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Diversas 84840
Publicado em 27/06/2019

George Teixeira Giorgis

George Teixeira Giorgis

Quando, formados em POA, chegamos para advogar aqui (nosso pago natal) o Forum local estava praticamente acéfalo. Não havia nenhum juiz titular em exercício (princípios de 1.958) e a comarca não contava com efetivos promotores (que vinham de cidades vizinhas, periodicamente). Como não tínhamos cinco anos de exercício (como recomendava a legislação) não poderíamos ser o presidente da OAB. Esta achava-se abandonada, com presidente já com mandato superado. Lançamos então a candidatura do Dr. Carlos Fico, ficando nós com a secretaria e o Dr. Ernesto Nocchi (que logo chegaria) como tesoureiro. As três Varas de nosso Foro (que atendiam o cível e o crime), à medida que liderávamos os pleitos junto ao TJRGS, foram paulatinamente preenchidas: o Dr. Túlio Barbosa Leal veio de Jaguarão. O Dr. Rubens Rebello Magalhães veio de Cangussu. O Dr. Sylvio Fortunati Pereira veio de Soledade. O bageense Dr. José Coronel Martins era o único promotor em exercício. Gestionamos junto à Procuradoria Geral e vieram o Dr. José Oliveira Rosa e o Dr. Francisco de Paula Azevedo Veiga. Este era o Curador Geral (atuava somente no cível e era exigente e formalista). Os outros dois labutavam na área criminal. Assim conseguimos chegar a julho/58 com tudo preenchido em nosso Foro! Em regra, a 3ª Vara atendia Família e Sucessões. A 2ª Vara atendia também reclamatórias trabalhistas e a Comarca não instalada de Lavras do Sul (para onde o magistrado deslocava-se uma vez na semana, pois o prefeito de lá mandava o carro oficial buscá-lo). A 1ª Vara tinha ao seu encargo a direção do Foro. Para conseguir tudo isso, como secretário da OAB e apoio pleno do Dr. Fico, enviávamos para Porto Alegre ofícios a torto e a direito; ou pegávamos o avião da Varig (por nossa conta) e para lá rumávamos. A contar de tal período, sem falsa modéstia, logramos colocar nossa comarca no rumo certo. E as coisas começaram a mudar para melhor. Mais tarde, por longo período de sucessivas reeleições, assumimos aqui a presidência da OAB. Em Bagé, quando chegamos, brilhavam no setor criminal o Dr. Otávio Santos e o Dr. Telmo Candiota da Rosa. Infelizmente, no final da vivência profissional, por questões de “esquerda x direita”, romperam relações (que nunca conseguimos que fossem reatadas). O Dr. Breno também não se dava com o Dr. Otávio (“caso Gaffrée”). Na área cível, então se destacavam o Dr. Breno Fischer, o Dr. Paulo Thompson Flôres e o Dr. Orlando Brasil. Em norma geral, os inventários “dos ricos” caiam nos escritórios da Dr. Orlando e do Dr. Alencastro Jacintho Pereira (este só laborava em tal setor e raramente ia ao Forum, mandando lá sua eficiente secretária particular, dona Edy). Mais tarde, na área do júri, despontou-o Dr. Luiz Maria Ferraz (que a política partidária desviava muito da refrega forense). O Dr. Paulo e o Dr. Breno (escritório na Rua Barão do Amazonas) separaram-se depois que os filhos do primeiro (Carlos Rodolfo e Paulo Roberto) chegaram aqui formados pela URGS. Relato que, naqueles tempos, salvo poucas exceções, a convivência forense era exemplar! Abundavam os festejos de aniversários, onde a confraternização (almoços, jantares, churrascos) era modelar. Evidentemente, pela vulgarização numérica na profissão, tais ensejos nunca mais terão repetição cá em Bagé, onde o espírito classista foi-se desmantelando aos poucos com a quantidade superando a qualidade, o que se lastima.
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Roberto Hecht está atingindo os oitenta anos, com saúde preciosa, gênio afável e excelente disposição de espírito. Ele recepcionou os amigos no Bagé Tênis Clube em festividade que decorreu sob confraternização e alegria. Seus filhos já labutam tranquilos e já realizados.

Texto revisado pelo autor

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