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Tudo depende do lado que o vento sopra
Publicado em 17/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Um pouco da história política recente foi levantada pelo Jornal do Brasil, na edição de ontem. E a bola da vez é o juiz federal Flávio Nicolau, que determinou a quebra de sigilo do senador Flávio Bolsonaro. A “dita” esquerda está radiante, porque atinge diretamente o presidente da República. Pelo menos, é essa a conclusão que se pode tirar, pelas manifestações de apoio à decisão judicial. Vamos aos fatos. Nas manifestações de junho de 2013 muitos, considerados “ativistas”, foram acusados de associação criminosa e corrupção de menores. Os atritos começaram antes das manifestações quando o juiz determinou a prisão preventiva de 23 membros do grupo, entre os quais a famosa “Sininho” (Elisa Quadros). Posteriormente, soube-se que ela não tinha emprego (nem família rica) e sua vida era de classe média. Em dezembro de 2014, três ativistas – Caio Silva, Flávio Raposo e Igor Mendes da Silva - foram a julgamento e levantaram as algemas gritando: “Não passarão”. Ora, dentro do tribunal, é claro que isso não é permitido. O juiz Nicolau imediatamente interrompeu a manifestação com a advertência: “Vocês não estão na rua. Quem manda aqui sou eu”. O magistrado passou a ser o alvo de partidos da dita esquerda. Os deputados federais Jandira Feghali (PCdo B), Ivan Valente, Jean Wyllys e Chico Alencar (todos do PSOL) fizeram reclamação formal ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em razão da determinação daquelas prisões preventivas. À época, para aqueles parlamentares, o magistrado abusou de seu poder para "reprimir delitos imaginários forjados pelos aparatos da repressão governamental". A resposta incisiva do juiz: "O objetivo claro dessa ação é me intimidar. Aliás, está para nascer homem que irá me intimidar". O caso acabou arquivado no CNJ. Pois bem, quase cinco anos após, o mesmo magistrado determina a quebra de sigilo do filho do presidente da República. O magistrado é considerado pelos seus pares
“fechado e direto” nos corredores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. E, agora, vejam os leitores, “se torna a esperança da dita esquerda para abalar a família Bolsonaro. A reprodução dos fatos propiciou o título acima: “tudo depende do lado que o vento sopra”. Se as decisões lhes favorecessem aplaudem. Se favorece o adversário, apupam. Poucos dão ênfase para a decisão propriamente dita, em que o magistrado não olhou para quem teria cometido o delito. Simplesmente se baseou nos fatos. Concordam ou não?

Protestos não tiveram adesão esperada
Tudo que é decisão governamental está sujeita a protestos. E isso é natural, faz parte da democracia. O que propiciou a chamada às ruas foi o anúncio de corte nas verbas para a Educação. Para alguns algo em 30%, para outros não chega a 7%. Independente de quanto será o corte, não senta bem na população uma das três prioridades dela ser atingida: Saúde, Educação e Segurança, principalmente em um país, como o Brasil, cujos poderes “jogam pela janela dinheiro público”. Agora que os “protestantes” não se uniram, lá isso é verdade. Marcaram para o mesmo momento, outros tipos de atividade e evitaram que o número de participantes fosse maior. É a prática política, dividir para enfraquecer o movimento. De qualquer maneira, o protesto atingiu todos os estados em que o “ensino é público e financiado pelo governo”. No meio de tudo, como também é natural, a grita atingiu a reforma da Previdência. O presidente Bolsonaro, logo que chegou aos Estados Unidos, em sua entrevista à imprensa, se manifestou sobre os protestos: "É natural, mas a maioria (dos manifestantes) é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabem, não sabem nada. São uns idiotas inúteis sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil". É claro que ninguém é ingênuo e não se da conta que os protestos têm sempre cunho político. E a prova está que nunca vi, creio que nunca vou ver, protestos contra os orçamentos dos poderes. É um vexame público os gastos estapafúrdios dos três poderes da República. Eles não são embasados na arrecadação. São cumpridos pelos orçamentos aprovados. Mesmo que a arrecadação não seja concretizada, o deles está garantido. Quando será que teremos reação da população contra os gastos do Executivo, Legislativo e Judiciário? Cortar gastos só de um lado, não vai equilibrar as finanças do país. Teria que ser linear. Concordam?

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