No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Dia de Bagé, dia de minha infância
Publicado em 16/07/2019

Esquerda Carneiro

Esquerda Carneiro

Amanhã é o dia da minha cidade. Onde nasci e fui criado. Amanhã é o dia do melhor lugar do mundo para mim. É o dia de Bagé. Minha cidade, que me deu tudo, para mim e minha família. Amanhã é dia de agradecer e de refletir. Eu tenho muito o que falar sobre Bagé, como gosto e onde gostaria que melhorasse. Algumas coisas são essenciais que melhorem, outras já estão melhorando. Os arroios, por exemplo, ouço muitas histórias de como eram bonitos nossos arroios, que as pessoas se banhavam, passavam o verão nas águas ou à beira da sombras. Portanto, esse é um sonho que precisa se realizar: ter de volta nossos arroios.
Outra história que ouço é sobre o trem. Viajava-se de trem daqui de Bagé para Pelotas, Rio Grande, Cacequi. Havia uma alegria nessas viagens, uma paisagem, uma conversa de parentes e amigos. Isso também acabou, assim como os banhos de arroios na cidade.
Também houve um tempo em Bagé que não havia falta de emprego. Trabalhava-se muito por aqui, havia mais empresas, indústrias, cooperativas industriais. Era um tempo que dava orgulho servir o Exército, era bonito respeitar os pais; escola era lugar de aprender e também de respeitar os professores.
Sobre isso tudo, um pouco me contaram, outro vivi. Mas tudo faz parte de mim como se tivesse vivido porque aconteceu na cidade onde nasci.
Amanhã, Bagé faz aniversário. São 208 anos. Quando era criança, que brincava lá no meu bairro, não tinha ideia que um dia teria tanta responsabilidade sobre minha cidade. Aliás, às vezes, me pego pensando e nem acredito. Comento isso com minha gente. Porque nem sempre é fácil acreditar em coisas desse tipo, ser vereador, presidente da Câmara, secretário de Assistência Social... Porque, ao mesmo tempo que dá medo de tanta responsabilidade, também dá um orgulho imenso poder fazer pelas pessoas, estufar o peito e dizer que pude fazer por alguém que precisava de mim. Depois, com o tempo, a gente vai descobrindo que tudo tem limite e nem sempre é possível fazer aquilo que gostaríamos. Esse é o momento para perceber o que queremos para nós e os outros.
Nada pode nos fazer tão grande que não nos chame à humildade de compreender às pessoas que fazem parte da nossa vida. Nada pode nos tocar mais fundo que os momentos felizes da infância. Pensar sobre isso ajuda o coração. Amacia os sentimentos em relação aos outros, traz mais solidariedade e amor.
Agradeço a Deus, aos meus amigos e familiares, agradeço a todos que vivem em Bagé e de uma forma ou outra me fazem melhor. Bagé me faz melhor, todos os dias.


Deixe sua opinião