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Juvenal e Garmêndia
Publicado em 31/08/2019

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

Quando subo a Av. Sete rumo ao meu escritório profissional e aproximo-me da “dobra” para a Marechal Deodoro, inclino-me naturalmente para vislumbrar o velho Edifício do Foro (o Forum) na confluência com a hoje Dr. Carlos Mangabeira e revivo março de 1.958 quando, formado na Fac. de Direito da URGS (PoA), volvi ao pago nativo para encetar o exercício da profissão que havia escolhido. Que tempos bons e inesquecíveis aqueles! Salvo eu e o Dr. Ruy Pereira Niederauer todos os demais personagens da época já se foram: juízes de Direito, Promotores de Justiça, colegas advogados, servidores judiciais e extrajudiciais, etc. Que ambiente sóbrio, elegante, acolhedor no Forum de então! Logo na entrada uma “chapelaria” para serem depositados os chapéus (usados pela maioria dos varões do tempo). Na 1ª porta à direita, o Cartório da Distribuição e Contadoria (Juvenal e Garmêndia), depois o Cartório Pitrez, o Cartório Luz, os Cartórios dos Srs. Ernesto Gonçalves e Telêmaco de Bem, as duas salas de juízes, a sala dos Promotores, a sala da OAB, etc. Nossa classe, antes não tinha uma dependência apropriada. Em nossa longa presidência preparávamos sozinhos (em nosso escritório) a documentação para serem obtidas as carteiras profissionais, que, à sua chegada, em cerimônia simples, entregávamos aos destinatários, noticiando pelo “Correio do Sul”. Nosso então tesoureiro, o Dr. Ruy Pereira Niederauer, era quem nos auxiliava e assessorava em tal mister.
    Mas o fito primordial deste artigo era (e é) rememorar as figuras inesquecíveis de Juvenal Alves Echeverria (contador e distribuidor) e Luis Alberto Gonçalves Garmêndia (ajudante substituto). O que caia ali era logo distribuído. As contas gerais ambos a confeccionavam com presteza. Como eu era o único advogado que assinava o “Diário Oficial” do Estado (que abrigava o Caderno do Poder Judiciário) éramos os informantes dos colegas acerca do andamento de seus recursos em segunda instância, cujos resultados inseríamos na coluna “Notas Forenses” em nosso saudoso “Correio do Sul”, começada (em idos tempos) por Juvenal e continuada por nós. Púnhamos os colegas logo em contato com novas leis, com a oscilação da jurisprudência do TJRGS, com as notícias mais atualizadas da Instância Superior, tudo gratuitamente, sem nenhum benefício próprio. Não foi debalde que os colegas locais mantiveram-nos por tanto tempo na chefia de nossa Subsecção da OAB.
    Destarte, quando trago à baila tal remembrança acho um dever indeclinável recordar aqueles dois cidadãos que juntos laboravam naquela sala, tão amigos entre, tão amigos da gente forense, tão alegres e cordatos no exercício cotidiano de suas obrigações: Juvenal Alves Echeverria e Luís Alberto Gonçalves Garmêndia, um morando na Rua Barão do Triunfo, outro habitando na Av. Tupy Silveira. Como vão longe aqueles bons tempos!
 

* Texto revisado pelo autor


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