No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Um sonho que começou pelo Prado Velho
Publicado em 25/06/2019

Esquerda Carneiro

Esquerda Carneiro

Quando entrei para a política e me candidatei em 2008, queria ser vereador, fazia planos para melhorar o meu bairro, mas jamais pensei na transformação que poderia proporcionar à vida de tantas pessoas. Nada me impunha pensar que ultrapassaria os limites do Prado Velho, talvez a zona leste e um ou outro bairro de Bagé. Mais que isso, não.
Naquela primeira eleição, não consegui me eleger, fiquei suplente. Na seguinte, em 2012 já foi diferente. Cheguei à Câmara de Vereadores com boa votação, comecei a entender o processo legislativo, projetos, comissões, tribunas e a relação entre os três poderes no município.
O conhecimento veio aos poucos. Com muito conteúdo. Muita informação. Experiência. Era importante compreender como as coisas funcionam. Tentar entender porque certas coisas são deixadas de lado, o que é uma prioridade e porque escolhemos fazer algumas coisas em detrimento de outras.
Fui caminhando. Aprendendo. Praticando a vida pública. Ajudando as pessoas.    
Até que em 2016, reeleito vereador, por convocação do prefeito Divaldo Lara,  assumi a secretaria de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso (Smasi). Isto no primeiro dia de janeiro de 2017. Ali, na Smasi, descobri um novo mundo em minha vida. Encontrei pessoas maravilhosas. Encontrei felicidade e, também, muita tristeza, com famílias necessitando de apoio, jovens carentes de um rumo na vida, violência doméstica e idosos clamando por atenção. Muitas vezes a tristeza se transformou em felicidade por conseguirmos resolver problemas. E não há gratificação melhor que isso. Nada supera essa sensação que nos invade, que é ajudar alguém ser feliz. Tenho comigo que não posso mudar o passado das pessoas, mas posso trabalhar o presente e contribuir para o futuro.
Na ocasião, com responsabilidade, abracei a missão que me foi confiada e assumi, talvez, a secretaria mais complexa do município. Eu sabia que tinha um caminho difícil pela frente. Mas não podia nem pensar em baixar a cabeça. De jeito nenhum. Uma multidão passou a depender do meu trabalho e de toda a equipe da secretaria.
Lembrei do sonho de um jovem aprendiz há 10 anos, lá no Prado Velho, querendo ser vereador para tentar fazer alguma coisa pelo bairro e a zona leste.
Lembrei de, já na Câmara, tentar entender porque algumas prioridades não levavam em consideração aqueles que mais precisam.
E, em janeiro, há dois anos e meio, lembrei de tudo o que queria ser e fazer. Eu disse em meu pensamento, várias vezes, “agora chegou a hora de fazer, Carlos Adriano Carneiro, quero ver ir lá e fazer”.
Olhei a estrutura da Smasi. Três secretarias em uma. Habitação e Direitos do Idoso agregadas à assistência social. Achei pequeno o espaço no prédio da antiga Cobagelã. Seria preciso uma nova estrutura. Além de tudo o aluguel era caro.
Fomos para a zona leste, Km 21. Enfrentando algumas resistências. Havia quem achasse o lugar muito longe. Deslocado. No novo local funcionava a Economia Popular Solidária, que na real não funcionava. Havia uma estrutura inoperante. Um desafio. Porém, para fazer valer o trabalho é preciso arregaçar as mangas, esquecer o horário e trabalhar. Trabalhar, trabalhar e trabalhar. E foi assim. Sem hora, sem feriado, sem sábados e domingos. Não se trata de autoelogio, afinal quando me propus entrar para a vida pública e me manter digno aos olhos de meus amigos e familiares, sabia que ia ser assim, ia ter de me dedicar de corpo e alma. É isso que faço. Claro que não faço sozinho. Nunca. Sempre tenho quem me ajude, sempre encontro pessoas com vontade, sem medo do trabalho. Assim foi a equipe da Smasi.
A seguir, após o período de dois anos, em que ultrapassei os limites sonhados pelo jovem Carlos Adriano, tornando a secretaria de assistência social bastante ativa, descobri que meu caminho não podia parar por ali. Então, surgiu a oportunidade de ser presidente de um poder, o Legislativo. A Câmara de Vereadores. Meu horizonte ampliava. Agora não se tratava de ajudar resolver problemas de uma secretaria, mas de toda a gestão municipal. Agora era para ajudar a resolver os problemas de Bagé, da minha cidade.
Fui para mais este desafio. E, agora, depois desses anos todos, mais de 10, em que pensei em apenas e tão somente ajudar o lugar onde vivo, vejo que não há limite para o trabalho, para quem tem fé. Para quem quer fazer. E eu sou muito grato. Grato à vida, aos amigos, à família, grato a Deus.
Vamos ver o futuro, o que ele nos reserva, de que forma podemos continuar ajudando as pessoas.


Deixe sua opinião