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O ar não está para colibri e sim para urubu
Publicado em 20/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Pouca gente se apercebe, porque não lhes interessa, que o bicho tá pegando.  Outra vez recorro à letra de um samba, gravado por Bezerra da Silva, que explica bem a situação atual em nossa Pátria Amada. Diz a letra: “O couro está comendo, o bicho está pegando, os governantes não se entendem o negócio tá preto, urubu não vem à terra para pegar seu rango (comida) porque está com medo de virar galeto”. É, embora muitos teimem em não reconhecer a miséria que atinge parte da população, ela é palpável, bastando para tal dar uma recorrida nos bairros e vilas de muitas cidades Brasileiras. Os governantes continuam não se entendendo. Cada um luta exclusivamente para atingir o poder. E aí gera confusão o que causa intranquilidade. Quem não sabe que o presidente da República, como maior autoridade civil, eleita pelo voto popular, tem o direito de substituir quem ele quiser, está por fora da lei. Por isso, são considerados cargos de confiança. No entanto, não precisa usar de subterfúgios para tomar decisões que são de sua alçada. Sempre respeitando as leis vigentes. Pois bem, inúmeras “pendengas” provocadas por decisões governamentais que, algumas vezes, despertam a desconfiança. Vamos a dois fatos.

Bolsonaro transfere o chefe da PF/Rio

É claro que os dirigentes da Associação (como se fossem sindicatos) vieram a público manifestar repúdio. Tema abordado em colunas anteriores. A irritação se fundamentou porque “jamais um presidente determinou mudanças nas regionais de Polícia Federal”. É sua atribuição nomear, isso, sim, o diretor-geral de toda a corporação. Os demais são escolhas da autoridade nomeada. Pela nota oficial que a imprensa publicou (e nós reproduzimos), seria para abafar a investigação sobre Queiroz, que entrou na “lupa” da PF, como possível participante das milícias no Rio. Também pesam sobre Queiroz, forte investigação que a Polícia Civil do Rio vinha realizando para identificar “quem matou a vereadora Marielle”. As forças federais, nomeadas pelo Michel Temer, acabaram tomando conta, tirando a autonomia da Polícia Estadual do Rio. Foi considerado como operação Abafa. Pois bem, agora outra confusão é gerada, ainda no âmbito das investigações. Como não há coincidências em decisões políticas, a desconfiança volta a reinar. Leiam:

Delegado da Receita denuncia interferência 

José Alex Nóbrega de Oliveira, delegado da alfândega do Porto de Itaguaí (Rio de Janeiro) relata interferência de “forças externas” no órgão que dirige. Mudaram até o jargão. Antigamente eram “forças ocultas”. Itaguaí tem sido palco de uma crise entre auditores da Receita e o governo. Vou “colar” matéria publicada, domingo (18), no Jornal do Brasil. Diz o delegado da alfândega em sua nota: "Venho  relatar o que está ocorrendo, pois existem forças externas que não coadunam com os objetivos de fiscalização da RFB (Receita Federal do Brasil), pautados pelo interesse público e defesa dos interesses nacionais". O JB foi atrás da matéria: “O delegado declarou ter sido surpreendido há cerca de três semanas, quando o superintendente da Receita no Rio de Janeiro, Mário Dehon, o teria informado que havia uma indicação política para assumir a alfândega do porto. Dehon, contudo, não teria concordado com a pressão do governo do presidente Jair Bolsonaro para substituir Oliveira por um auditor com pouca experiência para o cargo. Por isso, o superintendente, agora, corre o risco de ser exonerado do posto em represália a essa atitude. O presidente Bolsonaro tem reclamado da atuação da Receita Federal. E aqui vem o esclarecimento: “O cargo está ligado a investigações de ilícitos praticados por milícias”. O Sindicato Nacional dos auditores Fiscais da Receita reagiu e expediu a seguinte nota: "A possível exoneração de um superintendente [Dehon] por tal razão é algo jamais visto, ao menos desde o período de redemocratização do país. Essa medida, somada aos ataques vindos do STF (Supremo Tribunal Federal), do TCU (Tribunal de Contas da União), às recentes declarações do presidente da República e à omissão do ministro Paulo Guedes na defesa do Fisco Federal, tem potencial de formar no órgão uma tempestade perfeita, tornando-o totalmente ingovernável". Para tal, pedem ao STF rever a decisão que suspendeu a investigação contra 133 pessoas, incluindo Ministros do próprio Supremo. Estás brincando!


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