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POLÍTICOS SE GUIAM PELA PRESSÃO POPULAR
Publicado em 23/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Não se tem ideia do poder que a pressão popular exerce sobre os políticos, Inclusive, temos constatado nos diversos movimentos realizados no Brasil. A guerra maior aconteceu quando se digladiaram os prós e contra a cassação de Dilma. Comprovadamente financiada por quem tinha interesse político. Por um lado, a poderosa Federação das Indústrias de São Paulo e por outro a CUT. Pois bem, ela foi cassada. Hoje, continua a votação para julgamento da “prisão em segunda instância”. Tema polêmico que ganha amplitude quando a pressão popular começa a ser noticiada. Até que ponto a pressão pode influenciar no julgamento, só saberemos após a votação, se acontecer hoje, é claro.  Os membros do STF estão sendo pressionados e até ameaçados, caso a decisão modifique o que foi decidido anteriormente. Sentindo a tendência dos ministros, o povo está de prontidão. Segundo a matéria, a intimidação mais agressiva vem dos caminhoneiros/ Bolsonaristas que gravaram vídeos ameaçando novas paralisações caso o ex-presidente Lula saia da cadeia. A ofensiva também chegou aos gabinetes dos ministros, que não param de receber mensagens e ligações para impedir a revisão da atual jurisprudência. Se as mensagens são verdadeiras deveriam ser averiguadas pelos órgãos de segurança. Movimentos deste tipo sempre têm alguém “por traz”. E aqui são interesses políticos partidários, ou interesses de membros do próprio Judiciário que estão envolvidos em denúncias por “combinação de sentenças”. E aqui recorro a história, contada pelos mais velhos, que ao ser deflagrada a segunda guerra mundial, o Brasil teria decidido não participar. De repente e não mais que de repente, apareceu nas águas brasileiras uma embarcação com bandeira Alemã, do governo Nazista que estava sendo combatido pelos países democráticos. Aquilo foi a advertência de ‘perigo’ de invasão de Hitler ao Brasil. Pronto, preparado o ambiente para as autoridades brasileiras decidirem, literalmente, ‘entrar na guerra’. Até hoje, ninguém provou a veracidade do acontecido. Há dúvida sobre o autor da ideia. Teria sido os nazistas ou os aliados? Fica a resposta no ar, porque ninguém tem convicção. E lembrando a história para perguntar: Já está confirmado que foram os caminhoneiros que ameaçaram greve se Lula for solto? Não poderia ser os defensores de Lula que estão seguindo seu comando que não quer ser solto enquanto não provar sua inocência? Ou algum interessado da força-tarefa que ao pedir a soltura do ex-presidente, estaria tornando sem efeito o processo que solicita investigação das denúncias do jornalista Glenn, sobre alguns de seus membros e do juiz Moro? Hoje, ao final da tarde, vamos ficar sabendo, caso a prisão em segunda instância entre na pauta de votação. Pode não entrar bastando que algum ministro pedir vistas. Tem tantos interesses em jogo que dá para desconfiar. A paralisação dos caminhoneiros, segundo matéria do Estadão, é encabeçada por Ramiro Cruz JR. Representante da União Nacional dos Transportadores Rodoviários e Autônomos de Cargas que é filiado ao PSL, foi candidato a deputado federal e não se elegeu. Continua em contato com assessores e com Bolsonaro com quem se reuniu em abril. Veja o que Ramiro disse à reportagem: "Quanto mais deixar o STF correr solto, soltando bandido por atacado, promovendo o errado e condenando o certo, mais a reação da economia tarda e mais difícil fica o governo Bolsonaro continuar de pé. Estamos promovendo uma paralisação pela nossa sobrevivência como sociedade". A diferença entre líder de uma categoria que é vinculado a um partido político e outro líder que trata apenas da defesa da classe que dirige, está bem clara na declaração de Wallace Landim (O chorão), presidente da Cooperativa dos Transportadores Autônomos do Brasil: “Não sou a favor de misturar a pauta política com as reivindicações da categoria. A questão de paralisar a categoria toda para reivindicar uma pauta de STF eu não faço isso. Se precisar mobilizar para pauta da categoria, sou o primeiro a chamar. Pauta que não é da categoria eu não me envolvo". Vou tentar ‘chutar’ outra possibilidade que é apenas opinião de um leigo (e senil). Se algum ministro pedir vistas ao processo, ele será interrompido e sabe-se lá quando será marcado novamente. Saindo da pauta atual o próximo julgamento será sobre o habeas corpus de Lula onde está incluído o pedido de suspeição da força-tarefa e do juiz Moro. É a ‘bola da vez’. Como este interessa alguns membros do STF, que “foram investigados sem autorização judicial”, causando a suspensão de todas as investigações que acabou beneficiando 33 membros envolvidos pela Lava Jato, fica a pergunta: O que será considerado prioritário pelo STF?


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