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Um olho no vírus e outro nas eleições
Publicado em 24/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Os políticos não conseguem separar a saúde pública, que está passando por momentos difíceis, das eleições e propõem debate sobre o tema. E aqui há os dois lados da moeda. O oportunismo que provoca uma crise como a atual e a possibilidade de criação de novos partidos. O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, lança no mercado uma proposta de ‘adiamento das eleições de outubro’. É claro que não podemos separar uma coisa que vem sendo debatida há muito tempo, a derrubada da reeleição, que traria uma economia grande para o país, cujo processo vem sendo empurrado com a barriga pelo Congresso. Fica a pergunta:  Esse seria o momento? Desde que foi a provada a reeleição, há quem defenda não só um mandato maior, como eleição única para todos os cargos eletivos brasileiros. Para isso, bastaria agregar na urna, prefeito e vereadores. A reeleição criou raízes maléficas. Cada governo eleito aproveita seus anos de mandato, para aparelhar as instituições. A corrupção, em parte, vem daí. Essa é uma herança maldita deixada por Fernando Henrique, que abaixo de benesses ao congresso da época, conseguiu seu intento: foi reeleito. Ou seja, mudou as regras do jogo com a partida andando. A oposição, na época, esbravejou a mais não poder, mas com era minoria não conseguiu bloquear a aprovação. Mas gostou quando assumiu o governo e nada fez para voltar ao que era antes. E aqui está a prova maior, Lula foi reeleito e reelegeu a Dilma. Agora, aproveitando o momento de ‘pânico’ que vive o brasileiro, propõe o adiamento da eleição de outubro. Como sempre, ‘por baixo do arroz tem linguiça’. Como o ministro da Saúde faz parte do governo Bolsonaro, ele ‘atira a isca’ para ver se pega peixe graúdo. E isso vai ser o próximo debate que pode mudar o foco do coronavírus e diminuir a tensão do povo brasileiro. Entendam a jogada?


O partido do presidente está patinando 
Outro dia, foi manchete nacional as dificuldades encontradas para a criação do novo partido criado pelo Bolsonaro. Primeiro, até pouco tempo, não havia conseguido as assinaturas necessárias para sua criação; segundo, a burocracia brasileira também tem ajudado; terceiro, “o novo partido pode não participar da próxima eleição para prefeitos e vereadores”. Isso já aconteceu com a Marina Silva, lembram? Empurrando a eleição para mais adiante, teria a possibilidade da aprovação da nova sigla partidária. No caso, formaria base para a reeleição. Isso começou a gerar discussão entre políticos e autoridades. Uns querem que a eleição seja ‘tocada’ para frente, outros discordam. Um que se manifestou foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Mandetta jogou bola nas costas do Congresso, normal em política: “Faço aqui até uma sugestão. Está na hora de o Congresso falar: 'adia'. Eleição no meio do ano, uma tragédia, pois todo mundo vai querer fazer ação política”. Após a manifestação de Mandetta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, que será o próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também se manifestou sobre o tema. “Uma decisão desse tipo cabe mesmo ao Congresso Nacional, devendo ser feita por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). "Não cabe a mim, como futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, cogitar nada diferente nesse momento". Outra cobra criada. A primeira voz do congresso a se manifestar sobre o assunto foi Rodrigo Maia, ao Estadão: "É hora de focar no enfrentamento da crise; vamos cuidar do combate ao vírus".  Curto e grosso. Para quem defende, como eu, eleição para todos os níveis  com duração de cinco anos, a posição do ministro tem o viés de “politicagem”. Aproveitar de um momento tão triste da população mundial, para querer justificar uma mudança eleitoral baseado no coronavírus, é de doer. Agora, tem o lado positivo, que a ideia frutifique tão logo passarmos pelo momento atual. Podemos discutir para ficar marcado no eleitorado. Agora que o Congresso dificilmente morderá essa isca, é ‘pule de devolução’ como diriam os adeptos do turfe. Se até aqui nada fizeram, não será em ano eleitoral que farão. Ainda mais tendo a possibilidade da ausência do novo partido de Bolsonaro na eleição de outubro. Concordam ou não?


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