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O Dr. Carlos Rodolfo
Publicado em 28/09/2016

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

A perda do Dr. Carlos Rodolfo Moglia Thompson Flôres é daquelas que se classificam como sem remédio. Não a morte física, a que todos nós somos expostos o que se transforma na destruição de nosso tecido físico e na desagregação de nossos ossos, numa desenvoltura inevitável. Refiro-me à permanência imorredoura da obra intelectual, de seus artigos em jornal, de seus substanciosos trabalhos jurídicos, na sua tarefa ponderável de erguer o “edifício universitário” em Bagé, secundando as sementes benfazejas lançadas pelo Dr. Áttila e pelo Dr. Tarcísio Taborda. Não pode ser olvidada – e também – suas tarefas desdobradas à testa da Associação Rural, sua atividade na pecuária e na estância herdada da família Moglia. Primeiramente, com o genitor, Dr. Paulo Thompson Flôres, uma das mais esplêndidas cabeças jurídicas entre as que encontrei aqui quando cheguei (formado em PoA), em março/1.958; depois, com seu irmão Dr. Paulo Roberto, com seus colegas Dr. Moacyr Borges da Silveira, Dr. Erly Inghes, Dr. Edgar Coelho Leal, Dr. Darcy Baptista do Couto, Drª Heloísa de O. Thompson Flôres, Dr. Luiz Carlos Pierucci e Drª Tânia Mara O. Pereira. Liderou prestimoso e prestigiado escritório de advocacia, sediado, no fluir dos anos, na Rua Barão do Amazonas, no Edifício Avenida e, por fim, na Rua Marechal Deodoro. Herdou do pai as consultorias das maiores empresas de Bagé, principalmente dos grupos Moglia e Gomes, defendendo seus interesses tributários e fiscais, inclusive fora daqui, com sapiência e ardor. Interessante, na sua biografia, é que nunca integrou a diretoria da Subsecção da OAB. Mas, nos 16 anos em que presidi a mesma, sempre me prestou seu incentivo e concedeu-me seu prestígio. Primeiro diretor da Faculdade de Direito, Carlos Rodolfo propiciou, de início, um curso bem cuidado, com seleção de professores, aulas regulares, fiscalização da frequência, provas exigentes e prestígio estadual. Para aqui, então, acorreram jovens e adultos das mais variegadas regiões do RGS, principalmente de Quaraí, Livramento, Rosário do Sul, Alegrete, Uruguaiana, Santa Vitória do Palmar, etc. Depois, entregou o timão para o Dr. Davi Ulisses Chaves Simões Pires e alçou-se à reitoria-mor da Funba, que, aí, já aglutinava várias Faculdades, procurando imprimir-lhe dinamismo e eficiência. Gostava de ler toda espécie de boa literatura, principalmente folheando os livros da imensa biblioteca deixada por seu genitor. Apoiou, sempre e sempre, os filhos. E amparou amigos em maioria crescente. Nos últimos tempos, já adoentado, praticamente se absteve da atividade profissional. Desfez-se de seus campos e preparava-se para um fim tranquilo ao lado da incansável Zélia e da descendência. Aí, sobreveio a doença. E, com ela, as consultas, os remédios, as aplicações, o sofrimento até o epílogo na UTI de nosso Hospital São Sebastião, onde não enxergou mais ninguém, mantendo a respiração com aparelhos e com a alma já esvoaçando às terras etéreas. Não fui ao seu sepultamento. Preferi guardar a derradeira imagem do último contacto que tivemos no Forum, onde continuou a externar-me a cortesia, a delicadeza e a inteireza de sempre. Deixou um nome que as gerações em desdobramento manterão em indestrutível reminiscência, com toda a certeza.

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