O sindicalismo como braço partidário
Publicado em 26/10/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Que eu tenho abordado o tema faz muito tempo. Baseado na lógica e na prática. Muitos sindicatos perderam seu Norte ao demonstrar publicamente apoio a partido político. Desde a primeira tentativa eleitoral de Lula que a CUT (criada por ele) lhe dá todo o apoio. Presenciamos carro som, poderoso, muito mais que um trio elétrico, adquirido pela CUT estiveram a serviço de candidaturas petistas. A Lei proíbe sindicatos, como instituição de defesa de seus associados, de apoiarem candidaturas partidárias, é claro que, o desrespeito à Lei é notório. Até hoje ninguém deu a mínima bola para o fato. Ao contrário defendem com unhas e dentes o apoio sindicalista. Porém, e sempre tem um porém, até hoje eu não tinha escutado ou lido, algum presidente da Central Única dos Trabalhadores afirmar: “Esse ato consiste em fazermos um processo de valorização do PT, a defesa em torno do PT”. Palavras de Vagner Freitas, presidente nacional da CUT.
Sabe a que ato ele se referia? A um movimento de filiação de associados da CUT no PT. É evidente que, antes poucos tinham dúvida que o sindicalismo estava a serviço do partido. Mas, entre a gente saber e o próprio presidente confirmar, vai uma distância muito grande. A mesma coisa tenho afirmado sobre o Cpers. A cada governo do Estado que se instala, se for de partidos adversários sofrem mais que o “burro do canja”, uma expressão local que os mais antigos tem em mente. Quando o governador é de sua sigla partidária, há uma “oposição” muito amena. 
Gosto de perguntar, e perguntar não ofende: “Já imaginaram se a Yeda, o Rigotto, O Brito, o Collares tivessem ocupado o cargo de Ministro e assinado o piso nacional de salário, antes de serem eleitos governador do estado, o que estaria acontecendo com o Cpers? Invadir a casa da autoridade seria o de menos. Portanto, o Cpers, assim como a CUT, que agora confirma o que todos sabiam, é sim um braço partidário do PT.
A propósito a razão da filiação em massa tem um sentido. É o movimento que está sendo organizado para tentar desmoralizar as decisões do Supremo e continuar tentando instalar o processo de censura contra a imprensa. Isto está claro, para quem acompanha movimentos sociais. É proibido um sindicalista, individualmente, se filiar a um partido político? Claro que não. É um direito individual de cada cidadão. O que não pode é o movimento ser criado dentro do sindicato como objetivo que foi criado. Dar suporte ao PT para combater as decisões do Supremo. Ou seja tentar medir forças. Não vi, não li e muito menos escutei o MP e ou a oposição se manifestar sobre esta declaração do presidente da CUT.
Lembro um fato que ocorreu aqui em Bagé. A Associação e Sindicato Rural manifestar seu apoio ao candidato Azambuja. O Mainardi Ganhou a eleição e, que eu saiba, nunca mais entrou na Rural. A não ser agora como Secretário Estadual. Na época inclusive houve denúncia na promotoria eleitoral contra o Sindicato. Foi para julgamento, mas eu nunca mais soube nada sobre o andamento do processo.
Pois bem, no encerramento da coluna quero transcrever matéria que colhi na internet, cuja manchete é: “PT vai rasgar estatuto para proteger mensaleiros”. Regras prevêem expulsão de condenados por "práticas administrativas ilícitas" ou "crime infamante". Mas ninguém quer punir Dirceu e seus comparsas. Mas o artigo 231 do estatuto da legenda é claro ao tratar dos casos em que a expulsão ocorrerá: quando houver "inobservância grave da ética" ou "improbidade no exercício de mandato parlamentar ou executivo, bem como no de órgão partidário ou função administrativa".
Por muito menos que isso, expulsaram a Luciana Genro e o Baba do PT. Eles cometeram o “crime” de ter mostrado um vídeo do Lula chamando o Sarney de ladrão. Para o Lula o Sarney deveria ser respeitado como ex-presidente e não ser tratado como criminoso qualquer. Tanto é verdade que fez parte de seu governo.
Dá para entender?

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