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O impasse segue entre governo e Congresso
Publicado em 18/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Quem manda mais? Ou quem quer mandar mais? Em democracia todos os setores são importantes desde que haja respeito. Não é o que temos sentido na política brasileira. Governo e Congresso estão em permanente conflito há um bom tempo. Isso acontece sempre que o povo elege um Executivo, mas não lhe da maioria no Legislativo. Este é o filme atual. Então, quando não há diálogo, ao contrário, há desavenças, nada pode acontecer e quem leva a pior somos sempre nós os pagadores de impostos. O que está em jogo e não chega a ser novidade na política brasileira, é a disputa de poder. Repito o que já abordei neste espaço, Bolsonaro se elegeu com um discurso que convenceu 55% dos eleitores. Metralhadora à mão e combate à “velha política”. E aqui paro para refletir com os leitores (são poucos, mas fiéis). Para que sejam aprovados os projetos de governo, sem ser necessário liberar cargos, emendas e outras coisas, o governo usa do “terrorismo” para assustar a população. Primeiro, foi o corte na Educação, que está causando movimentos contrários. Agora, é a vez da Bolsa Família. Pode não ter dinheiro, a partir de setembro, para cumprir o compromisso. É claro que isso leva a instabilidade econômica. Creio que pensa em sensibilizar os congressistas jogando-os contra parte de opinião pública. Quem não conhece o Congresso Nacional, não pode opinar sobre política. Ou eles são atendidos em suas reivindicações ou não aprovam nada que vier do governo. É a velha política praticada no Brasil desde o momento em que voltamos à democracia. Se até o Lula, que combatia o sistema, teve que “arreglar” com o Congresso e se unir com adversários (eu diria quase inimigos) políticos, porque Bolsonaro insiste em tentar manter suas promessas de campanha? Agora, por exemplo, Olavo de Carvalho, anunciou que está fora.

Não me meto mais na política brasileira
“Podem ficar com o Brasil. O Brasil é seu. Eles querem me tirar da parada? Tiraram. Eu vou ficar quietinho. Agora, não me meto mais na política brasileira. O Brasil escolheu o seu caminho. Escolheu confiar em pessoas que não merecem a sua confiança e, agora, vai se danar. Evidentemente, vai virar um entreposto da China. É esse o sonho de todos eles. Cortar relações com os Estados Unidos e Israel e ficar do lado chinês. É isso que eles querem. Esses generais loucos como o Santos Cruz e esses jornalistas loucos inventaram o grupo olavista. E dizem que o grupo olavista está dentro do governo e tem poder. Ora, eu não tenho contato nenhum com essas pessoas”. Então, o que ele diz é que o grupo que rodeia Bolsonaro, acabou vencendo. Entre os militares e Olavo, venceram os militares. A próxima pendenga é encontrar um caminho que possa abrir o diálogo com os congressistas. Mas falta acertar com Jair posicionamento contra participação dos filhos. Eles têm complicado bastante o relacionamento político entre os poderes.

Projeto da Previdência está a perigo
Mas antes dele, os parlamentares têm resistido em aprovar um crédito extra de R$ 248,9 bilhões solicitados pela equipe econômica desde março. E o que é mais importante, parlamentares “reconhecem” a necessidade de liberar os recursos, mas não aprovam “porque estão descontentes com a articulação do Planalto”. Relator do projeto, o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou que pretende apresentar um parecer sobre o pedido apenas no mês que vem. "É necessária toda uma articulação política forte em cima. Eles (o governo) não estão fazendo articulação política". O relator em apreço é do Maranhão, estado do velho José Ribamar Sarney. Então, tem pedigree. Cada vez mais me convenço que Jair Bolsonaro está fazendo de tudo para mostrar aos eleitores que está difícil governar sem “negociar” com o Congresso. Atribuindo o não cumprimento das promessas de campanha aos legisladores. Então, vai aderir, como já deixou transparecer, a “velha política” do toma lá da cá. Poderia abrir crédito, sem autorização do Congresso, isso está fora de cogitação. Nem pensar porque foi a causa da cassação de Dilma. Ou não?    


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