O ponto nos is
Publicado em 31/10/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O debate acirrado entre adversários políticos vai continuar. O tema mais explorado na eleição de prefeito, principalmente nas grandes capitais, foi o julgamento e condenação dos mensaleiros. Tudo começou quando tentaram, e como tentaram, transferir o julgamento para após a eleição. É sinal que até o Lula achava que poderia ter interferência no resultado do pleito. Para tal “cantou” todos os que podiam decidir sobre o início ou prorrogação dos trabalhos do Supremo.
Qual eram os objetivos? Dois. Primeiro porque o atraso tiraria dois ministros, importantes, do julgamento. O segundo era a possibilidade de prescrição. Mas o real, para mim, era evitar a possibilidade de interferência nas eleições. Após o segundo turno ficou comprovado que, pelo menos na maior cidade brasileira, isso não aconteceu. O Haddad (PT) ganhou em São Paulo. Para mim ficou provado que, o que estava em jogo não era o PT, mas sim, algumas lideranças importantes, envolvidas até o pescoço, com o Valerioduto. Tanto é verdade que o João Paulo Cunha teve que retirar sua candidatura após ser condenado pela corte. A vitória do ex- ministro da educação, que se diga de passagem não estava sendo julgado por nenhuma falcatrua, comprovou que a população não generalizou. Separou o joio do trigo. Porque condenar o Haddad por crimes que outros cometeram?
Já nem toco no tema “Light” da oposição. O próprio PSDB não se uniu em torno do candidato de seu partido. Já abordei esse assunto neste espaço. O presidente Guerra, não entrou na “guerra”, perdoem o trocadilho. O Aécio Neves vem construindo sua candidatura, desde a eleição passada para presidência. Não moveu uma palha em favor do Serra. Ou seja, continuou “minando” como se diz na gíria, o seu maior adversário dentro da própria sigla. A oposição já é fraca unida, imaginem desunida. Mas isso não é problema apenas do PSDB. Claro que não é. Não existe, pelo que sei, nenhum partido absolutamente unido. No caso do PT não é diferente. A união se dá em torno de um nome: Lula. Tanto é verdade que agora começa o processo de tentativa de desmoralização dos Ministros do Supremo.
A matéria “colei”, mais uma vez do noticiário nacional. Leiam: “Terminada a campanha do segundo turno das eleições municipais, o PT organiza um manifesto com ataques ao Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, o partido vai divulgar um documento em que endurece sua artilharia verbal contra os ministros da corte - e os acusa de abandonarem a cultura do direito penal, que garante as liberdades individuais. O motivo, é claro, são as condenações de petistas estrelados pelo Supremo, por envolvimento no maior escândalo de corrupção da República, o mensalão. Para o PT, o julgamento que condenou 25 réus no processo foi politizado pela corte. Como de praxe no partido, sobraram acusações para a imprensa: o manifesto afirma, ainda, que os ministros do STF julgaram os mensaleiros "sob pressão da mídia".

VOLTEI
A batalha vai continuar e deve render seus dividendos até a próxima eleição. Ainda sobre a possível influência do julgamento nas eleições, o neto do Toninho Malvadeza, botou mais lenha na fogueira. Afirmou, ontem, em entrevista à Folha de São Paulo, que teve influência sim. O povo elegeu 4 “protagonistas da CPI do mensalão”. Se referiu a Vitória de Eduardo Paes (RJ), Gustavo Fruet (Curitiba), Artur Virgílio (Amazonas) e ele próprio na Bahia. É verdade, eles participaram ativamente no sentido de “tocar para a frente a CPI”. O que ele quis dizer é que o povo elegeu candidatos do PT, não envolvidos com a “roubalheira” e ao mesmo tempo elegeu políticos que fizeram o processo legislativo andar. Como sempre a história tem dois lados. Vou esperar, pacientemente, mais um capítulo da novela “terminou a impunidade”.
Concordam ou não?

Deixe sua opinião