O ser humano é difícil de entender
Publicado em 24/10/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Sempre que abordo um assunto costumo comparar com algo semelhante que aconteceu no passado. Procuro, inclusive, me basear na “sabedoria” popular que me ensina muitas coisas. Até os adágios têm sido tema de meus comentários. Um deles, qualquer cidadão, já escutou: “Lugar de bandido e ladrão é na cadeia”.
A maioria da mídia imprensa, que notícia o dia a dia dos plantões policiais, o fazem porque agrada o leitor. As emissoras de rádio têm seus plantões policiais. O ouvinte gosta. E isso dá audiência, sendo esta o primeiro passo para aumentar o faturamento. O comércio em geral quer vender seus produtos mas, precisa divulgar. Procura as rádios com maior audiência. Não é só no rádio que isso acontece. A maioria das televisões do Brasil têm programa policial. O brasileiro trabalhador e honesto, que sua a camisa para levar a comida para casa, está sempre sujeito a assalto. Não há segurança. Os governos não tem recursos para aumentar seu efetivo e diminuir a criminalidade. Em alguns casos os recursos desaparecem porque a máquina pública é maior que a capacidade de arrecadação. Mas isso os políticos não querem nem saber. Senão já teríamos uma nova legislação. Estamos vivendo novos tempos. Sim, a impunidade está acabando. Os corruptos estão sendo condenados. Se irão para a cadeia são outros quinhentos. No entanto ficarão de fora da vida pública. Não poderão concorrer e nem ocupar cargos públicos por oito anos.
O que eu fico de orelha em pé é que tem muita gente dos grandes centros, a maioria vinculada aos políticos condenados pelo STF, que estão criticando quem condenou seus “ídolos”. O Supremo, junto com a imprensa, são os responsáveis pelo uso da lei em favor da cidadania honrada e trabalhadora. Se forem presos ficará provado que a cadeia não é só “para ladrão de galinha”. Vamos esmiuçar o que aconteceu. O Banco Rural concedeu ou não empréstimos para um partido político? O responsável que assinou os papéis não foi o presidente do partido? Este dinheiro ficou depositado em alguma conta bancária ou sumiu do mercado?
Quase que simultaneamente o Congresso aprovou projetos do governo que havia sido anunciado, pela imprensa, como de difícil aprovação. O marqueteiro Duda Mendonça não prestou um serviço à campanha do Lula mediante pagamento de uma soma apreciável? Ele recebeu o dinheiro, pelo trabalho realizado, em sua conta bancária ou no exterior? E a montanha de dinheiro encontrada em malas, cuecas, carpins e outros meios “sofisticados” de transporte eram legais? E se eram porque não usaram contas bancárias? Você acredita que um simples tesoureiro tinha cacife para chegar em um banco e receber um empréstimo sem fornecer nenhuma segurança?
Parando para pensar, a imprensa deveria ou não divulgar as denúncias? Se a maioria dos cidadãos, gosta de assistir noticiário policial, qual a diferença entre roubo de margarina, no supermercado, e de roubo de dinheiro público? Essa mesma imprensa que hoje noticia o julgamento dos mensaleiros denunciou, no passado, a privatização de empresas públicas. Aí vem a velha história jurídica: Os rigores da Lei para os adversários, o favores para os amigos e a Lei para os indiferentes. Como “radicalmente” democrata, quero a Lei para todos. Seguindo os preceitos da Constituição que determina: “Todos são iguais perante à Lei”. As diversas tentativas de censurar a imprensa tem exatamente um objetivo que é calar um dos fortes sustentáculos da democracia. Eu ainda vou ver a Justiça punir os abusos de gasto durante uma campanha eleitoral. Mas alguém precisa denunciar. A Justiça só se move quando acionada.
Aí vem outra frase, agora bíblica: “Atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Então vivemos em um país do faz de conta. O financiamento público de campanha, que muitos querem, na realidade já existe com outro nome. Os recursos partidários que são formados por dinheiro público e parte por filiados. Mas pergunte aos candidatos, os mais humildes que você conheça: quanto seu partido lhe deu para a campanha eleitoral?
Já imaginaram o governo financiar, com nosso dinheiro, campanhas eleitorais? Não sobra quase nada para aplicar em saúde, educação e segurança, imaginem pagando campanha eleitoral.Ou não?  

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