O Carnaval de Bagé (antes)
Publicado em 21/03/2018

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

O Carnaval de Bagé, nas décadas de 40, 50, 60, etc. era algo fabuloso. As famílias mais tradicionais, que possuíam carros conversíveis, desfilavam pela Sete com fantasias ricas, jogando confete e serpentina nos passantes, além das que eram lançadas das sacadas dos prédios da mesma avenida. Com garbosas fantasias, ruidosas baterias, instrumentos de sopro, o povo divisava os Bambas da Cidade, o Respinga, os Piratas do Amor, os Zíngaros (o mais luxuoso de todos), afora a Garça, a Girafa, o King Kong (que tanto entretinham as crianças e a meninada). No domingo e na 3ª feira, às 17 horas, realizavam-se os bailes infantis (regidos pelas mesmas orquestras que tocavam pela madrugada). O Comercial, o Caixeral, o Recreativo ostentavam lotação máxima, onde os foliões mal podiam mover-se “no cordão”, com blocos internos diversos, ressaltando-se (no Clube Comercial) o Bloco dos Casados. Sorteadas as mesas (quatro noites) eram logo adquiridas. O contingente de forasteiros, que vinham para as festas momescas de nosso Clube mais aristocrático, era fantástico, acarretando expressão financeira fabulosa para os cofres da associação. Presenças de familiares e amigos do Rio de Janeiro e de PoA eram constantes. As casas de família enchiam-se de parentes, de colegas de Faculdades ou de profissão. E o desfile de mulheres bonitas aqui era logo ressaltado pelos cronistas sociais do “Diário de Notícias” e do “Correio do Povo”. Muitos namoros, muitos noivados, muitos casamentos foram decorrência de tal convivência fraterna, álacre e ruidosa. Os decotes eram discretos e as fantasias muito vistosas. Passavam-se quatro dias no império da cerveja, do “whisky”, do guaraná (e depois da Coca Cola), afora “as pelejas” de serpentinas, confetes e lança-perfumes (de vidro e metálicas). Tais “bons tempos” de gáudio, de júbilo, de arrebatamento, infelizmente, pela mudança dos costumes, jamais volverão!
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         DIVERSAS – A 1ª Grande Guerra Mundial, na Europa, granjeou nove milhões de mortos entre militares e civis. Deixou 30 milhões de feridos. Durou de 28 de julho de 1.914 até 11-novembro/1.918. De um lado, os chamados “aliados” (Reino Unido, França e Rússia). De outro o Império Alemão e Áustria-Hungria. 60 milhões de europeus entraram em combate, mas os militares (incluindo os de fora do Velho Continente) teriam ultrapassado 70 milhões. Nove milhões de soldados pereceram! O conflito iniciou quando o império austro-húngaro entrou na Sérvia. E logo a Alemanha invadiu a Bélgica, a França e Luxemburgo. A Alemanha perdeu então dois milhões de pessoas. Os Estados Unidos (que ingressaram mais tarde no conflito) tiveram perdas de 116 mil seres humanos. -*-*-*- No começo do século XX todas as principais companhias de óperas e operetas passavam com seus espetáculos por Bagé, onde eram calorosamente recebidas e aplaudidas. Naqueles longínquos tempos tivemos os nossos dois maiores teatros destruídos por colossais incêndios. -*-*-*- Além do “Correio do Sul” (fundado em 1.914 para acolher as ideias “maragatas”) Bagé contou com outro jornal famoso (“O Dever”) do Partido Republicano Riograndense, dirigido por Tomás Salgado, Lindolfo Collor e Adolpho Luiz Dupont, principalmente. “Guerreavam” os dois entre si, pois seus dirigentes representavam correntes rivais e belicosas. No “Correio do Sul” pontificava o grande plumitivo e articulista João Fanfa Ribas. -*-*-*- Em nosso Código Civil, pelo parágrafo 1º do art. 1.565, quando ocorre o casamento nenhum cônjuge é obrigado a passar a utilizar o sobrenome do outro. Poderá continuar a usar seu sobrenome de solteiro. -*-*-*- Na língua-mãe, “barganhar” = permutar, negociar. E “entremear” = pôr no meio de, intercalar”. Já em inglês, “wealth” = riqueza. E “maid” = empregada. Na língua francesa, “acteur” = ator. E “plomb” = chumbo. -*-*-*- Recuperando-se lentamente o Dr. Paulo A. Lemos que sofreu uma parada cardiorrespiratória na capital. -*-*-*- As missas na Igreja da Conceição continuam muito frequentadas, sendo escutado com atenção o sermão proferido por Frei Álvaro. Na Auxiliadora, nos dias úteis, o número de fiéis ainda é escasso (ressalte-se o tamanho enorme do templo). O novo pároco e um grupo de colaboradoras entusiastas têm tentado melhorar a frequência. -*-*-*- O Juiz do Trabalho (aposentado como desembargador) Dr. Leonardo Brasil agora reside em sua esplêndida estância no interior de Bagé, devotado unicamente à lide campesina, após tanto tempo manuseando processos e proferindo despachos e decisões nas refregas entre empregadores e empregados. -*-*-*- Magnificamente instalada em sua nova sede (R. Caetano Gonçalves esq. Gen. Sampaio, em frente à antiga Estação Rodoviária) a Defensoria Pública do Estado do RGS. Mobiliário simples, mas adequado, ela conta com diversos advogados (Defensores e Defensoras) concursados, mais estagiários, que procuram atender plenamente suas obrigações, em dois andares. Conquanto de propriedade particular, a construção previamente obedeceu aos moldes solicitados pela repartição locatária. Dirige a Defensoria aqui, a Drª Luciane Navarrina Trindade.

Texto revisado pelo autor

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