Vírus é o culpado ou o mordomo da crise
Publicado em 30/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Os filmes de suspense, dirigidos por Alfred Hitchcock, ficaram marcado em gerações anteriores, das quais eu fiz e faço parte. Ao final, quase sempre o ‘mordomo’ era o culpado. Hoje, pelo visto, o culpado de tudo na crise mundial é o coronavírus. Então, para mim, que sou senil, o vírus é a atual versão do mordomo. Cada manchete que se lê, cada declaração de políticos em todos os níveis (presidente, governadores e prefeitos) com ampla repercussão nas redes sociais, tem como base o vírus. Poucos afirmam que foi movida pela política. Eu classifiquei como politicagem. É a busca do poder a qualquer preço. Ontem, li matéria em diversos jornais que comprovam tudo que já foi dito e redito. Leia: ‘Por causa da pandemia, PIB brasileiro encolhe 1,5% no primeiro trimestre”. Depois me taxam de ‘soldadinho do passo certo’. Ora bolas, eu apenas reflito os fatos. Quando começou o fechamento do mercado no Brasil? Foi a partir da segunda quinzena de março, certo? Primeiro trimestre, se não falha a memória (kkk) é formado pelos meses de janeiro, fevereiro e março. Porém, a inclusão de março no cálculo trimestral teve uma participação de apenas 15 dias. Conclusão lógica (para quem usa a lógica) é que o encolhimento da arrecadação já havia iniciado em janeiro. Isso ninguém pode contestar, ou até pode, aqui ninguém é dono da verdade. Conclusão, as decisões que foram tomadas no mês de março, já eram visando achar uma maneira de ‘justificar’ a baixa arrecadação. E aí, alguém poderá questionar: Fechando o comércio baixaria ainda mais? É verdade. Porém, sempre tem um porém, todos sabiam, porque já estavam recorrendo ao governo Central, que essa decisão agilizaria auxilio federal que salvaria, em parte, os municípios e estados. Já vinham administrando no  ‘vermelho’. O Rio Grande do Sul é um exemplo, porque faz mais de cinco anos que tem pago o funcionalismo em parcelas. É assim em muitos municípios do Estado e do Brasil. A decisão por fechamento do comércio, qualquer ignorante em economia sabia que a arrecadação do bolo nacional iria diminuir mais ainda.  No popular, “enquanto o pau sobe e desce, as costas folgam”. A causa, além de financeira, era política. A visibilidade é que o ‘debate’ dos contra e a favor ao fechamento, se tornou bandeira política (ou politicagem). Agora, estão entrando em águas mais calmas. Após aprovação do Congresso, o governo sancionou o auxílio aos estados e municípios, de R$ 60 bilhões. Em quatro parcelas de R$ 15 bilhões. Vai dar para equilibrar as finanças estaduais e municipais, para entrarem no período eleitoral, investindo em melhorias que atinjam grande parte da população, em suas respectivas regiões. Agora, tem um porém: Não podem contratar; não podem investir em algo que não esteja dentro das limitações previstas na lei sancionada. É um freio naqueles gastos tão comuns dos últimos meses de cada governo. O mais importante é o freio colocado pelo governo: só receberão em parcelas.  Creio que, primeiro terão que prestar contas da aplicação de cada parcela, para depois receber a seguinte. Pelo menos, é assim que funciona a liberação de recursos extras. É o caso das emendas parlamentares. Não atinge o direito constitucional de cada ente federativo, de receberem o Fundo de Participação (Estados e Municípios) que é um percentual da arrecadação do bolo nacional. Já está dando muita confusão, alguns recursos liberados pelo governo federal e que foram usados para pagamento de dívidas passadas e não no combate ao vírus. Até a polícia anda atrás. O Rio é um bom exemplo. Mas tem outros estados, já denunciados publicamente, que estão na ‘alça da mira’ da justiça. É esperar para ver. Certo?

Facchin passa a bola para o colegiado

O ministro da Justiça pediu e a PGR encaminhou pedido de suspensão do inquérito que investiga a disseminação de notícias falsas e que tem mirado apoiadores do governo. As apurações, autorizadas, pelo ministro Alexandre de Moraes, tem aumentado a tensão entre Executivo e Judiciário. O que não entendo por notícias falsas (fake news) são as declarações de Roberto Jefferson e um empresário forte, em apoio ao Bolsonaro. Eles botaram a cara para bater. Eles não se esconderam. Criticaram o STF. Ao que me consta, ninguém tem que ter redoma de vidro que o proteja das críticas. É a democracia. Agora, quem se esconde no anonimato para fazer suas críticas, não merece respeito. Incluir todos em um mesmo bolo é condenável. Venha de onde vier. O Supremo tem que se fazer respeitar. Facchin não quis ‘segurar o rojão’ sozinho. Quer que o plenário do STF se manifeste. Certo?


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