Festas em Bagé (antigamente)
Publicado em 01/04/2015

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

Advogado

Na década de 50 raros jovens iam estudar em Porto Alegre. Aqui em Bagé poucos conheciam a metrópole. Cidadãos e cidadãs somente iam lá para tratamento médico. E os fazendeiros para a Exposição-Feira, cujo parque era na Av. Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus. E não muito mais. Nossos pais enviaram três filhos (nós, Juca e Arlene) para frequentar o Colégio Rosário (dos Irmãos Maristas), o Bom Conselho (Franciscano) e as Universidades. Quando para lá fomos talvez uns cinco ou seis alunos bageenses lá estudassem. Somente se vinha aqui nas férias de julho e nas de dezembro e não mais. Viajámos sempre pelos aviões da Varig (havia também a Savag). O percurso aéreo durava uma hora e dez minutos no mínimo. Às vezes acontecia uma parada no aeroporto de Pelotas. Quando voltávamos nas férias, tomávamos banho, vestíamos a melhor roupa e na mesma ocasião íamos visitar vizinhos e familiares. Posteriormente, pela tarde, a mocidade amiga e vizinha (rapazes e moças) reunia-se em nossa casa na Rua Bento Gonçalves. Minha mãe e as empregadas organizavam três “rodadas” de café com leite, pão, torradas e manteiga: uma para minha geração, outra para os amigos do Juca e a terceira para a turma da Arlene. Nossos genitores guardavam muito prazer com tais reuniões, que se desenvolviam dentro de casa e na calçada. Todos nos interrogavam sobre como era a Rua da Praia, a Rádio Gaúcha, a Rádio Farroupilha, o cinema Imperial, o Central, o Roxy, o Rex, o Ópera, o edifício Sulacap, os hotéis Majestic, Preto, Grande Hotel, Carraro, Young, etc. Os rapazes indagavam sobre os estádios dos Eucaliptos, da Baixada, da Timbaúva, do Passo da Areia, da Montanha, da Chácara das Camélias, etc. E o edifício Sulacap era muito alto? E as redações do “Diário de Notícias” e do “Correio do Povo” como eram suas sedes? E a Livraria do Globo? E o “footing” nas tardinhas, aos sábados e domingos à noite e nos domingos pela manhã na Rua da Praia? E o Jóquei Clube (que era próximo ao estádio do Grêmio)? E as gurias do Bom Conselho, do Americano e do Sevigné? E a rapaziada do Anchieta, das Dores, do Rosário, do Júlio de Castilhos, do IPA, etc.? A tudo respondíamos com entusiasmo e com certo “ar de superioridade” porque nos envaidecíamos. Afinal, estudávamos nos colégios e nas Faculdades de Porto Alegre! -*-*-*- Nas férias, havia também reuniões-dançantes aqui no Clube Comercial (eletrola). E periodicamente nas casas de algumas famílias (com discos isolados). Terminava a música e punham o outro a rodar... Em que residências se consertavam e arrumavam reuniões-dançantes (os anfitriões serviam guaraná, sanduíches e docinhos)? No sobrado do Dr. Mário Araújo (pai de Mário Francisco). Na moradia do Dr. Ernesto e dona Manuela (filha Cândida). No seu Chico Netto e dona Auta (Zélia Terezinha). No então major Chiri e dona Elsa (Elsa Maria). Lá no Dr. Camilo e dona Mariazinha (Regina Maria). E, finalmente, na Rua Flores da Cunha (Dr. Sérgio Moreira e dona Corinha) junto com Isolda e Iara. Se não havia outro local, ia-se lá nas Moreira onde sempre se arrumava uma festa! A malícia inexistia. Reinava muita camaradagem. No verão, pela tarde, banho no arroio Valente (com várias mães acompanhando as filhas, maiô inteiro, etc.). Disso tudo já se passaram mais de 50 anos! E os anfitriões todos já faleceram. Mas foram momentos inesquecíveis dos velhos tempos da então mocidade bageense, quando alguns estudavam na metrópole e para aqui somente se vinha duas vezes ao ano. E hoje, como tudo mudou nos hábitos e costumes da gente jovem, meu Deus!

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