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Os bailes da exposição
Publicado em 24/01/2018

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

Antigamente, em outubro, a Exposição-Feira anual de nossa Associação Rural era um acontecimento nacional. Bagé, então, guardava o império do ruralismo, com magníficas cabanhas de ovinos e bovinos. Para cá, ao ensejo, vinha muita gente, até de fora do RGS. E, ao ensejo, as visitas do Presidente da República e do Governador do Estado eram constantes. Basta dizer que, na década 60/70, Castelo Branco, Costa e Silva, Medici, Geisel e Figueiredo (todos generais), que governavam o país, eram presentes com seus Ministros da Agricultura. E os jornais de nossa metrópole para cá enviavam seus melhores repórteres e fotógrafos. Mas as atenções não se fixavam somente nos animais exibidos. Havia, à noite, os três tradicionais Bailes da Exposição (o primeiro “de gala”, de vestidos compridos, casacas e “smooking”). Vinham “Típicas” argentinas e uruguaias animá-los (Francisco Canaro, Francisco Lomuto, Daniel Racciati), que tocavam em determinado “espaço” e aí os mais velhos tomavam conta do salão (tangos, rumbas, boleros) no Clube Comercial. Havia, após, um intervalo e aí os mais jovens adentravam e dançavam ao som de Norberto Baldauff ou de Renato e seu Conjunto. Intercalavam-se, pois. No final da década de 50 e princípios da década de 60, aqui chegados já formados na metrópole, pertencemos (como Secretário eleito) a quatro diretorias. E dava-se lá expediente a todo dia! O trabalho dos dirigentes era imenso: inscrição para o sorteio de mesas, a noite do sorteio com a sede inflada de sócios, a divulgação (afixada) dos nomes dos contemplados, etc. E, nos bailes, as vestes “chiquérrimas” de moças e senhoras, que, antes, iam a PoA (ou Montevidéu) para comprar vestidos caríssimos! O número de convites para forasteiros excedia os limites previstos (e era cobrado, a não ser para autoridades ou convidados especialíssimos). Tudo findo, os comentários sobre as danças, sobre as vestes, sobre os namoros começados abundavam por semanas e meses. E Bagé, então, se destacava extraordinariamente! Tudo isso terminou e não mais volta! Como repetiriam os latinos, “o tempora, o mores”.
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         Diversas: Com o rito habitual e solene (que não falha), ao anoitecer do dia 19, nossa tradicional Artilharia (25º GAC) assistiu à troca bienal de Comando, despedindo-se o Cel. Moacyr de Mattos Junior e assumindo o Ten. Cel. Marcelo Venícius Germano de Moraes. Autoridades civis e representações de entidades classistas prestigiaram o evento, que sempre obedece às tradicionais normas militares e, nessa ocasião, também aglomeram dirigentes de Unidades vizinhas. Cumpridos rigidamente os ritos de praxe, todos confraternizaram em refeição abundante e muito bem servida, dando ensejo a que o Ten. Cel. Germano melhor conhecesse o mundo militar e civil com o qual irá lidar. Ele, aliás, começou sua carreira profissional aqui. O Gen. Vendramin e um Superior (de Santa Maria) a tudo presidiram. -*-*-*- Frisa-se que o Dr. Borges de Medeiros (que governou o RGS por 25 anos) redarguiu a um interlocutor seu correligionário: “Você pensa que pensa, mas quem pensa sou eu e você executa”. -*-*-*-Rafael Pinto Bandeira foi o 1º rio-grandense a exercer o elevado encargo de “governador da capitania do RGS” no ano 1.784. -*-*-*- A Profª Shirley Caneda Pêgas (viúva do professor e vereador David de Campos Pêgas) faleceu recentemente, mas a infausta notícia não apareceu nos jornais. -*-*-*- Faceiríssimos, no dia 13, às 16 horas, em PoA (no Salão de Atos da PUCRGS), participamos dos atos de formatura de nossa segunda neta metropolitana Geórgia Dias Giorgis, no curso de “Administração de Empresas”, especialização em “marketing”. Assim, minhas duas únicas netas já culminaram a vida universitária (ambas na PUC). Gabriela, há três anos, advoga e participa de um renomado escritório de advocacia (que conta com mais de 100 causídicos) e ocupa todo um belo edifício de seis andares na zona sul. Ela partilha a área do Direito do Trabalho e o escritório atende apenas empregadores (firmas, grandes empresas, etc.). E Geórgia, há algum tempo, labora no Grupo “Red Bull”, na área mercadológica. Assim Fernanda e Georginho já cumpriram sua missão materna e paterna, entregando títulos universitários às duas únicas descendentes. Para felicidade nossa, por óbvio.

Texto revisado pelo autor

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