Aplausos - 30 de junho de 2020
Publicado em 30/06/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

PESQUISAR um tema para uma exposição de arte requer cuidado, conhecimento, atenção e talvez o mais importante: “estar bem informado do assunto com que vai trabalhar, seja fotografando, desenhando ou pintando.” 

O FOTÓGRAFO - profissional ou amador - auxilia a história, no futuro, dando amparo e compreensão às pessoas no presente. Por isso, ao selecionar um tema para fotografar é preciso  refletir sobre a relevância do tema na sociedade, para que o projeto seja visto de maneira profissional e não somente uma simples exposição de imagens. O apelo pode ser cultural, econômico, social, comportamental, paisagístico, etc. 

POESIA NA JANELA, da jornalista Fernanda Couto, reúne 60 janelas que contam um pouco da memória urbana de Bagé; janelas cantadas em versos pelos membros do MEB; assunto para outra edição desta coluna. 

PERGUNTEM à doutora Clarisse Ismério sobre a história das janelas que, com certeza, dirá: “as janelas estavam presentes nas habitações mais rudimentares das civilizações, pois elas conferiam iluminação, ventilação e um pouco de conforto.”

EXISTEM registros de que em 4000aC, na Persa, onde atualmente é o Irã, existiam construções que utilizavam aberturas com fechamentos semelhantes ao que entendemos como janelas hoje. Também foram descritas estruturas nos palácios de Minos, na Ilha de Creta, no Mar Mediterrâneo, sendo as casas gregas com seus átrios combinados às janelas uma característica artística ornamental local que é reconhecida até hoje. Então, os romanos, já em meados de 100dC começaram a introduzir vidro às janelas, prática que se perdeu com a queda do Império Romano.

NA Idade Média, começam a aparecer dois tipos de janelas muito relevantes à história, primeiro as pequenas com vidros ou apenas madeira, utilizadas em grande escala nas casas dos artesãos e demais comerciantes e também as grandes janelas da corte seja nas igrejas e nos castelos, estes com variada gama de modelos, seja para conforto, iluminação e até proteção.

NO Renascimento, o estudo e domínio de técnicas elaboradas de construção e execução começaram a aparecer formas mais decorativas de janelas. Barroco com janelas redondas, elípticas e formas das mais diversas.  Clássico, surge a janela chamada caixão, uma parente da nossa atual veneziana, que oferecia muitas vantagens de isolamento térmico e acústico, porém, seu funcionamento era complexo e devido à ação do meio ambiente sua durabilidade era baixa, tendo que ser substituída com frequência. 

SÉCULO XIX, foi introduzido o uso de metais em janelas e houve o retorno de formas tradicionais, o ferro foi um grande marco neste período. Então, na passagem para o século XX, o Modernismo retoma a variedade de configurações de janelas com vidros coloridos, que foi considerado um grande momento “das janelas”, porém sem a utilização de elementos florais típicos do Romantismo. 

COM passar do tempo, surge, então, o tradicionalismo que busca utilizar materiais antigos e técnicas artesanais novas, com o objetivo de reinventar a Arquitetura. Pode-se dizer que a década de 1950 foi muito influenciada pela arquitetura escandinava e suíça, que utilizava apenas um vidro, transparente na janela. Assim, teve início a fabricação de janelas em tipologias, ainda são fabricadas hoje. Foi, exatamente, neste período que as ligas de alumínio começaram a ser utilizadas, pois a fabricação de janelas começou a se tornar um negócio vinculado à construção profissional. [...]. 

EXPOSIÇÃO “Poesia na Janela”, jornalista Fernanda Couto, na galeria de arte Edmundo Rodrigues – Palacete Pedro Osório, Secult – até dia 20 de julho, de segunda até sexta-feira.


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