Uma casa se constrói pelo alicerce
Publicado em 29/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Não me veio outra coisa à mente, para analisar o debate político de hoje, do que fazer uma comparação com a construção de uma casa. No caso atual, é para analisar ‘uma causa’. Campanha política antecipada. Se diga de passagem, a mais violenta de todos os tempos. Violenta e politiqueira. Por que politiqueira? Muito simples, estão usando a ‘ingenuidade’ da maioria do povo, como ‘massa de manobra’. A guerra entre os poderes para ver quem manda mais, é antiga. Mas camuflada em quatro paredes. Aqui e ali, uma estocada, uma pimenta nos olhos dos outros (ai vira colírio). Porém, agora, a guerra é aberta. Cada declaração, ou cada decisão governamental, vai parar na Justiça. E o que é mais importante, as decisões são individuais de cada membro do Judiciário. Outro detalhe é que passa a vigorar, até que seja (quando é) analisada pelo colegiado. Ou pelo plenário no caso do Congresso. Decisão de um membro do Judiciário suspende indicação de membros do poder Executivo. Embora a Constituição determine a independência dos poderes. Tudo isso começou a se manifestar quando apareceu o coronavírus. E uma coisa importante, a OMS nunca foi tão usada como exemplo. Já tivemos muitos vírus esparramados pelo mundo. Nenhum, ao que se saiba, teve reações diferentes dos poderes públicos como agora. E dá para localizarmos que: os apoiadores do governo e os governadores dos estados, cujos partidos que apoiaram o governo Bolsonaro, ‘viraram o casaca’ e se tornaram “adversários’. Politicamente, trocar de partido, ou sair da base de qualquer governo, é prática normal na política brasileira. Mas essa tem endereço certo: A próxima eleição. Para mim, é a mais importante porque forma base de apoiadores de um lado ou outro na eleição de 2022. No caso atual, o ‘alicerce’ (comparado à construção civil), foi o coronavírus. Que se diga de passagem, está chegado (em alguns estados já chegou) ao seu topo. Porém e sempre tem um porém, decisão de entes federativos suspendendo a atividade de mercado, causou uma diminuição na arrecadação. No bolo nacional. Mas também aos estados e municípios. A tal ponto que o governo federal sancionou a liberação de R$ 60 bilhões, projeto de sua autoria e aprovado com emendas pelo Congresso. Mas, para liberar tem que voltar a atividade comercial em todos os estados e municípios. Já vinha acontecendo e agora acelerou. Senão, não recebe ajuda. Usarem a saúde, ou vírus, como pauta de campanha eleitoral é o fim da picada. Tem que servir para reflexão do povo brasileiro e punir aqueles que propiciaram mais de um milhão de desempregados no Brasil. Entre as quais, seus estados e suas cidades. O Judiciário tem que criar regras para que os assuntos polêmicos sejam examinados pelo pleno e não individualmente. Inclusive a liberdade de imprensa. Li a coluna de ontem, Começo de Conversa, no jornal do comércio, assinada há muitos anos pelo jornalista Fernando Albrecht, que explica bem o que está acontecendo. Leia: “Em tempos idos, quem censurava a liberdade de opinião era os governos militares com seus atos institucionais. Hoje, não é mais o Executivo. Quem cerceia é o Judiciário”. Concordam?

Fachin é escolhido relator de habeas corpus

Fachin foi escolhido para relatar o pedido do ministro da Justiça, André Mendonça, para que seja retirado do inquérito o ministro da Educação. O caso são os ataques e fake news contra o Supremo. Inclusive que o nome do ministro da Educação seja retirado de prestar depoimento por ter feito críticas à Suprema Corte. E aqui vem o detalhe: “Na quarta-feira (27), a Polícia Federal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, cumpriu 39 mandados de busca e apreensão contra blogueiros e empresários”. Ora bolas, mandar prender blogueiros e empresários, estes últimos identificados, por ter criticado membros do Supremo, é o cúmulo. Este foi o motivo para ‘colar’ a matéria do jornal do Comércio. A censura, neste momento, é exercida pelo judiciário. Pelo que se sabe, alguns órgãos de imprensa não irão dar mais cobertura no Palácio do Planalto porque ‘os defensores do Bolsonaro os agridem’. Isso a gente vê todos os dias nas manifestações brasileiras. Até um jornalista da Rede Bandeirantes foi morto em uma manifestação que ele dava cobertura. Basta a Abert fazer uma solicitação à Justiça para que obrigasse a colocação de seguranças para garantir o trabalho da imprensa. Ai não teria grande repercussão. Agora, sair da luta diária em busca de informações, deu mais amplitude ao protesto. No fundo, é a guerra entre governo e mídia. Certo?


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