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Quem pintou a zebra quer o resto da tinta
Publicado em 02/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

É tanta coisa que está acontecendo no Brasil, na era Bolsonaro, que dificulta análise mais profunda, mesmo para quem se identifica como “formado na universidade da Sete”. São muitos jornalistas, políticos e juízes que pensam diferente sobre os mesmos fatos. E aí tem a velha história: as Leis brasileiras “têm muitas vírgulas que podem ser interpretadas diferentemente". Como me baseio sempre em fatos, me atrevo, outra vez, a tomar por base a lógica. Para mim ela deve estar inserida em qualquer decisão. Vamos então tentar transmitir aos leitores a leitura que faço dos últimos acontecimentos. Pela primeira vez o presidente Bolsonaro pisou em terreno minado. Não que outras declarações fossem menos impactantes. Mas essa feriu princípios humanos, o que está abalando sua autoridade. A reação veio imediatamente. Ele atribuiu a morte do pai do presidente da OAB como uma “queima de arquivo” de seus próprios companheiros. A colunista Denise Rotheburg (CB) abre sua matéria com a manchete: “Declaração contra presidente da OAB deixa Bolsonaro entre a Cruz e a Caldeirinha” ( para nós a cruz e a espada). Ele terá que escolher o caminho menos pior, caso ação, impetrada pela OAB, seja aceita pelo relator escolhido, ministro Luís Roberto Barroso, que, como se sabe, é comprometido com causas ligadas aos direitos humanos. Ele terá que explicar como recebeu informações sobre a morte de Fernando. A conclusão de alguns juristas, registrada pela colunista, é a seguinte: “Das duas, uma. Ou Bolsonaro terá de dizer como coletou dados sobre a morte e os autores do assassinato ou vai admitir que tudo não passou de conversa fiada”. No primeiro caso  cairá sobre seus ombros a causa pela qual omitiu até agora, um fato considerado importante para os juristas. A tal ponto chegou que o CB Poder e a TV Brasília entrevistaram o ex- ministro do STJ, Gilson Dipp, que foi Corregedor Nacional de Justiça e Coordenador Nacional da verdade. Portanto compôs uma comissão que se aprofundou nos crimes que teriam cometido agentes públicos durante a Ditadura.  A manchete da entrevista é forte. Leia:


HÁ MOTIVOS PARA IMPEACHMENT, NÃO HÁ CLIMA
Compilei parte da entrevista, por ser muito extensa, e centralizei suas respostas em duas perguntas que considerei o resumo da história dos acontecimentos atuais. Pergunta: “Como o senhor avalia as declarações do presidente Jair Bolsonaro, principalmente sobre o período da Ditadura Militar e se isso seria uma janela para o impedimento dele? Resposta:“É extremamente lamentável que um presidente da República declare e propague tantas inverdades, tantas maledicências e, de modo tão cruel com relação a vítimas do período militar, em especial, àqueles familiares que ainda buscam por algum tipo de afago e lembrança em relação aos corpos que até hoje não foram encontrados. É o caso do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, filho de Fernando, que foi atacado de maneira sórdida pelo presidente quando o assunto que ele tratava na reportagem não dizia respeito a questão de mortos e desaparecidos, e ele cria um ambiente hostil, inclusive, desmentindo documentos oficiais que foram elaborados pelo próprio Estado brasileiro. Ataca a Comissão Nacional da Verdade dizendo que ela é uma balela, quando a comissão trabalhou dois anos e meio em cima de documentos, de depoimentos, que foram obtidos de maneira difícil, especialmente aqueles que deveriam ter sido oferecidos pelas Forças Armadas e não foram. E muitos daqueles documentos foram obtidos por órgãos não governamentais dos Estados Unidos. Isso é de uma crueldade extrema, de uma inverdade e de uma falta absoluta de conhecimento sobre o que ocorreu naquele período. Quando o presidente da República fala, em especial, sobre as questões do regime militar, ele se esquece que está falando também, por dispositivo constitucional, como o comandante e chefe das Forças Armadas. Assim, cada vez mais, há essa divisão da sociedade brasileira, as pessoas se odeiam entre si por questões menores, algo nunca visto. O presidente da República, pelo que tem dito e feito até agora, evidentemente para mim e para muitos, já estaria em curso em pelo menos um artigo que diz respeito a crime de responsabilidade: uma lei de 1950, que propiciou o impeachment de Dilma e Collor. Por declarações, atos e atitudes que ferem a honra, a dignidade e o decoro do cargo, há sim motivos para impeachment. Só não há clima”. Esse é o resumo da entrevista cuja resposta “colei” e reproduzo entre aspas, que poderá ser acessada no CB de ontem, 01/08/2019.


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