Procuradores pedem demissão de secretário
Publicado em 09/07/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Outro ditado popular que serve como luva no momento político brasileiro: ‘escreveu não leu, o pau comeu’. Outra vez, dois temas aparentemente sem importância, servem de base para reflexão. O primeiro deles é a solicitação dos procuradores que pedem a Augusto Aras (PGR), a demissão de seu secretário-geral, Eitel Santiago, que teria afirmado que a eleição de Bolsonaro foi ‘obra divina’. É claro que isso torna o secretário vulnerável, porque não coaduna com a função que exerce. Agora, não vejo motivo para que o pedido seja aceito pelo Aras. Todo o cargo público Federal, cuja competência de nomeação é do presidente da República, ele fica comprometido em defender o governo que o colocou no cargo. Isso é um tema que venho abordando há muito tempo. A nomeação de ministros dos Tribunais Superiores e do procurador-geral da República deveria ser escolha das respectivas classe sem necessidade de aprovação do Congresso. Penso que fica certo comprometimento com quem o escolheu. E isso temos constatado em algumas decisões jurídicas. Mas este não foi o motivo do pedido de afastamento do secretário. O mesmo secretário também afirmou que “forças-tarefas atuam, às vezes, de forma ilegal”. Pronto, bastou isso para que integrantes do conselho Superior do Ministério Público Federal interpretaram como ofensiva à classe de procuradores. Não seria mais aconselhável um pedido de esclarecimento e que o secretário informasse ‘em que processo houve atuação ilegal’? Quem falta com a verdade deveria ser passível de punição. Ao mesmo tempo, o próprio conselho deveria instaurar uma averiguação administrativa para comprovar, ou não, a declaração do secretário. Da maneira como aconteceu o pedido de exoneração do secretário, deixa margem para dúvida. Ninguém pode ser considerado ‘acima da lei’. Também foi além, o secretário da PGR, em entrevista a CNN Brasil: “Prisões foram usadas pela Lava Jato para forçar colaborações premiadas  e ‘como instrumento de tortura’ de investigados”. A informação sobre o pedido de demissão foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, e confirmada pelo Correio Brasiliense, junto a fontes na Procuradoria-Geral da República. Segundo a matéria, Eitel é secretário de confiança de Augusto Aras. No entanto, passou um período aposentado e se envolveu em atividades político-partidárias chegando a se filiar ao PSL, partido que elegeu o presidente Jair Bolsonaro. Mais um capítulo da novela ‘disputa de beleza’. No que vai dar, só o tempo dirá. Concordam ou não?
As informações podem se cruzarem
Assim como a evolução tecnológica pode cruzar informações sobre os cidadãos e detectar possíveis falcatruas, a imprensa também pode, mediante declarações de autoridades, comparar os fatos. Ontem, estava previsto que Eduardo Moro e Manuela d’Ávila seriam ouvidos pela Justiça Federal, décima Vara, de Brasília. É claro que não se sabe o que aconteceu. Primeiro, porque conclui a coluna antes de saber, sequer, se aconteceu o que estava programado. Mas o tema foi divulgado pela imprensa. O inquérito apura ‘ação de hackers na obtenção de conversas de procuradores da força-tarefa da Lava-Jato’. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou sete pessoas, incluindo o jornalista Glenn Greenwald, site The Intercept Brasil, que não havia sido indiciado pela Polícia Federal. O MPF alegou que, conforme provas coletadas na investigação, ele teria auxiliado, incentivado e orientado o grupo durante as invasões. A denúncia contra o jornalista, no entanto, não foi acatada pela Justiça Federal. A investigação continuou e as gravações divulgadas por Glenn, embora sem autorização da Justiça, estão surtindo efeito. Segundo a matéria que li, “a investigação relativa aos hackers teve início após uma série de reportagens realizada pelo site The Intercept Brasil. Ela revelou trocas de mensagens entre procuradores da Lava Jato, incluindo o coordenador da força-tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol, mostrando ainda uma relação entre os servidores e o ex-juiz Sérgio Moro”. Pois bem, o processo está andando e as parte estão sendo ouvidas. Porém, no que concerne a membros da Suprema Corte, já surtiu seus efeitos. O plenário do STF revogou sua própria decisão de prisão em segunda instância. Isso, por si, colocou dúvida sobre a ‘lisura’ da Justiça do Paraná. Tanto é verdade que Lula foi solto. Portanto, a decisão do Supremo, foi baseada nas denúncias de Glenn. Concordam?


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