Aplausos - 14 de abril de 2020
Publicado em 14/04/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

Fanfarra da “Brigada Patrício Corrêa da Câmara”

SÁBADO pela manhã, Richarles Nogueira (leia-se Livraria e Editora Bageense) me sugeriu  leitura e posterior comentário de “O Livro da Música Clássica”, tradução de Maria da Anunciação Rodrigues, revisão de textos de Erika Nogueira e Huendel Viana. 

APRESENTAÇÃO da obra, Katie Derham. “A música tem certa magia, pode nos transportar a um mundo diferente, nos fazer dançar ou lembrar pessoas queridas que perdemos. Um simples acorde pode nos levar às lágrimas. Longe de ser reserva exclusiva da elite, a música hoje comumente chamada de clássica, que proporcionou prazer e inspiração no mundo ocidental durante a maior parte dos últimos mil anos, continua a deliciar os ouvidos. Ela desperta emoções em nossos filmes favoritos, sua massa sinfônica aumenta a dramatização da ação em jogos de computador; ela se esconde na estrutura e nas melodias das músicas populares do dia a dia. Sua marca é um tipo muito especial, e cresceu e evoluiu ao longo dos séculos moldada pela política, geografia, religião – e pelo gênio particular e uma profusão de grandes compositores.

ÀS VEZES, basta ouvir e deixar a música nos envolver sem perguntar por que, quando ou onde ela se originou. Porém, o conjunto de obras da música clássica é muito vasto, abrange muitos estilos e gêneros diferentes. [...]. Por vezes, explorar universos sonoros novos pode causar estranhamento ou mesmo um pouco de desconforto pretendido pelo próprio compositor. [...].

ENTENDER quem foram os compositores e por que eles compuseram pode ser revelador e acrescentar uma nova camada ao desfrute, a  compreensão do ato de escutar. Uma obra familiar como “As quatro estações de Vivaldi”  adquire outra ressonância quando se aprende que Vivaldi demonstrou pela primeira vez o verdadeiro potencial da forma concerto e que sua fama correu da Itália à Alemanha onde inspirou um jovem organista chamado Johan Sebastian Bach. Talvez você saiba que Beethoven ficou surdo no fim da vida, mas saber quais obras ele compôs sem nunca escutá-las dá um sentido profundo à experiência da audição, aumentando o deslumbre. Perceber que Mozart era realmente um pop star do século XVIII pode lhe convencer a dar uma nova chance a O Casamento de Fígaro. Poder, patrocínio e censura desempenharam cada um seu papel na gênese de algumas das mais amadas obras musicais. [...].

A MÚSICA clássica, como toda música, tem a paixão em seu cerne. É por isso que as grandes obras do passado perduram há séculos, os compositores atuais ainda lutam para igualar sua beleza e milhões de nós, hoje, amamos tocá-las, ouvi-las e ser transportados por elas. Há tanta música maravilhosa e apaixonante basta deixar os ouvidos receptivos. [...].

PÁGINA 146: “O violinista é aquele fenômeno peculiarmente humano [...] Meio tigre, meio poeta.”  24 caprichos para violino solo, OP.1 Nicollo Paganini, que tinha muitos violinos, entre os quais uma meia dúzia de quem talvez seja o maior de todos os fabricantes, Antônio Stradivarius. “Domingo de Páscoa, à tarde, ouvir Paganini. Que êxtase! Em suas mãos os exercícios mais estéreis se incendeiam”, palavras de Robert Schumann.

DOIS compositores brasileiros estão citados nesse livro. Um deles, Heitor Villa-Lobos: “Minha música é natural como uma queda-d’água. Com Bachianas Brasileiras, coletânea de nove suítes de duração variada compostas para diferentes combinações de músicos. Algumas delas para orquestra completa, Nº 1 é para orquestra de violoncelos e Nº 6 só para dois instrumentos, flauta e fagote. [...].  O outro compositor brasileiro é Camargo Guarnieri para quem “a música devia se inspirar na cultura original do país e não nas fórmulas das vanguardas europeias, ideia que ele defendeu na Carta aberta aos músicos do Brasil. Escreveu sinfonias, concertos, peças para piano, trilhas para cinema, óperas e o ciclo dos choros.  

LEITURA sobre o mesmo tema, livro: “A música militar na Guerra da Tríplice Aliança/Military music in the War of the Triple Alliance”, edição bilíngue da obra do professor doutor e maestro Vinícius Mariano de Carvalho. De acordo com a PUC/ Minas, editora da obra, trata-se de pesquisa sobre a relação entre a música militar e a música civil, no contexto da Guerra da Tríplice Aliança, que foi definidora de formas e práticas musicais. Apresentando as transcrições de peças que eram tocadas durante o conflito, numa “partituração contemporânea”, a obra preenche uma lacuna importante para a compreensão da experiência dos soldados na Guerra do Paraguai. Além de contextualizar o leitor e ouvinte de hoje às músicas e ao ambiente sonoro da música militar.

[...]. É preciso destacar que a música militar sempre encontra ressonância imensa entre os compositores e as audiências. Muitos compositores clássicos escreveram para bandas militares. O exemplo maior é o russo Kimsky Korsakov que escreveu duas suítes para trombone e banda e um concerto para corne-inglês e banda. [...].  Também não se pode esquecer a conhecida marcha militar de Schubert e a Abertura 1812 de Tschaikovesky. [...].  

O AUTOR defende ainda a importância de haver novas publicações das partituras mais significativas, em formato eletrônico, disponibilizando as composições aos jovens músicos das bandas militares que desejarem executá-las. [...].  Ele também destaca a importância da formação do músico militar para que este se sinta verdadeiro representante de uma tradição valorosa (a banda militar), que se sinta orgulhoso de sua função e especialista em um repertório específico e importante. [...].

FALANDO no contexto militar, nesta sexta-feira (17), passagem de comando da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, “Brigada Patrício Corrêa da Câmara”, general de Brigada, Júlio César Palu Baltieri será substituído no comando pelo general de Brigada Anysio Luiz Crespo Alves Negrão, que até fevereiro último esteve chefe do Estado-Maior da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, Cuiabá.  Antes que me perguntem, general Baltieri vai exercer o cargo de Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. Aplausos!


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