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O vírus está embotando muitas mentes
Publicado em 25/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Principalmente de alguns governantes. O ‘terror’, que a massa informativa causa às pessoas, é tão danoso quanto o vírus. E não é só no governo, ou governos, que se nota discussão sobre decisões tomadas. Uma lástima que o bate-boca só acontece após decreto ser assinado. Isso prova que não há dialogo entre governos e técnicos. Não chamam quem tem capacidade de definir, ‘até onde vai a prevenção, bem como até que ponto atinge a política eleitoreira’. Chegamos a um estágio que até ‘os inimigos se unem’ para combater o único adversário, que é o vírus. O protagonismo não deve e não pode ser creditado a nenhum dos poderes, mas ao conjunto. E aqui vai entrar a história que deveria servir de exemplos para as crises mundiais. Qual a tática das nações para vencer o nazismo? Adversários ferrenhos se uniram: Estados Unidos, Inglaterra e Rússia, para falar apenas de alguns dos mais poderosos, derrotaram a poderosa Alemanha, comandada por um ‘louco’: Adolf Hitler. Pois bem, pela intensidade dos noticiários, e aqui não vai nenhuma critica, até os governos estão ‘batendo cabeça’. Cada um quer ser protagonista de decisão que, embora inconstitucional, está transformando a cabeça de parte da população. Alguns que conheço, estão convencidos que a vida acabou.  Isso é o efeito do ‘pânico’. Só há espaço para quem promove o ‘caos’, no sentido de assustar a população para que permaneçam em casa. Não é um trabalho de conscientização tentando fazer com que as pessoas entendam a necessidade de permanecer dentro de casa. Coisas úteis, com decisões de países mais evoluídos, que não enclausuraram a população dentro de casa, tem pouca importância no noticiário. Lá, um pouco diferente daqui, eles ocupam o tempo para procurar a solução do problema. Alguns anunciaram que já conseguiram. Então, vamos unir esforços; vamos ouvir os dois lados. A flor e o espinho estão sempre juntos. As diferenças políticas não podem aflorar neste momento de angústia do povo, certo?

 
Decisões tomadas e imediatamente suspensas
O governo editou medida provisória (MP) no domingo e teve que suspender na segunda-feira. Estão enlouquecendo até o Diário Oficial da União. A medida permite a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses. De acordo com a MP, os funcionários “deixarão de trabalhar por quatro meses e os empregadores não precisarão pagar os salários”. Aqui vem a velha frase de Nelson Rodrigues: “isso é o óbvio ululante” Quem não trabalha, não tem direito, pela lei trabalhista, de receber salários. A não ser que esteja em atestado de saúde. Mas aí, quem vai pagar é o governo. Pois bem, a gritaria foi total. As redes sociais ‘baixaram o sarrafo’ na MP. Alguns políticos também. Entre outras coisas, a MP teria validada a partir da data de publicação, mas necessitaria da aprovação do Congresso, que teria, veja só, 120 dias para aprovar. Como gosto de ‘calcular’, 120 dias, portanto, o mesmo que quatro meses (e isso se aprende no primário). Ele quis mostrar que o protagonista seria ele, governo, não deixando margem para o Congresso buscar seus dividendos políticos. É claro que, o presidente da Câmara, criticou imediatamente taxando a MP de “capenga”. O resto, as redes sociais se encarregaram. Na segunda-feira, 24 horas após, o governo suspendeu parte da MP. Justamente a que atingiria os direitos trabalhistas. Poderia simplesmente determinar que o empregador, que mantivesse os funcionários, deixasse de pagar o FGTS. Por um tempo determinado e, após, parcelasse em alguns meses. Não prejudicaria o Fundo, que é do trabalhador e aliviaria o caixa do empregador, mas não. Tomou uma decisão que ao final dava pouca importância ao Congresso. Pela reação, foi obrigado a suspender este artigo da medida provisória. A pressa leva à imperfeição. Seria muito bom que os poderes se reunissem e estudassem uma solução aplicável para o momento em que vivemos. O governador do Distrito Federal, também entra em campo determinando que “os postos de combustíveis fecharão à noite, aos domingos e feriados”. Essa é a lei original que, no entanto, não proíbe os postos de trabalharem às 24h. Segundo se sabe, a competência da União, estados e municípios barra no ANP, Agência Nacional do Petróleo. Essa tem competência, embasada na lei, para determinar o fechamento dos postos em determinados dias. Mas o governador do DF não quis nem saber e publicou a medida. O governo do Brasil tinha tomado a mesma decisão e voltou atrás. Não sei agora como vai ficar e se volta ao que era antes da chegada do vírus. Como completei a coluna ontem de manha, já pode ter saído decisão da ANP, ou não. Espero!  


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