O bicho tá pegando agora no Rio de Janeiro
Publicado em 27/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Na manhã de ontem,  foi realizada uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O objetivo era investigar o governador do Rio, Wilson Witzel, por denúncias de irregularidades. As possíveis fraudes estariam ligadas a contratos realizados em hospitais de campanha. A autorização para a PF foi do STJ do Rio. Aqui, é necessário que se pare para pensar. Há poucos dias, o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu demissão ‘porque não tinha apoio do governo federal’ para exercer sua função. Foi substituído por indicação do presidente da República. Se diga de passagem, é sua atribuição constitucional. Tendo por base a denúncia de Moro, o ministro Celso de Melo autorizou às investigações. Isso é uma coisa. A outra, que dá para tirar alguma conclusão, foi a ação da Polícia Federal, ontem, na Belacap. Mas esse processo não havia sido instaurado na gestão anterior do ministro Moro? Estaria parado, segundo consta. Com sua saída, foi agilizado e aconteceu ontem. Por que estava parado e qual a causa que foi agilizado, eis a questão. E aqui, como sempre, entra a política. Um ditado antigo, ainda em evidência, diz o seguinte: “Aos amigos, os favores da lei; aos inimigos, os rigores da lei, e a lei, aos indiferentes”. O governador Witzel, como se sabe, enquanto candidato a governador, foi apoiador de Bolsonaro. Há quem diga que ele se elegeu porque recebeu, também, o apoio de Bolsonaro e seus seguidores. Com pouco tempo, se não me falha a memória, entrou em conflito com o governo central. Na época, sobre ele e Dória, opinei neste espaço: As crias se voltam contra o criador. Na época, estava sendo investigado o assassinato da vereadora Marielle, que até hoje não foi concluído. A imprensa divulgou uma gravação, da portaria onde residia Jair Bolsonaro e que constava que o suspeito da morte, teria visitado o então deputado Jair. Ali começou a confusão. A Polícia Federal, determinada pelo Poder Judiciário, entrou no meio porque a’ Justiça Carioca havia tomado a iniciativa de buscar provas para saber quem tinha matado a vereadora e quem era o mandante. Ao chegarem até ao condomínio onde morava o presidente, acendeu a luz vermelha. De lá para cá, não parou mais. Na gestão do ministro Moro, a investigação, ao que se saiba, não andou. Mas, agora, evidentemente, ela está andando velozmente. Com as desavenças entre a Cria (Witzel) e o criador (Bolsonaro), o bicho pegou. De uma maneira tão rápida que o contra-ataque de Witzel aconteceu no mesmo dia em que a PF, a mando da Justiça, foi ao Palácio das Laranjeiras e apreendeu celulares e computadores do governador. Em coletiva chamada às pressas, Witzel declarou o seguinte: “O senador Flávio Bolsonaro deveria estar preso e que o presidente Jair Bolsonaro tenta ser ‘mais um ditador na América Latina’. O STJ foi induzido ao erro e que ele é alvo de perseguição política por parte do presidente Jair Bolsonaro. "Esse é um ato de perseguição política que se inicia nesse país e isso vai acontecer com governadores inimigos". Agora, conclusão da coluna, enquanto estiver sob suspeição, o governador do Rio pode ficar impossibilitado de receber ajuda do governo Federal. Aí, sim, com as dificuldades atuais e o fechamento do comércio e indústria, somados aos problemas financeiros que já vinham se acumulando de outros governos cariocas, pode inviabilizar o governo Witzel. A “calamidade pública” liberou governos, estaduais e municipais, para gastar sem necessidade de licitação. E aí, segundo denúncias, alguns estados fugiram da regra. Ou adquirindo respiradores superfaturados, ou com defeitos ou reciclados. Isso ainda vai dar ‘pano para manga’. Concordam?

Funcionários do comércio fazem fila em frente ao Sesc

Uma das coisas mais criticadas pela população e alguns órgãos de imprensa, sempre foi a demora de exames para confirmar sintomas de coronavírus. Aqui no solo gaúcho, em determinado momento, levou 10 a 15 dias. O acúmulo de pedidos formou filas no laboratório Central. Já do meio para o fim, contrataram outros laboratórios, para agilizar o resultado. Pois bem, no Distrito Federal, o governo Ibaneis, em parceria com a Fecomércio, iniciou testes. Ontem, em frente ao Sesc, filas enormes se formaram. Como se sabe, é exigência do governo do DF que os funcionários façam testes antes de assumirem seus postos no comércio e indústria. Autorização para abertura total das empresas começou nessa segunda feira. Não é um exemplo a ser seguido? Agora, a pressa dos governos estaduais e municipais é para o dinheiro da União ser liberado. Certo?


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