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Os 60 anos da formatura
Publicado em 10/01/2018

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

Sem qualquer festejo (o último congraçamento sucedeu em 1.982, nos “25 anos”, num jantar a bordo do “Cisne Branco”) nossa turma de 74 bacharelandos de dezembro/1.957 da Faculdade de Direito da Universidade Federal do RGS deixou passar “in albis” os 60 anos da conclusão acadêmica. Ali fui um dos raros alunos que pautou o curso com frequência integral. É que grande parte dos que moravam no interior apareciam de vez em quando. Conforme atestado selado (em quadro), que tenho nas paredes de meu escritório, sempre passei “por média” e jamais prestei exame oral! Assim, enquanto os outros só entravam em férias a 15 de dezembro, eu, já em 21 ou 22 de novembro, chegava a Bagé. Quando começou o 4º ano, nosso lente de Direito Civil, Dr. Brasil Rodrigues Barbosa, convidou-me a trabalhar de tarde em seu escritório no Edifício Sulacap (14 às 18 horas). Dali eu subia a Rua dos Andradas, passava pela Praça Dom Feliciano e entrava no Colégio Rosário (onde, antes, tirara o curso clássico), em que funcionava a PUC e ali fazia também o curso de Letras Clássicas. Um curso de manhã e outro à tardinha. No Direito, como me formei com o 1º lugar da turma, ganhei o prêmio “Deputado Paulo Brossard”: um estada no México, por um ano, por conta do Estado do RGS, tirando curso superior de aperfeiçoamento. Recusei, pois queria voltar logo a Bagé para exercer a advocacia plena, o que efetivamente realizei e também contrariando a proposta de nosso paraninfo Dr. Brasil, que desejava que eu continuasse militando em seu escritório Arrematando, considero um privilégio que Deus me concedeu poder recentemente, em 20-12-17, alcançar os 60 anos de começo do exercício profissional, embora “safenado”, o que me privou, desde a operação, de exercitar a advocacia na sua plenitude, escapando das questões contenciosas seguindo as prescrições de meu cirurgião cardíaco Dr. Renato Karam Kalil (Instituto de Cardiologia). No tempo de exercício, hoje me arrependo de não acolher convite das autoridades militares locais antigas (Gen. Corrêa, Gen. Fritz) para escolher cargo de Auditor Militar, Procurador Militar, etc. onde se entrava sem concurso. Quantas vezes desembargadores que lideravam o TJRGS (Pedro Muñoz, Athos Carneiro, Uflacker, Butelli, Púperi, etc.) insistiram que eu lá ingressasse na vaga destinada aos advogados e sistematicamente rejeitei! De tais recusas, hoje, eu, já idoso, me arrependo bastante!
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DIVERSAS – A Srª Andrea Baz, uma das mais eficientes proprietárias de lojas de artigos masculinos cá em Bagé, encontra-se deveras gratificada, posto que a filha (médica) passou no difícil exame à “Residência” na Santa Casa de Porto Alegre. -*-*-*- Rememoração: no dia 17 de abril de 1.960, na Estrela D’Alva, nas comemorações de mais um aniversário de fundação, nosso Guarany venceu (por 4 x 2) o Internacional da capital. Este, então, era treinado pelo famoso “coach” Teté. Golos: Naninho e João Borges (3) para os locais e Paulo Vechhio (2) para os colorados. A Estrela D’Alva, então, teve lotação máxima! Quando Grêmio e Inter aqui vinham, acontecia que seus torcedores de cidades vizinhas (P. Machado, Dom Pedrito, Lavras do Sul, etc.) para cá se deslocavam para incentivá-los. Segundo comentário do “Correio do Povo” de PoA, “o Guarani, desde o início, tomou conta da cancha de jogo, de uma forma hegemônica”. -*-*-*- Formado na 1ª turma da histórica Faculdade de Direito de nossa capital, o Dr. Getúlio Dorneles Vargas advogou, por certo tempo, em São Borja (seu pago nativo) e em Porto Alegre. Ainda, foi “promotor público” (nomeação política, pois lá não havia concurso). Depois, foi deputado federal e deputado estadual. E foi Ministro da Fazenda no governo do Dr. Washington Luís. Deixou este cargo após ser eleito “presidente” do Estado do RGS, sem concorrentes, pelo Partido Republicano. Os Libertadores abstiveram-se de ter candidato e não lhe fizeram oposição frontal. Isso foi em 1.928. Depois (1.930), derrotado nas urnas, no pleito federal, RGS, Paraíba e M. Gerais classificaram o evento como fraudulento e “estorou” a Revolução de 1.930 que o conduziu à chefia do poder central, no Rio de Janeiro. Quatro anos depois, o Legislativo escolheu-o “presidente do Brasil” (1.934). Em 1.937 deu “um golpe de Estado (o “Estado Novo”), fechando todas as Câmaras, destituindo “governadores” e prefeitos, tornando-se ditador até 1.945 quando as Forças Armadas, lideradas por Góes Monteiro, o derrubaram do poder, exilando-se Vargas em São Borja.

Texto revisado pelo autor

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