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O que ficou resolvido na reunião do G7?
Publicado em 26/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Que eu saiba muita conversa e pouca ação. Agora, sempre se tira ensinamentos de qualquer crise gerada. A prova está na convocação da rede nacional de emissoras de rádio e televisão para a fala do presidente Bolsonaro. É um direito previsto na Constituição. O que chamou atenção de quem sempre está atento foi a maneira contemporizadora de sua manifestação. Para a imprensa tupiniquim, aquelas manifestações diárias na chegada ao palácio, dois dias antes, onde ele jogou gasolina na fogueira. Já denunciou as ONGs, como as protagonistas do incêndio, embora sem nenhuma prova. É claro que a reação veio logo. Para quem é pós-graduado na universidade da sete, a leitura ficou sendo a seguinte: Se ele sabe quem está botando fogo na mata, porque não autorizou, imediatamente, o Exército agir? Não, isso aconteceu por “decisão” de Moro. E assim mesmo restrito a combater as queimadas e após Alemanha e Noruega ter suspendido a ajuda financeira. Aí o trem descarrilou. O presidente da França convocou os países do G 7, cuja chegada aconteceu no sábado. Parece que já havia outro ambiente mais ameno. De saída, Emmanuel Macron, anfitrião da reunião, “apelou a uma mobilização de todas as potências para ajudar o Brasil e os demais países afetados a lutar contra os incêndios florestais na Amazônia e para investir no reflorestamento das regiões atingidas. Devemos responder ao apelo da floresta (...) da Amazônia, nosso bem comum (...) então vão agir". É claro que Bolsonaro, deve ter apreendido a lição. Que lição, senil? Aqui de nossa fronteira conclui que uma coisa é falar sobre temas do Brasil, economia interna que também é polêmica, mas é aquele jogo político, nós contra nós. Outra coisa é falar algo que afeta o mundo globalizado. A Amazônia é considerada o pulmão do mundo. Alguns países mandavam dinheiro para que o Brasil fiscalizasse fortemente evitando o desmatamento e prevenindo para que as queimadas não se alastrassem. Ora bolas, pelo visto o Brasil não cumpriu sua parte. Fica a pergunta em que foi aplicado o dinheiro? Será que entrou no caixa único? Podem acreditar, a partir de agora, o presidente usará o discurso interno em coisas que só nos interessam. E o outro quando tratar de interesse global. Pelo menos, é a leitura que faço. Agora que este assunto tirou de circulação as denúncias do jornalista Glenn, é uma constatação. Mas não vai parar. Elas voltam.

Delegados querem autonomia da polícia

Reunidos em Salvador, delegados divulgam carta em que pedem medidas legislativas para evitar interferências políticas na corporação. Ou seja, eles querem ter vida própria e não depender que os governos façam nomeações para cargos de chefia. Isso só será possível se o Legislativo aprovar lei. Segundo a matéria, que se fundamenta no texto da carta,  é uma resposta ao presidente Jair Bolsonaro, que, nos últimos dias, tem feito declarações sugerindo troca de cadeiras na PF, irritando os policiais. “A PF não deve ficar sujeita a declarações polêmicas em meio a demonstrações de força que possam suscitar instabilidades em um órgão de imensa relevância, cujos integrantes são técnicos, sérios, responsáveis e conhecedores de sua missão institucional”, diz a nota. O atual ocupante do cargo, Maurício Valeixo, indicação de Moro, esteve na berlinda com as declarações de Bolsonaro, por causa das trocas de comando nas superintendências regionais. “O dirigente máximo da PF deve ter o poder de formar a sua própria equipe, sem pressões de cunho político, partidário ou sob o risco de ser exonerado. Nos últimos dois anos, a instituição teve quatro diretores diferentes. Não é produtivo que pessoas se perpetuem no comando nem que sejam breves ao ponto de sequer poderem implementar os projetos.” Outra leitura que faço, não tem pressão que possa fazer o presidente abrir mão de seus direitos constitucionais. Essa foi a declaração externada pelo general que ocupa a secretaria geral de governo. Matéria que já abordei neste mesmo espaço. Quanto mais pressão menos solução. Tem muitos problemas pela frente a serem enfrentados pelo governo. Alguns provocados pelo próprio presidente. Outros provocados pelas corporações. E a Constituição quem respeita? Dirão alguns, a Constituição é um mero detalhe. Pelo menos, ela não vem sendo seguida, sequer por quem tem obrigação de ser seu guardião. O Supremo Tribunal Federal que o diga, Ou não?


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