O Brasil parou – a política segue em frente
Publicado em 27/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Dá a impressão, pela intensidade de informações, algumas desencontradas, que o vírus atingiu em cheio ‘a cabeça da população’. Não está havendo um debate técnico, entre especialistas, mas um debate político, cuja intenção é testar popularidade ou se tornar conhecido, usando as mídias disponíveis. No meio de tudo,  as redes sociais. A mídia está ai, cumprindo seu papel de informar. Muitas vezes, tentando aumentar audiência, faz comparações entre os países que estão passando pelo mesmo vírus que os brasileiros. Em outros momentos, faz ‘vistas grossas’ sobre o contraponto. Enfatiza apenas parte do que lhes interessa. Eu estou falando em ‘alguns momentos’, não estou generalizando. Pois bem, assim entram em campo os políticos, cada qual querendo tirar seus dividendos. Nas ações de estados e municípios, que criaram o ‘isolamento obrigatório’, principalmente dos idosos, sob pena de multa, acabou criando ‘o vírus mental’. As redes sociais estão aí mesmo para que a imprensa mostre questionamentos da população, às vezes, sem ter nada que ver com o vírus do momento. Tem uma frase popular, bem antiga, que cabe no momento: “Tudo o que é proibido é contestado ou mais gostoso”. Este tema abordei, ontem, e vem acompanhado de uma, ou mais, dúvidas: Se está proibido para o idoso (mais de 60 anos) sair de casa, porque abrem exceção para que compareçam ao supermercado (tem horário marcado), por exemplo, para os bancos (com horário marcado)? Nestes horários, estão ‘livres’ de risco de contaminação? Ou o vírus não prolifera em determinados horários? Outra coisa que tem sido contestada no Visão Geral, Rádio, se os demais cidadãos estão liberados para trabalhar (caso dos supermercados, farmácias, bancos, consultórios médicos, postos de saúde) porque os funcionários do comércio em geral também não são liberados? Esses profissionais que estão na ativa, também não correm riscos de serem atingidos pelo vírus? Aqui vou fazer uma digressão, levando pelo caminho do futebol: Federações determinaram, no início do coronavíru, futebol de ‘porteira fechada’. Ora bolas, e os atletas profissionais que participam do  mesmo jogo, mais de 50 pessoas, estariam livres da contaminação? A grita aconteceu e os dirigentes esportivos, pressionados, suspenderam a pratica esportiva e os campeonatos em andamento. São exemplos para reflexão. Então, opinião de um leigo, após ler tantas medidas de governos, muitas controversas deram margem a dúvidas. Onde a técnica é respeitada e até onde a política partidária determina as decisões. Ontem, o prefeito do Rio, Crivella, liberou mais um setor comercial para que abrisse suas portas: materiais de construção. Portanto, a construção civil, um setor que mais emprega no Brasil, vai continuar produzindo ‘sem medo de ser feliz’. É claro que teve a influência do ‘discurso’ de Bolsonaro, que está criticando decisões de estados e municípios. O prefeito do Rio, como se sabe, é um forte apoiador do presidente da República. Creio que aos poucos, as medidas de estados e municípios, começarão a ser suprimidas. Aos poucos. Só assim não passarão a ideia que as medidas atuais estavam erradas. A velha e ‘corriqueira’ política. Sim, uma coisa que a população deixa de ser ordeira é quando falta dinheiro para o alimento da família. Governo algum quer arriscar. Então, creio, o bom censo está quase chegando. A união de políticos de diversos partidos, em uma equipe que conta com técnicos e representantes de alguns setores da sociedade civil, divide a responsabilidade e o bom censo vai chegando de ‘fininho’. Que assim seja. Concordam?  
Discurso de Bolsonaro agiliza mudanças  

Ontem, foi a vez de o Ministro da Saúde, Mandetta, vir a público em uma coletiva e afirmar: “Quarentena não pode virar 'parede”. É claro que a posição do Bolsonaro ‘influenciou’ seu ministro. Natural. Foi além, seguindo instruções do comando maior. Ele vai liberar três milhões de Cloroquina para pacientes que estão em estado grave. Mas não está determinando seu uso, pois a Anvisa ainda não liberou. Mas coloca nas mãos dos médicos a decisão final sobre usar ou não o produto. O argumento usado: "O que o Ministério da Saúde está fazendo é deixar no arsenal, deixar à mão do profissional médico. Se ele entender que o paciente grave pode se beneficiar, o que vamos fazer é deixar esse remédio ao alcance dele". É aquele velho ditado, quando a coisa é grave, toda e qualquer decisão é válida. Disso, creio, ninguém discorda. Certo? 


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