Terminou a eleição
Publicado em 30/10/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Mas não se enganem, começou outra. A que acabou domingo deu início à próxima. Assim caminha a humanidade. Faz parte do jogo em democracia. O julgamento do mensalão foi concluído sem se saber quantos irão para a cadeia. Um já está execrado publicamente e com o tempo de pena determinado: Marcos Valério. É o caso de se afirmar: Julgaram na íntegra o mordomo. E os outros?
Tenho declarado que o simples fato de terem sido condenados, já os afasta da vida pública por no mínimo oito anos. Não podem concorrer nem assumir cargo público. Como sei que, nós, povo, esquecemos fácil, retirar dos corruptos a possibilidade de concorrer, evita o risco de os elegermos. É claro que as “vítimas” sempre têm nossa simpatia na hora do voto.
Desconhecido para mim, um senhor de nome Carlos Brickmann, fez o seguinte comentário que “colei” da internet: “Na última sexta-feira, 19 de outubro de 2012, um torcedor inglês invadiu o campo e deu um soco no goleiro do time adversário. Foi flagrado pelas câmeras de segurança, identificado, preso em flagrante e julgado. Na segunda-feira, 22 de outubro de 2012, foi condenado a quatro meses de prisão, em regime fechado. Como pena adicional, o tribunal o proibiu de entrar em estádios por cinco anos. Corta para o Brasil.
O processo do Mensalão levou sete anos para ser julgado. Realizaram-se até agora, 40 sessões do Supremo Tribunal Federal, com direito a arrazoados cuja leitura chegou a levar mais de um dia. Houve réus condenados; mas ainda não se sabe a quais penas.
Sem dúvida são casos diferentes: o Mensalão envolvia 38 réus, discussões doutrinárias, debate de questões jurídicas. Não se poderia esperar que o Mensalão fosse julgado em poucos dias. Mas também não foi bom esperar que o julgamento levasse tantos anos.
Vejamos o próprio efeito da sentença: na Inglaterra, torcedores violentos sabem que serão punidos exemplar e rapidamente. No Brasil, há quem tenha a audácia de ameaçar recorrer a cortes internacionais, como se essas cortes tivessem jurisdição sobre crimes de roubalheira em nosso território.
Conta-se que, nos velhos tempos, um condenado à morte conseguiu adiar a execução por cinco anos, prometendo, em troca do perdão, ensinar o cavalo do rei a falar. Disse aos amigos, que o consideraram maluco: em cinco anos, morre o rei, morre o cavalo ou morro eu. Justiça lenta é assim. O direito de espernear é sagrado. Mas, como todo direito, tem limites. Acusar o Supremo Tribunal Federal de sentenciar com objetivos políticos sem dúvida extrapola esses limites.
Dos dez ministros do Supremo, só um, Gilmar Mendes, não foi nomeado por presidentes que integram a base de apoio ao Governo petista: foi escolhido por Fernando Henrique. O ministro Celso de Mello foi escolhido por José Sarney; o ministro Marco Aurélio, por Fernando Collor ─ ambos, Sarney e Collor, esteios da bancada governista no Senado. Os outros sete foram nomeados pelo presidente Lula e pela presidenta Dilma.
Cadê o tal golpe?

Voltei
Não tenho dúvida que o julgamento do mensalão, aliado a última eleição, fizeram com que desaparecesse da mídia a CPI do Cachoeira. Inclusive foi prorrogado seu prazo de conclusão. Mas que conclusão chegarão os senhores do Congresso se o principal elo da “corrupção”, a Construtora Delta, não será incluída nas investigações? A propósito ela continua conseguindo firmar adendos de contratos cujo andamento da obra está em fase final. É claro que o julgamento do mensalão assustou os “corruptos” soltos a ter mais comedimento na hora de “meter a mão no dinheiro público”.
É o caso acima do exemplo dado pela Justiça, julgando o torcedor faltoso e o proibindo de assistir jogos por cinco anos. Os demais “torcedores fanáticos e ou loucos” vão pensar antes de cometer atos que possam tira-los dos estádios de futebol. Aqui também, os corruptos “enrustidos”, irão pensar duas vezes antes de “meter a mão na burra pública”. O que já é alguma coisa.
Anos atrás foi criado um slogan que explica muita coisa acontecida: “O Brasil cresce à noite enquanto os políticos sujos dormem”.
Concordam ou não?

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