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Quando o jogo é duro os atletas apelam
Publicado em 20/11/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

A linguagem do futebol outra vez pode ser lembrada para análise dos fatos políticos. O que tem acontecido no Brasil em busca de poder não é fácil de analisar. É um jogo duríssimo. Cada um quer mandar mais que o outro. Isso vem desde a volta à democracia. Aqueles políticos que durante o regime militar estiveram ao lado do governo na volta para a democracia perderam parte do poder. Mesmo assim alguns ainda conseguiram motivar o eleitorado e ainda estão em evidência. Na troca de ditadura para a democracia, período negociado entre as partes, os governos que se estabeleceram, através do voto, trataram de aparelhar o quanto possível, nossas instituições. Entre elas, as cortes superioras da Justiça. Basta para tal, analisarmos os componentes do Supremo. Cada governo, que passou pelo Palácio do Planalto, tratou de colocar em postos chave, membros simpáticos ao partido. Muitos até, aconselhado ou não, deixaram de ser filiados a uma sigla partidária. Então, os governos, e aqui não há exceção, passaram a aparelhar as instituições. E isso a gente nota em cada decisão. Senão, vejamos: apenas usando como exemplo decisão do STF. Quando a alta Corte esteve certa? Quando aprovou a prisão em segunda instância, ou agora que revogou? Eis a questão. Eu diria que nossa democracia começou a ganhar mais corpo quando as denúncias começaram a proliferar. Agora, o ‘divisor de águas’, sem dúvidas, foram as denúncias do jornalista americano Glenn. Embora conseguidas ilegalmente, estão surtindo efeitos no dia a dia. E aqui cabe algumas perguntas, para que o eleitor analise. Toffolli teria suspendido as investigações caso Glenn não tivesse mostrado que a força-tarefa da Lava Jato o estava investigando, também clandestinamente? As combinações, entre os procuradores e o então juiz Moro, denunciadas com amplos detalhes pelo jornalista, não estão causando os efeitos? Não existe certa combinação entre as instituições, para evitar que políticos ‘famosos’ e grandes empresários, fiquem  fora das suspeitas?  Este é mais um tema que está na pauta do Supremo para ser analisado a partir de hoje. A bola da vez é a seguinte: Necessita o Ministério Público de autorização judicial para ter acesso à vida das pessoas? E aqui temos muita gente importante que está ‘tremendo’ nos calcanhares. Basta ver a manifestação popular contra a decisão de Toffoli, que determinou ao antigo Coaf, a relação de 600 mil contribuintes que estão na mira da Justiça. A manifestação pública do último final de semana mostra como sempre mostrou que tem gente importante comandando e financiando os movimentos. Não tem nenhum segredo porque é uma prática que vem acontecendo há muito tempo. Os movimentos antagônicos, contra e a favor do impeachment de Dilma, mostram que sempre tem por trás gente importante. Financiadores. Qual o objetivo? Pressionar as instituições para que as decisões sempre os favoreçam. Vale para políticos, Judiciário ou setores empresarias. Tudo isso veio à tona quando o ministro, presidente do Supremo, voltou atrás da própria decisão, ao solicitar informações sobre movimentações financeiras de 600 mil contribuintes. Bateu o sininho da desconfiança. Tanto é verdade que o procurador-geral da República solicitou ao presidente do Supremo, Dias Toffoli, a suspensão do pedido. Foi negado. Porém, e sempre tem um porém, Toffoli acabou se reunindo com o procurador e outras personalidades das instituições e acabou voltando atrás, com a seguinte justificativa: "Diante das informações satisfatoriamente prestadas em atendimento ao pedido dessa corte, em 15/11/19, torno sem efeito a decisão na parte em que foram solicitadas, em 25/10/19, cópia dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), expedidos nos últimos três anos”. É claro que, foi decisão ‘negociada’, entre as partes. Ninguém quer ver seus nomes na rua. É aquele velho ditado ‘quem tem cola não senta’. Como se sabe, a corrupção tem muita gente envolvida. Políticos, juristas, empresários. Abrindo os relatórios produzidos pelas instituições, ficam todos expostos. Inclusive membros do Judiciário. Hoje, estará na pauta do plenário do Supremo. E o tema é simples: Precisa ou não, autorização judicial, para acesso a dados sigilosos dos contribuintes brasileiros? Qualquer decisão tomada pela Corte terá reflexos. Como todos ali são ‘cobras criadas’, é claro, que o meio termo será o caminho a ser seguido. Ou não?


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