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Os governos tomam conta do que é bom
Publicado em 20/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Nossa prática é conhecida, não só na administração pública como na vida privada. Vamos começar pelo futebol. Quando um craque desponta sempre aparece quem o descobriu. E aí começa a discussão: Não foi você, fui eu. Eu estava no jogo da escola que leciono quando vi um menino magricela que me chamou atenção. Como sou teu amigo e torço pelo time que tu diriges, te passei a informação. E fosse lá, constatasse e o trouxesse para cá. Então fui eu que o descobri e não você. E aí segue a discussão na imprensa para saber quem foi realmente o “olheiro” que revelou o craque. Agora, quando o jogador não desponta, ninguém é culpado. O jogador simplesmente apareceu. Estou outra vez usando do futebol para comparar decisões de administradores públicos. Mais uma empresa aérea está se estabelecendo no Brasil e as manchetes deram ênfase à comemoração governamental a seguir:
  Bolsonaro comemora a chegada de empresa O Grupo Globalia, da Air Europa, foi destacado pelo ministro da infra-estrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que em seu texto nas redes sociais assim se manifestou: “Importante destacar que será a primeira empresa a operar no mercado brasileiro por causa da MP [863/18] que abriu capital estrangeiro em empresas nacionais. Obtendo outorga, ela vai contratar pilotos e tripulação brasileira, gerando empregos, concorrência no setor e novos investimentos no país”. Liguei-me no corpo da matéria que teve a participação de Jair Bolsonaro, ao reproduzi-la, em sua página na internet. Como se sabe a Avianca, que está em recuperação judicial, tem suspendido diversos vôos e causado “terror” em quem necessita viajar. A vinda de uma empresa europeia, pode dar tranqüilidade ao mercado, com o reequilíbrio de oferta de vôos reduzindo o preço das passagens. Mas o verdadeiro motivo da divulgação, para mim, foi mais uma pressão (provocação) do Executivo em cima do Legislativo. Leiam:
  O prazo para aprovação vence na quarta Sim senhores! Para que a MP das aéreas tenha validade seu prazo termina na quarta feira dia 22 de maio. Depende do Congresso votar em plenário. Um dos problemas é que “Os partidos que compõem o chamado Centrão e a oposição decidiram obstruir a votação de todas as MPs até a aprovação do texto da Medida Provisória 870, que trata da reforma administrativa do governo Bolsonaro, com as modificações feitas na Comissão Mista”. E aqui vem o mais importante para os legisladores nesta medida consta a criação de dois novos ministérios e a volta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), hoje no Ministério de Justiça, do Moro, para o da economia, do Guedes. Então, pelo prazo exíguo tudo leva a crer que a medida não passará. A não ser que o governo, efetivamente, volte a negociar com o Congresso. Aí se torna tudo possível. As “bocas” no governo ficarão a disposição dos partidos. “É dando que se recebe”. 
     Outra notícia boa para negociação Que na prática é a adesão à velha política: “Bolsonaro sancionou o projeto de Lei que livra partidos políticos de uma multa milionária por não destinar o mínimo de 5% do Fundo Partidário, para promover a participação política das mulheres, entre 2010 e 2018”. Está sendo publicado no Diário Oficial de hoje, segunda, dia 20. O mercado estima que o perdão chegue a 70 milhões, valor dos débitos dos diretórios municipais de quase todas as legendas, com o Fisco. Ora bolas, como não acredito em coincidências (e muito menos em “almoço grátis”) isso deve fazer parte das negociações. Porém, e sempre tem um porém, a “fome” por cargos e benesses no governo, não diminui facilmente. Eles querem mais, muito mais. Para que não digam que não comparei com outras decisões semelhantes aqui vai a “pimenta que faltava:
  Em 2000 o Congresso derrubou veto de FHC      Desde 1995, quando a Lei dos partidos foi criada, já aconteceram 19 alterações beneficiando as siglas partidárias. Isso consta no site Do Movimento Transparência Partidária. Em 2000, o Congresso derrubou um veto do então presidente, Fernando Henrique Cardoso, e levou adiante uma anistia que custou aos cofres públicos, em valores corrigidos, aproximadamente R$ 80 milhões. O que Bolsonaro fez agora foi tentar se aproximar do Congresso, através dos partidos políticos, para facilitar a aprovação de seus projetos. Na coluna de amanhã vamos continua contando a história de nossa política. Ou o sub-mundo da política brasileira. Resquício da ditadura implantada no Brasil em 64. Ou não?

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