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O inverno em Bagé
Publicado em 11/07/2018

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

O inverno em Bagé sempre foi terrível. Estamos ainda a lembrar nossos tempos de ginásio, no Colégio Auxiliadora, quando, bem cedo da manhã, nossos pais nos chamavam, serviam-nos o café com leite, pão e manteiga e nos enviavam para o Auxiliadora. Vestia-se o uniforme amarelo, o talabarte, os sapatos pretos, a gola bem fechada, portando-se a pasta de couro com livros e cadernos dentro. Ingressava-se no pátio do educandário e aí se ouvia, pouco a pouco, a batida dos sinos. A primeira para que a gente se encaminhasse às filas sob a parte coberta. A segunda para que todos se alinhassem. A terceira com o fechamento definitivo do portão de ingresso e silêncio absoluto. Aí o Padre Conselheiro subia num banco e externava as recomendações do dia. Seguia-se o ingresso organizado na sala respectiva, deixando-se as cadernetas recolhidas, que iam para a Secretaria a fim de ali ser aposto o carimbo da frequência. Ao aproximar-se o final da manhã um discípulo ia buscar as cadernetas carimbadas, fazendo o professor da hora a redistribuição. O carimbo de “ausente” era vermelho. Se houvesse algum registro de indisciplina (ou algum aviso de valia) tudo era, nela, inserido. Mensalmente, ali se punham as notas (matéria por matéria), as faltas porventura ocorridas, alguma advertência levada ou alguma mensagem aos pais. Obrigatória era a frequência da missa das 9 horas aos domingos, atestada por outro carimbo no dia apropriado. Muitos alunos, postos para fora da aula por indisciplina (ou mau comportamento), eram “encostados” às colunas por algum tempo para manifestar-se ser intolerável a desobediência. E havia “o quadro de honra”, tamanho grande, pregado a uma parede alta no pátio, onde, em letras garrafais, eram postos os nomes dos cinco primeiros alunos do colégio. E, mais abaixo, em termos menores, os nomes dos cinco primeiros de cada aula (admissão, ginásio, científico). A emulação, assim, era estimulada e muitos estudavam bastante para, no quadro de honra, aparecer. Outrossim, no jornalzinho “O meu colégio” tudo isso aparecia. Indo, depois, tirar o curso clássico em PoA, no Colégio Rosário, que era preparatório para o vestibular de Direito e que só na capital existia, também lá era afixado, a todo começo de mês, a listagem dos mais aplicados, dos mais estudiosos, dos mais comportados, para servir de exemplo e estímulo aos demais. Será que os educandários, hodiernamente, conservam tão modelar costume?  x_x_x_x_ DIVERSAS - A Profª Lígia Mouchet Silva (viúva de nosso saudoso colega Dr. Hugo), aqui falecida, ingressou conosco (1958) no magistério do Colégio Estadual de Bagé (hoje, Dr. Carlos Kluwe), onde nós ficamos até metade de 1963. Sempre foi uma preceptora muito responsável e devotada. xxx "Cabala" quer dizer conluío, tramóia, maquinação."Pachorrento" = vagaroso, indolente. x_x_x_x_x Frédéric Francois Chopin (morto em 1849) foi um famosíssimo compositor francês. Sarah Bernhardt, falecida em 1923, foi a maior atriz francesa de seu tempo. Frans Liszt (morto em 1866) foi compositor e regente húngaro, até hoje recordado. Em Bagé, a Rua Senador Alberto Pasqualini está no bairro São Judas Tadeu, próxima à igreja do mesmo nome. A Rua Mãe Luciana = no Passo do Princípe. E a Rua Dr. Menotti Medici = na Vila Ipiranga. x_x_x_x_ Meritório o título que nosso Legislativo outorgou à Profª Sarita (nossa expressiva ex-aluna de Literatura Brasileira, em 1958, no Colégio Espírito Santo).

Texto revisado pelo autor  

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