorme uma antiga e desvalida capelinha de torrão, em sua raiz, era aqui onde a cidade sofridamente nasceu, que o Menino Divino deveria nascer. Aqui nós nasceremos com Ele, aqui armaremos o macio acampamento de nossos corações, aqui comemoraremos o que fizemos, uns pelos outros, e pediremos a coragem de recomeçar, essa  coragem, às vezes, tão heroica, tão silenciosa, tão do jeito de cada um de nós, mas tão afinada com os pedidos que o Menino do Amor nos passa, em suas mãos silenciosas cheias de caminhos. Os sinos da Matriz batem dentro de mim. Preciso acordar o Deus que mora em mim, ouvir sua divina voz pedindo o discernimento diante dos múltiplos apelos do século, pedindo o amor misericordiosos que a todos acolhe, o perdão a mim mesmo e a todos que me machucaram, o amor como compromisso com o outro e esse chão onde vivo, o amor , essa graça, todos os dias de minha vida (....). Que texto, lindo demais!

SÁBADO, na igreja Nossa Senhora da Conceição, Natal Paz e Bem com apresentação da Orquestra e do Coral do IMBA; outro espetáculo que merece muitos aplausos! O maestro Lucas Barres está de parabéns e os músicos da orquestra também. Beth (a cigarra) Infantini reapareceu e roubou a cena cantando Villa Lobos – arranjos José Carlos Ligeiro; o Coral do IMBA emocionou geral!

EM RITMO DE NATAL, Mara Sandra e Luis Alberto Araújo com os filhos vão passar as festa de fim de ano em Florianópolis... POR SUA VEZ, Maria Zilma e Paulo Ronaldo Karam se reúnem com os filhos em Gramado. Não se esqueçam de que a novidade este ano é o espetáculo Korvatunturi que pode ser visto no Centro de Eventos da Faurgs (antiga fábrica de calçados Ortopé)... EM PUNTA DEL ESTE, Iolanda e Brenorlei Silveira com a família inteira... EDUCADA e atenciosa como poucos, doutora Maria Teresa Bertoldi vai cursar o pós-doutoramento em Jornalismo na Inglaterra. Hoje, ela embarca para São Paulo onde permanecerá até julho. Aplausos!

O CONSELHO Bageense da Mulher Empreendedora realiza, hoje, às 21h, no salão da OAB, jantar de confraternização e encerramento das atividades do ano. Música para dançar a cargo de Gesner e Cotinha... ALIÁS, a festa da OAB foi no BTC quinta-feira. Só se escuta elogios ao buffet de frutas e salgadinhos aos cuidados do Delícias da Edu. De fazer todos cair de joelho e rezar pedindo a São Jorge – Salve a Gloria Perez! – que interceda pelo perdão aos pecados da gula, uau!

ATENDENDO até aos domingos, vendendo sem parar, a loja Mimos y Regalos, de Lúcia Helena Gomes Segredo Blanco, é roteiro obrigatório nesta época de compras de Natal. A ampla linha de bazar e muitos outros itens para presentear fazem a alegria da clientela que busca algo de bom gosto para decorar a casa. Sem falar que Lúcia e a filha Bianca sempre recebem com extrema camaradagem, a gente chega e logo elas servem um mate ou um chá gelado ou uma água com gelo e folhas de hortelã, uau! A loja fica na Barão do Amazonas, 611. Ouviram meninas!
 
SÁBADO, cidade  foi dormir meio atordoada, sem entender  direito o acidente que vitimou a querida Susana Perez Muñoz que saiu de casa para pedalar sua bicicleta de dezoito marchas e foi atropelada na General Artigas. Susana, a uruguaia que se tornou amiga dos bageenses, que dominava todos os ambientes com seu senso de humor e seus comentários ferinos e divertidos e sua agilidade mental. Uma amiga fiel, presente nos bons e maus momentos. Tinha um séquito de admiradores abnegados que ela imediatamente adotava como amigos eternos. Sem falar nos que ainda viam nela a apresentadora do programa “Ritmos de La Noche”, um sucesso na rádio local, anos 80. Não havia amiga mais dedicada, amorosa e presente do que ela. Sempre, bravamente, cercada de seus mais caros afetos, os filhos de Sérgio - Fernanda e Rodrigo – que ela adotou como se dela fossem também. Era uma diletante excepcional na cozinha. Basta ver que havia recém-inaugurado “Mucho Gusto Confeitaria”. E os canapés únicos que ela inventava e ninguém conseguia copiar direito? A esta hora, Susana já deve estar surpreendendo todos seus conhecidos  e amigos lá no céu. Podem crer!  

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