Aplausos - 1 e 2 de agosto de 2020
Publicado em 01/08/2020

Gilmar de Quadros

Cidade: Bagé / RS
Colunista social
Gilmar de Quadros

Foto: Divulgação/FS

Agropecuária Dona Aida, Candiota

ESTAS POESIAS entre outras que o Meb expõe junto às fotografias “Estâncias Pampeanas”, historiador Cássio Lopes, na galeria de arte Edmundo Rodrigues, Palacete Pedro Osório, Secult,  até 15 de agosto. Aplausos!

 

Estância ( Fabiana Rosa Hellwig )

Ao te olhar posso sentir a paz no teu existir.

Posso imaginar a agitação nestas terras no tempo da Revolução.  

Hoje és tranquilidade e calmaria 

Mesmo sentindo o assobio da ventania.

O gramado pisado sempre arrumado indicando zelo e cuidado.

Ao amanhecer o canto da passarada anima a peonada para a campereada.

Nos dias de chuva e frio o mate aquece teu morador,

Fazendo por um instante esquecer o peso da palavra dor

Estás ali a esperar as idas e vindas

Alegres chegadas e tristes partidas

Boa ouvinte, soube escutar os choros e os risos

Hospitalidade, prosperidade alcançadas na simplicidade.

Lembranças e saudades são certezas

De que cumpriste tua missão, que é aconchegar, construindo reminiscências em muitas existências.

 

Marco de Cultura (Ayeza Maria Ranquetat Ferreira) 

Em cada estância, saudosas lembranças

das famílias, tradição rio-grandense...

Fazem parte da história, com seus feitos

de coragem e bravura, em tempos difíceis;

lutando em defesa de suas crenças e

da terra, que outros povos cobiçavam.

Simbolizam coragem, muito orgulho

de homens valentes com armas nas mãos...

...defendendo, expulsando invasores

das fronteiras,  campos e  vilarejos...

Patrimônio cultural, testemunhas da história,

permanecem como marcos vivos e fortes

do progresso, defesa e resistência

desta terra amada por seus filhos,

que dão a vida em prol deste torrão!

   

ESTANCIA SÓ   (Jaime Vivian Jr.)

Lugar de morada

Casario de ascendência

Crianças campesinas 

Reduto de afetos

Paredes de olhares

E telhas benfeitoras

 

Bosquejo da pampa

Recanto do saber

As lidas minuanas

Tabuleiro das tradições

 

Sesmaria de rondas

Estampa rio-grandense

A Centelha secular

Barluarte da querência.

 

GURI! ... QUE PARTIU... ( Márcia Duro Mello)

Nesse olhar de tapera,

capela  ao lado,

cemitério? Talvez! ...

No muro de pedra,

cintilam  todas as eras...

Os ventos sopraram  em todas as frestas;

ora traziam o perfume da macela,

ora anunciavam , nos ares, a procela.

Em cada sopro mais forte,

os ponteiros do relógio, as décadas mudavam.

O mesmo cheiro de passado exala em cada canto...

Pedras, outrora, acomodadas em camadas;

hoje, da  mangueira, rolam...

Ação do tempo, do vento, que a contento,

espalha  pó!

Menino foi embora...

Avistou do alto da coxilha,

sua última visão de outrora...

A coronilha lhe abanava...

Seus braços fortes acenavam,

sabia que ele não voltaria!

E ele não voltou!

A vida, antes, lhe ceifou!


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