Outro ministro é vítima do coronavírus
Publicado em 16/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Nelson Teich não chegou durar um mês no cargo de ministro em que chegou quase que de surpresa, para ocupar o cargo de Mandetta. Como a coisa está politizada, ele contrariou Bolsonaro, principalmente, no que concerne ao isolamento social e ao uso da Cloroquina. Eram bandeiras, também, do seu antecessor. Mas contrariava frontalmente o que o presidente defendia e defende, até hoje. Imediatamente, foi guindado ao cargo deixado por Teich, o general Eduardo Pazuello, segundo na pasta da Saúde. Ele não foi escolhido por Teich, foi escolhido por Bolsonaro. Nelson Teich, sabemos, é especialista em câncer com cursos de especialização nos Estados Unidos. Como sempre afirmei, médico é médico. Mesmo sendo especializado em área distinta, o médico conhece ou tem que conhecer o corpo humano. De uns anos para cá, por exigência de autoridades da área, cada um escolhe a especialidade que quer atuar. Isso não quer dizer que não possa ‘entender’ das demais áreas do corpo humano. O isolamento social e o uso de Cloroquina são bandeiras de Bolsonaro. Até autorizou o laboratório do Exército, junto com  outras instituições, a fabricar o medicamento que, para ele, seria uma das soluções para combate ao vírus. E assim foi feito, ainda, no comando de Mandetta. Milhares de doses do remédio foram enviadas ao sistema de saúde com a seguinte observação: “O uso, ou não,  do medicamento, vai depende do médico que está atendendo o paciente”. Ou seja, ele não se comprometeu. Pois bem, depois disso, alguns pacientes foram tratados e venceram o vírus. É claro que junto com outros remédios. Mas, até hoje, ninguém declarou qual medicação foi usada e que ajudou na cura. A única manifestação publicada foi do Dr. Kalil, de São Paulo, que afirmou ter sido curado do vírus, com o uso da Cloroquina junto a outros remédios. Como a gente sabe que muitos ‘ditos’ infectados, já foram curados, é claro, que para não deixar dúvida, seria necessário saber quais medicamentos usados. Também por notícia de revistas especializadas na área de Saúde há outros medicamentos (são mais de 30) que têm ajudado na cura dos infectados. Uma hora dessas vão abrir a ‘caixa-preta’. Remédios contra a aids, ebola, além da Cloroquina, têm obtido resultados satisfatórios. Por que não divulgar? Como diria um amigo meu, tão desconfiado quanto este escriba: “Aí tem”. Mas a ciência não para e a busca é incessante para descobrirem uma vacina. Assim como lutaram e conseguiram, a vacina contra a gripe. Pois bem, agora, o foco é no general, substituto temporário do Teich. A imprensa informa: Leia

Quem é o general Eduardo Pazuello

O general chegou ao ministério por escolha de Bolsonaro, como o segundo nome da saúde. A reportagem de um Jornal de Minas, reprisada pelo Correio Brasiliense e Jornal o Dia, diz o seguinte: “O general, na prática, assumiu o comando da pasta. Defensor das mesmas causas que defende o presidente da República”. Em seu currículo, consta conhecimento e preparação em assuntos militares, por exemplo, a segurança das Olimpíadas no Rio. Estão contestando seu conhecimento em saúde. Este filme já passou em nosso cinema. Ainda no século passado quando FHC nomeou José Serra, ministro da Saúde.
Ministro da Saúde no governo Fernando Henrique
Lembro que as críticas foram fortes. É claro, da oposição, o que é natural. As perguntas que mais se lia na imprensa: Economista e professor universitário será que conhece algum remédio? Eu, aqui em meu cantinho, resolvi me manifestar. Nunca deixo de opinar. Para mim, o grande problema dos ministérios, sempre foi ‘escolha política’. Mas também não é generalizado. Tem políticos técnicos em sua área, mas não são administradores. O que o Brasil sempre precisou, principalmente, em saúde, foi gestão séria. Serra nunca havia passado sequer em frente a um hospital. Pois bem, mas sua gestão foi reconhecida mundialmente. Implementou o programa de combate à aids, que posteriormente foi copiado por outros países e apontado como exemplar pela ONU. E não era da área médica. Foi o mentor da lei de incentivo aos genéricos, o que possibilitou a queda do preço dos medicamentos. Eliminou os impostos federais dos medicamentos de uso continuado. Encaminhou à Organização Mundial do Comércio o pedido para “licenciamento compulsório” de fármacos em caso de interesse da saúde pública. É claro, trouxe contra si os interesses da indústria farmacêutica. Uma das causas de ter perdido a eleição para presidência da República. Bagé o conheceu quando veio inaugurar o novo bloco cirúrgico e CTI, com recursos do Ministério da Saúde. Pois bem, estou comentando fatos passados para perguntar: Quem afirma que o general nomeado, embora provisoriamente, não possa realizar gestão eficiente? Basta se rodear, como Serra, de profissionais da área. Concordam ou não? 


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