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Nós contra nós - conhecido fogo amigo
Publicado em 08/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Tem muitas pessoas que não estão acostumadas com sistema democrático. Então, qualquer manifestação pública contra o governo pela qual são simpatizantes, é um deus nos acuda. Já fomos testemunhas, como muitos outros, de guerra política sem fronteira. Oposição e situação, que pode mudar de lado após cada eleição, têm se engalfinhado contra e a favor de decisões governamentais. O radicalismo exacerbado já levou muita gente a partir para ignorância e até cometer crime. Quantos políticos foram condenados por “matar ou mandar matar” adversários políticos. Tem gente que não aceita a diversidade de ideias. Isso é tão antigo que levou o jornalista Nelson Rodrigues a criar a frase: “A unanimidade é burra”. Se em nossa casa muitas vezes há discussões sobre temas, uns contra e outros a favor, porque na política não haveria? Ainda mais em um país com as dimensões do Brasil. Aqui mesmo em Bagé, temos presenciado debates acalorados, com ofensas pessoais, defendendo ou acusando quem está no governo. Então, o novo governo que se estabeleceu no país, após aprovação de 55% da população não é, nem poderia ser, unanimidade. O velho e conhecido, fogo amigo se faz presente. Quem acompanha este espaço tem noção que aqui em nossa “taba” muitas vezes a oposição se fez presente com vigor e até com ofensas, radicalizando o debate. Políticos do próprio partido que estavam governando na época se tornaram adversários dos próprios companheiros. Eu levo pelo caminho da “eterna busca pelo poder”. Quando o debate é aberto com ampla divulgação das ideias, é o aprimoramento da democracia. O cidadão, eleitor, tem direito de saber o que está acontecendo, para formar opinião. Ela normalmente deveria se refletir na “próxima” eleição. Nem sempre acontece. Contudo, temos eleição de dois em dois anos. Em 2020, o pleito será realizado nos municípios brasileiros, prefeito e vereadores. Eu considero a eleição mais importante de todas. É nos municípios que são produzidas as riquezas de um país.  Por isso, eu sou favorável ao municipalismo. Dependendo quantas prefeituras determinado partido ocupa, será a base para a eleição maior: presidente, deputados, governadores e senadores. Pois bem, tudo isso, outra vez, foi gerado pelos problemas enfrentados pelo governo brasileiro. Dentro da própria base, existe oposição. Alguns opositores estão complicando, porque não lhes ofereceram cargo no governo. Outros porque esperam liberação de emendas parlamentares. Então, cada um quer uma “boca” que visa ter respaldo para a próxima eleição municipal. Jair Bolsonaro está sendo o “recheio” do sanduíche. Entre os seguidores de Olavo de Carvalho e dos militares brasileiros.

Ala militar pressiona governo             
Olavo de Carvalho tem se manifestado contra os militares no governo. Agora, são os militares que começaram a se manifestar. O que eles querem é que Jair tome partido por um lado. Ou é contra Olavo e a favor dos militares ou vice-versa. Aqui, me parece, que o “mais ponderado” é exatamente o presidente da República que afirmou: “De acordo com a origem, o melhor é ficar quieto”. O general Santos Cruz, foi alvo de Olavo, inclusive com xingamentos por ter sugerido “disciplinar” as mídias sociais. A guerra aberta entre militares e o escritor Olavo de Carvalho voltou à tona com mais força do que antes. Depois de o ideólogo hostilizar nas redes sociais o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Santos Cruz, oficiais das Forças Armadas iniciaram um contra-ataque dentro do governo. O general Eduardo Villas Boas, ex-comandante do Exército, saiu em defesa da categoria, acusando Olavo de “acentuar as divergências nacionais em um momento em que a sociedade necessita recuperar a coesão e estruturar um projeto para o país”. Jair Bolsonaro outro dia, enalteceu Olavo e Mourão, como amigos do governo. Nenhum dos setores quer comparação ao serem colocados no mesmo patamar de importância.  Bolsonaro se faz de bobo para passar bem. Mas asseguro que ele está sabendo a dimensão do problema. Tanto é verdade que não “controla” os próprios filhos. Não tem força para tal ou não quer? Minha leitura é que não quer. Vou mais além, é incentivador das declarações de seus filhos. As viúvas da ditadura estão em ebulição, pensando até na possibilidade dos militares tomar conta do governo. Isso é sonho de uma noite de verão. Nossa democracia, mesmo que ainda incipiente, está em pleno andamento. As instituições estão fortes e atuantes. Então, não há receio de retrocesso. Concordam ou não?      
 

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