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Os tubarões atacam a Lava Jato
Publicado em 16/09/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O Correio Brasiliense (CB) tem se destacado em realizar entrevistas com personagens políticas e jurídicas, que mostram a boa prática do jornalismo. No sábado dia14, conseguiu seu intento ao publicar matéria com o chefe da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. A entrevista foi por email, o que da a oportunidade do entrevistado ‘pensar’ no que vai afirmar. Mas não perde validade, embora eu prefira entrevistar qualquer pessoa ‘olho no olho’. Pois bem, por ser muito longa, resolvi escolher três ou quatro temas, que abordam as denuncias sobre procedimentos, taxados de ‘ilegais’ que colocam dúvidas sobre isenção da força-tarefa.    

Pergunta: “A divulgação de mensagens privadas entre colegas, com opiniões e impressões pessoais, é um constrangimento?

Resposta:”Cada mensagem está num contexto maior que envolve discussões mais amplas sobre o assunto, inclusive em conversas presenciais, conhecimento sobre o conteúdo das investigações, inclusive sigilosas, interpretações de nosso sistema jurídico e pressupostos implícitos de quem se conhece há anos, como o de que todos do grupo só agiriam de modo correto. Mas fomos hackeados e, agora, nossas mensagens são divulgadas de modo isolado ou fatiado, descontextualizadas e até mesmo editadas. Além disso, são sempre interpretadas de acordo com a visão dos advogados dos réus, com a interpretação das leis e das regras do modo mais desfavorável à Lava Jato”.

Pergunta: “A procuradora Jerusa Viecili pediu desculpas por ter se manifestado com os colegas em relação à morte de parentes do ex-presidente Lula. Ela agiu corretamente ao se retratar?

Resposta: “Ela se recorda de ter se manifestado naqueles termos; então, é uma escolha pessoal, legítima e nobre. Sobre o ex-presidente Lula e, o processo dele, a força-tarefa se manifestou nos autos e o caso passou por todas as instâncias do Judiciário, inclusive pelo STF”.

Pergunta: “Como é sair de uma situação de glória pelo trabalho na Lava Jato para questionamentos, como ocorre agora?

Resposta: “Não buscamos glória ou poder. Buscamos servir com excelência e contribuir para um país melhor. Os questionamentos talvez contribuam para fazer as pessoas perceberem que nenhum grupo de pessoas vai mudar o Brasil. A mudança cabe aos brasileiros. Cada um tem que parar de reclamar dos outros e fazer a sua parte. Se “o político é ruim”, mude o político ou cobre preparo e uma atuação adequada. Se “o brasileiro não vota bem”, leve informações para as pessoas. Não dá para escolher o candidato em 15 minutos ou pegando panfleto na rua e esperar que tudo será diferente”.

 

Conclusão da coluna

 

Assim como os procedimentos dos procuradores estão sendo atacados por serem ‘ilegais’, o chefe da força-tarefa está dando sua versão que contraria a tudo o que já foi divulgado. É o direito de defesa que todo o cidadão pode usar. A entrevista é clara em algo que parte da população já formou opinião, as denúncias não estão sendo desmentidas. A maneira como foram conseguidas, é que está em jogo. Mas aí tem um pequeno detalhe, se os hackers estão presos pela maneira ilegal como adquiriram e publicaram os diálogos, serão julgados pela ilegalidade cometida. Agora, qual a causa que as denúncias não estão sendo investigadas? Eis a questão. Em um aspecto o chefe da força-tarefa tem toda a razão: a operação Lava Jato, vai seguir seu trabalho e muita gente ainda vai parar na cadeia. Mas atuando ‘dentro das quatro linhas’. Ninguém, muito menos quem prestou juramento de defender as leis, pode usar de estratégias para conseguir seu objetivo. No caso cabe o adágio “não basta a mulher de César ser honesta, tem que provar”. Para provar é preciso investigar. E, pelo andar dos acontecimentos, isso não vai acontecer. Uma pequena ressalva:  deixo em aberto essa possibilidade porque membros do Supremo foram ‘investigados’ sem autorização judicial e isso suspendeu todas as investigações. Em algum momento, penso, que deverão ser liberadas. E aí não deve atingir só a alguns denunciados. Terá que atingir a todos. É a leitura que faço. Aos leitores, uma sugestão: leiam a íntegra da entrevista de Dallagnol, que está na página do Correio, na edição de sábado. Vale à pena. Certo?

 


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