Vírus em ano eleitoral move a politicagem
Publicado em 26/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Mesmo que queiramos ‘tapar o sol com a peneira’, não está sendo possível. O refrão do samba de enredo da Beija-Flor continua atual. “Oh, pátria amada, por onde andarás? Teus filhos já não aguentam mais”! Alguns. Outros nem tanto. Se a gente acompanhar com atenção o momento atual, nota a política (ou politicagem?) tomar conta do ‘meio campo’. A maioria tenta apagar fogo com gasolina. Poucos são os bombeiros que usam água. Isso em política. Tem muita gente que prefere o slogan ‘quanto pior, melhor’. Menos mal que agora, pelo menos parece, as instituições estão se acalmando. A imprensa está no papel dela de informar. Embora o exagero em alguns casos. Mas aí seu fundamento é a perda de arrecadação com o faturamento que vem diminuindo a ‘olhos vistos’. Muitas emissoras têm diminuído seu quadro funcional. No caso do comércio e indústria, a mesma coisa. O desemprego aumentou barbaramente no Brasil. E isso tem atingido todas as classes sociais. Ora bola, se já estava em baixa a arrecadação dos impostos, por falta de consumidor, com o desemprego e ações de governadores e prefeitos, o mercado vem encolhendo. Mas o custo da máquina pública, em todos os poderes, segue seu caminho. É aqui não se está fazendo apologia ao caos. Nem estamos mostrando que se já estava ruim, agora piorou. Mas é a realidade. São fatos. Qual a causa, senão o vírus sendo aproveitado politicamente? Alguns fatos para sua análise.

Fora da agenda, Aras recebe Bolsonaro   

Acontece que o presidente da República não deve receber ninguém fora de uma agenda anunciada previamente. Eu disse não deve. Eu não disse que ‘fere a Constituição’. Pois foi isso que aconteceu, ontem, segunda-feira, 25 de maio. A matéria que li no CB (Correio Brasiliense) da uma ideia da crise atual: “O presidente participava de videoconferência da solenidade de posse do novo procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena”. No início da solenidade, ao usar da palavra ‘teria se oferecido’ para cumprimentar pessoalmente o novo indicado, caso fosse convidado por Aras. O que foi aceito imediatamente. Então, ele foi ao local da solenidade. A interpretação de alguns órgãos de imprensa deu a entender que foi Bolsonaro que recebeu Aras sem agenda marcada. Pode não ter nenhuma ‘maldade’, como diriam alguns políticos, mas foi exatamente o inverso, porque já deu margem a outras injunções. E a matéria explicita: “Três dias após o ministro Celso de Melo, encaminhar um pedido para saber o que pensa a PGR sobre recolher o celular do presidente”. Então, a ida de Bolsonaro na posse, tinha outro objetivo: ”Combinar com Aras o que ele iria responder ao decano Celso, sobre o recolhimento ou apreensão de seu celular”. Não digo que essa não seria a intenção. Agora, se ele tivesse marcado na agenda essa visita, o que mudaria? Seria ilegal? Mas acontece que a pendenga entre Moro e Bolsonaro, interessa muita gente. E aqui mostra que o vírus está sendo ‘substituído’ pela guerra jurídica, com fins eleitorais. Já fez e continua fazendo parte do jogo. Esse filme já passou em meu cinema. Senão, vejamos. Os vazamentos que aconteceram, também tiveram cobertura da imprensa, qual o resultado?                         

Lula – Dilma – Temer - Renan - Moro - Bolsonaro

São comparações que devem ser feitas para que os leitores (as), que acompanham este espaço, possam formar opinião. O primeiro foi o juiz Moro, que apresentou uma gravação da presidente da República, convidando Lula para chefe da Casa Civil. Se diga de passagem, gravação sem autorização judicial, porque Dilma era a presidente da República. A segunda importante também, a gravação ilegal apresentada por um dos irmãos Batista, recebido sem agenda, pelo presidente Temer. A terceira reunião ‘urgente’ sem agenda, a chamado de Temer, então presidente da República, para evitar a retirada da cadeira de presidente do senado, Renan Calheiros. No mesmo dia, houve uma chegada, quase na mesma hora de Gilmar Mendes, José Sarney, Fernando Henrique, ao gabinete de Temer. Sem agenda marcada. Rapidamente, como em um passe de mágica, o pleno do Supremo se reuniu e desautorizou a determinação do ministro Marco Aurélio. Renan ficou de presidente do senado. Não esqueci do jornalista Glenn e suas denúncias, vazadas sem liberação da Justiça, contra o juiz Moro. O tema era a ‘combinação’ do juiz e os procuradores da força-tarefa que teriam agilizado a condenação de Lula. Sem entrar no mérito, mas a pergunta fica: Existe alguma diferença ou não?


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