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Verdade ou mentira, eis a questão
Publicado em 29/07/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

A democracia é coisa linda. É o direito que todos temos de opinar. De transitar livremente. De ir e vir. E isso a gente começou a perceber quando a imprensa passou a ser “livre”. Ser livre não é dizer o que bem entender. Ser livre é divulgar notícias, ou denunciar qualquer irregularidade, dando o direito de resposta a quem se sinta “ofendido”. O direito do cidadão em saber do que acontece, também faz parte da democracia. Agora temos que ter cuidado aos exageros. Se o profissional de imprensa não estiver seguro em suas informações, não deve noticiar. A Lei que regula a imprensa é muito séria. E muitos profissionais já foram condenados por noticiar matérias sem comprovar se são verdadeiras. Atualmente as redes sociais, que não seguem nenhuma regulamentação, nem mesmo a Lei da imprensa cai sobre os ombros dos que escrevem, porque na maioria das vezes não se sabe nem quem são, tem protagonizado as tais notícias falsas. Pois bem, o tema do momento, de ampla divulgação na imprensa, nacional e internacional, são as conversas entre procuradores e juiz da lava – jato. O que está sendo debatido é a maneira como foi conseguida as informações para serem divulgadas. O que também pode ser considerado crime. A liberdade do sistema democrático termina quando “inicia o direito dos cidadãos”. Como se sabe a imprensa também não é obrigada a divulgar sua fonte.  Neste aspecto, creio, não estou abordando tema desconhecido da liberdade de imprensa e de direitos individuais. Até aqui parece claro. Então recorro ao passado para analisar o presente. Certo?

A POLÍTICA TERIA INFLUENCIADO OS JULGAMENTOS

Eis a questão. Desde o primeiro momento, quando foi denunciado o “mensalão”, que a briga política entre o bem e o mal, está presente em tudo o que é denunciado. Com um pequeno detalhe: Lá sobre o comando de Joaquim Barbosa, tudo foi comprovado com documentos fartos e prisões em flagrante, de quem recebeu a penas da Lei. Tinha como desconhecer o dinheiro escondido nas cuecas? Até teria se fosse comprovada a procedência da quantia “depositada” nas roupas íntimas do delinquente. Mas também se chocaria com a Lei que dinheiro não pode ser transportado sem a devida declaração de sua procedência. Foi bem ou mal havido? Ali ficou provado que era mal havido. Então, mesmo que a defesa das “mulas” insistissem na legalidade, seus argumentos foram frágeis e não reconhecidos pela Justiça. A maioria foi parar na cadeia. Tem como justificar o carregamento de R$ 500 mil, em sacos plásticos por um auxiliar chegado ao governo? Claro que não. Porém até agora o processo continua tramitando em diversos setores da Justiça. E os 51 milhões também depositados na parede de um apartamento pode ser considerado normal? Claro que não. Mas está parado e o que é pior não se ouve falar no assunto. Sigo.

ENTRAMOS NO TEMA DA POLÊMICA ATUAL

Desde o primeiro momento em que começaram a enquadrar o Lula, seus defensores e principalmente seu partido, iniciaram um processo de defesa baseado no fato político e não jurídico. Para eles a base seria não permitir que Lula fosse candidato a presidente. Outra guerra do bem e do mal. Criticaram fortemente o processo judicial “por não ter embasamento legal”. O Lula foi condenado e está preso. Durante o transcurso do julgamento, o Supremo resolve determinar que o condenado em segunda instância pode ser preso. Até os grandes juristas “bateram cabeça”. Uns contra e outros a favor. A Constituição determina prisão “após transito em julgado”. Não adiantou. E isso reforçou os protestos públicos em favor do Lula. Também não adiantou. Até aqui são os fatos. Não há por mim nenhum juízo de valor.

GLENN GREENWALD RESOLVE DIVULGAR CONVERSAS

O importante é que os grandes meios de comunicação, do Brasil e exterior, tem dado respaldo às matérias. Como eles têm que responder por divulgação de mentiras, acredita-se serem verdades as matérias. E isso ficou provado porque os denunciados, promotores e juiz, jamais contestaram. Eles criticam a maneira como foi conseguida que fere a legislação. Para complicar ainda mais, o Ministro da Justiça, Sergio Moro, aprovou portaria com novas regras para deportação de estrangeiros. Mas afirma que isso “nada tem a ver com a possível deportação do jornalista Glenn, responsável pelas denúncias até aqui realizadas. No sábado, o presidente Jair Bolsonaro afirma que o jornalista não será  deportado. Ao mesmo tempo, opina: “Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez ele pegue uma cana aqui no Brasil. Não vai pegar lá fora, não”. A resposta do jornalista foi imediata. "Comentários de Bolsonaro são perturbados. Para prender alguém tem que apresentar provas para um tribunal que ele cometeu um crime. Essa evidência não existe”. Qual a causa que o Moro e os procuradores da Lava-jato não tentam desmentir as denúncias? Eles condenam a maneira como elas foram conseguidas. O que também tem fundamento. Ou não?         


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