Aplausos - 21 de maio de 2020
Publicado em 21/05/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

A HISTÓRIA social de Bagé perdeu mais uma figura de expressão e com essa passagem foram-se também alguns dos melhores capítulos do bem-viver em sociedade. Estou falando em Ana Lúcia Soares Bittencourt;  uma mulher culta, curiosa e politizada, que gostava de ler jornal e discutir as principais manchetes do dia com os hóspedes do Hotel Obino, onde ela morou nos últimos anos. Não havia assunto que ela não dominasse com aquela propriedade de quem “sabe do que está falando”. Aliás, poucas da geração dela souberam gastar o dinheiro que tiveram como Ana Lúcia; ela frequentava as mais importantes salas de visitas como se fossem o quintal da casa dela. Quando assisti ao documentário: “No Intenso Agora”, do João Moreira Sallis, que biografou a mãe dele, a embaixatriz Elisa Margarida Gonçalves, a Elisinha, uma das grandes damas da sociedade brasileira e das mais elegantes do mundo, comentei o filme com Ana Lúcia, que me mostrou uma foto com Elisinha e o costureiro Dener Pamplona de Abreu, no exclusivo  atelier paulista, na rua Joaquim Eugênio de  Lima com a avenida Paulista; um luxo!  É muito extenso o rol de histórias que ela contava para mim, tudo comprovado com fotos, por exemplo, um encontro dela com Maria Teresa Goulart, no Plaza São Rafael, Poa.  Por diversas vezes, sugeri aos pesquisadores do Arquivo Tarcísio Taborda e à equipe da TV Bagé que a entrevistassem para guardar esses registros que ela viu e viveu. Será que gravaram? 

GALLÉ – OBRA DE ARTE DE PRECISÃO

REVISTA Retrô – Coleções e Antiguidades, junho 2006, págs. 52/53. [...]. O vidreiro Émile Gallé (1946-1904) foi quem melhor aperfeiçoou o método de fusão de várias camadas de vidro colorido, sendo a camada  superior esculpida à mão, formando desenhos. Gallé criou o efeito de sombreado e de perspectiva em seus motivos de fauna e flora, além de criar novas texturas como a martelada. Suas primeiras peças foram em cristal claro e translúcido. [...].

DEPOIS de desenvolver a técnica de decorar vidro em alto relevo soprado a fogo, de sua oficina saíram vasos, abajures, luminárias de mesa, tinteiros, jarros, floreiras, compoteiras e outros objetos de decoração. 

GALLÉ chegou a assinar móveis, cujo design chegou a inspirar seguidores, assim como aconteceu com suas obras em vidros. Nos dois segmentos, a paixão desse artista pelas coisas da natureza. Gallé usava a madeira como se fosse plástico.  

APÓS a morte de Emile Gallé, 23 de setembro de 1904, Victor Prouvé assumiu a direção de arte e a produção foi industrializada, vasos e luminárias em larga escala, com formas mais simplificadas e menos camadas de cores. Em 1936, a fábrica Gallé fechou as portas.     

SUGESTÃO de leitura –  “A arte secreta de Michelangelo – Uma lição de anatomia na Capela Sistina”, Gilson Barreto e Marcelo de Oliveira, editora ARX.  Um estudo interessante que revela a simbologia por trás da grande obra da Capela Sistina pelo mestre do Renascimento.


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