Semana ótima para a democracia
Publicado em 28/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Não é que eu queira me transformar em incendiário. No decorrer da leitura você vai formar opinião, contra ou a favor, do meu ponto de vista. Para quem é mais antigo, dos tempos do cine Glória, se lembra dos filmes de faroeste. A bandidagem levava vantagem no início do filme, até que chegava o ‘mocinho’ e terminava com os bandidos. Nossa política está vivendo um clima de faroeste. Ainda não deu para se saber quem é o 'bandido e quem é o mocinho’. Mal ou bem, as investigações estão sendo determinadas pelo Judiciário ou pelas instituições do governo. Como diria um comentarista que frequenta a universidade da Sete: ‘briga de cachorro grande agente fica só assistindo’. Eu completaria, quase nunca dá empate. Estamos na fase de investigação. Todas as denúncias ou suspeitas de procedimentos ilegais estão na mira da Polícia Federal. É claro que cada lado se defende como pode. Uns criticando as ações policiais, como ‘cobra mandada’ de algum adversário. Ou seja, política de opositores. Outros ficam parcialmente quietos e esperam o momento de reagir. Então, vivemos dois momentos.

Ministro Morais manda investigar fake news

As redes sociais se tornaram ‘bandeira’ partidária. E ali não há limite entre crítica e ofensa. Muitas vezes, nem se sabe quem escreveu. Diferente dos órgãos de imprensa, que tem CNPJ, editores profissionais e gabaritados, que noticiam ou opinam, sem ofensas. Mas também não deixam de criticar ou elogiar, aquilo que em sua maneira de pensar, está certo ou errado. Além do mais, tem uma lei que os regula. Quem ultrapassar seu limite, desrespeitando a lei, pode ser condenado. Já tivemos muitos comunicadores que pagaram por seus atos ‘ilegais’. Já as redes sociais, não tem nenhuma lei que as regule. Em primeiro lugar, muitos são desconhecidos, ou usam pseudônimos. Bastaria, penso que a Lei de Imprensa fosse aplicada a estes usuários das redes sociais. Diminuiria muito ‘o barbarismo’. Na maioria das vezes, são partidários dos que estão no governo e de outro  lado, seus adversários políticos. Pois bem, agora está sendo investigado e já tem uma CPI em andamento. Tem gente contra, outros a favor. O que faz parte da democracia.

A alça de mira de Moraes acerta dois alvos

Outro inquérito investiga a ‘suposta’ interferência na Polícia Federal, do presidente da República. Denúncia do Moro. Aqui, eu faço uma pergunta apenas: Nomeação de cargos de confiança não são atribuições do presidente da República? A Constituição diz que sim. Onde está a ilegalidade? Pode nomear, demitir, suspender, trocar de cargo, porque ele é que foi eleito. Até aí não vejo crime nenhum. É assim nos estados e municípios. Agora, com respeito às ofensas cometidas pelo ministro da Educação, isso, sim, é passível de processo. Ninguém, mas ninguém mesmo, que ocupe qualquer cargo público, ou até o cidadão comum, tem direito de ofender quem quer que seja. Também está escrito nas leis. Crítica é uma coisa, ofensa é outra bem diferente. Então, aqui, sim, é passível de processo rigoroso. Agora, não posso esquecer que o precedente foi aberto (grande coisa!) e qualquer reunião ministerial está sujeita à ‘determinação da Justiça’ para que ela se torne pública. Para mim, pelo menos, é um precedente perigoso porque nunca aconteceu algo semelhante no Brasil. A afirmação de Abraham Weintraub, atingiu o Supremo ao afirmar: “Por mim, botava estes vagabundos na cadeia, começando pelo STF”. Se os ministros andassem pelas ruas de uma cidade ouviria a mesma afirmação de 50% da população. Mas em reunião ministerial, autorizada a ser tornada pública por solicitação de Moro, enquanto ministro. Isso, sim, é passível de punição. Algumas conclusões de um velho radialista que acha que já viu de tudo na política brasileira. Falta muito! Ou não? 

A imprensa tem opiniões diferentes

E isso é bom. Temos que mostrar as verdades. Darmos espaço a todos os segmentos que ‘opina sem ofensas’. Cada acontecimento, mesmo que demonstre o revanchismo político, tem que ser levado a público. O título que encabeça a coluna de hoje pode deixar margem para a dúvida: “Semana ótima para a democracia”. Sabem por quê? Dá para comparar e tomar partido de um lado ou outro. O que não pode é ter opiniões distintas para casos semelhantes. Aí a coerência vai por água abaixo. Alguém há de perguntar: O que é coerência?


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