NINGUÉM SE ENTENDE E A CRISE CRESCE
Publicado em 10/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Quando a política econômica se transforma em crise política, a coisa fica mais ‘feia’ do que já é. Outra vez a crise rodeia a política e a administração pública. Acontece que o Brasil, pela sua frágil economia, sente mais que países do primeiro mundo, cuja economia é mais forte. Mas é mais forte porque, durante o bom momento do mercado, eles continuaram economizando nos gastos fúteis. Nos gastos que consideram desnecessários. Nós somos diferentes. Quando a arrecadação baixa, em vez de economizarmos, ‘continuamos gastando muito e mal’. Quando a crise é mundial os países que não fizeram uma gestão forte perdem muito mais que os países equilibrados economicamente. A matéria que li ontem mostra bem um dos temas de hoje, cuja manchete principal é:


Economistas temem recessão 
Cada um analisa os fatos a sua maneira. Ou seja, analistas e congresso enfatizam que “a manifestação do próximo domingo serve apenas para desviar o foco de dificuldades para o governo que podem ser trazidas pelo desaquecimento da economia mundial por causa do coronavírus, que deixa rastros de prejuízos mundo afora”. Esse filme já passou no nosso cinema. Crise do porco, da galinha, vaca louca e da aftosa, não é segredo para o Brasil. Governos passados já sentiram o mesmo efeito. Aí arrumam alguma desculpa para justificar suas incompetências em enfrentar o problema. Passam a inventar coisas para desviar a atenção do público. Faz parte do jogo. É exatamente o que está acontecendo agora. O corpo da matéria de ontem, no CB, que colo, diz o seguinte: “As notícias de que há risco de a economia desandar e o receio de que manifestações do próximo domingo sejam esvaziadas levaram o presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez, defender os atos programados para 15 de março. O presidente disse estar com “uma faca no pescoço”, além dele, o general Augusto Heleno, frisou que uma “resistência muito grande ao Brasil está dando certo” e que há uma “rede de corrupção”. Isso foi visto por analistas como uma “vacina” diante do que está por vir. Um cenário em que a economia mundial pode caminhar para uma recessão, devido aos impactos do novo coronavírus levando o Brasil junto e, consequentemente, derrubando os preços dos ativos”. Os congressistas não pensam em colocar mais combustível no tanque da crise política, uma vez que os problemas reais que o país enfrenta no campo econômico são mais urgentes. Eles não querem que as manifestações sejam realizadas no dia 15. Segundo se anuncia, o foco seria “Congresso e Judiciário”. Com o aumento dos casos de coronavírus no Brasil, muitos líderes consideram que seria razoável o presidente da República, em vez de chamar manifestações, convocar os outros dois poderes ao diálogo, para proteger a população e a economia. Analistas estrangeiros têm dito que o mundo caminha para uma recessão e o Brasil pode repetir o desastre do governo de Dilma Roussef. Uma recessão seria dramática para os interesses do governo. Mas recessão faz tempo que está batendo em nossa porta. A pergunta de um leigo: O que foi feito para diminuir o perigo da recessão? Pouca coisa. Por culpa de quem? Dos governos que raramente se acertam com o Legislativo. Cada um quer ter mais poder e isso gera instabilidade econômica. É o tema que venho abordando há um bom tempo. A disputa pelo poder e a briga de vaidades transformam decisões administrativas em cenário de ‘terra arrasada’. O Congresso, por sua vez, reage e afirma que vai “cuidar de uma agenda que tem cada vez mais a cara do parlamento, porque o governo tem se omitido. Não enviou a proposta de reforma tributária e nem a administrativa”. Ministro Guedes contrapõe: tudo corre conforme o programado.  

 
Clima é de absoluta serenidade 
Na segunda-feira, o dia começou nervoso nos mercados, com a Bolsa caindo e o dólar subindo, em função da nova crise internacional do petróleo e o medo por causa do coronavírus. Essas são as causas apontadas para a nova crise brasileira. O ministro vai mais longe: "Estamos absolutamente tranquilos e confiantes de que a democracia brasileira vai reagir, transformando essa crise em avanço das reformas, mais crescimento e mais empregos. E, enquanto o mundo desce, o Brasil vai começar a reaceleração do crescimento". Ele continua trabalhando para que as reformas sejam aprovadas. Mas a ‘guerra’ entre Executivo e Legislativo, propiciada por declarações do próprio presidente da República tem ‘embolado a meia cancha’. Quem tem força para reaproximar os poderes? Não sei e vocês? 


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