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Não tem jogo fácil - Guerra é guerra
Publicado em 13/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

No decorrer da partida é que notamos a intenção do adversário. Se vem para o jogo ou se busca o empate. Se quer apresentar um bonito futebol ou quer somar pontos. E isso qualquer torcedor (que é sempre metido a treinador) sabe. O time está montado para se defender e vai apenas explorar os contra-ataques. Então, nem sempre o bom futebol vence. E aqui não é a opinião de um “gênio” em futebol. É a prática. É o dia a dia que nos ensina que “focinho de porco não é tomada de luz”. Quando um grande time, considerado imbatível por muita gente, perde para um de menos categoria, é um deus nos acuda. Em busca de ter poder no futebol, os grandes magnatas compram equipes inteiras e passam a dirigir um verdadeiro conglomerado em geração de emprego e renda. Futebol empresa é o que temos na atualidade. Pois bem, como os leitores devem ter notado, recorro ao futebol para analisar a política brasileira. Entrou em jogo os interesses pelo poder. Aliás, este desejo nunca saiu da pauta dos políticos. Eles se retrancaram no início do jogo e partiram para o contra-ataque, no qual o dirigente maior não estava preparado. Agora, é necessária a mudança de estratégia para tentar vencer. Isso se quiser aprovar as reformas. Vou recorrer ao jargão popular: “No andar da carroça as melancias se acomodam”.  É o que estamos observando nos últimos dias. Aliás, já vinha dando sinal que aconteceria. Senão, vejamos.


Mudar o discurso de campanha é primordial
Hoje, vou abusar da paciência dos leitores, usado exemplo de outros tipos de atividade. O turfe é um bom exemplo. Muitos apostam na campanha de um determinado cavalo, imbatível até então, correndo contra animais considerados inferiores. É uma barbada, muitas vezes, se torna zebra. O discurso de Jair Bolsonaro para ganhar a eleição foi baseado em “combate ao crime, armar a população, diminuir a máquina pública e não dar respaldo à velha política do toma lá dá cá. Era e é o que o povo mais deseja. O projeto foi vencedor. Porém, e sempre tem um porém, não lhe deram respaldo na representação do Congresso. Não conseguiu a maioria. E aí tem que negociar para tentar aprovar os projetos. Negociar na linguagem política quer dizer: Vamos trocar benesses. E a volta ao velho ditado: “É dando que se recebe”. Pois bem ,“o cavalo do comissário”, iniciou muito bem com aplausos da torcida. Mandou sustar contratação de três edifícios que eram usados para abrigar ministérios cujo custo R$ 85 milhões seriam economizados porque os cargos seriam extintos. Mas de 20 mil cargos públicos não seriam preenchidos. Redução dos veículos usados pelos ministérios, a maioria contratados, não seriam renovados. Passagens aéreas reduzidas pela metade. E cada um que tivesse a necessidade de viajar, teria que justificar as viagens. Então, lembrei do samba de breque da década de 50, interpretado por Jorge Veiga: “A saída foi boa, um corpo na frente, fui bem aplaudido por muita gente, mas a chegada que foi de amargar fui ver o meu cavalo estava em último lugar”. Primeiro, encheu a “camisa de vento”, pensando que tudo podia fazer. Abriu discussão com a Câmara Federal, medindo forças com o Legislativo. Não deu certo. Embora a renovação no Legislativo tenha acontecido, alguns políticos da velha guarda continuaram no poder. Foi o caso de Rodrigo Maia. Perdeu algumas “carreiras”, na largada. Mas ainda tem tempo de recuperar. Como tenho afirmado neste espaço. "Nada que nomear políticos para cargos federais, não mude a opinião da Câmara. Liberação de emendas e outras coisas mais. A velha política ainda não foi  extirpada do governo. E parece que não será. Leiam:     

Tsunami preconizado por Bolsonaro
Trará de volta 29 ministérios. A promessa de campanha em reduzir a máquina para no máximo 15 ministérios, nos dois primeiros meses foi alterada para 22. Pois bem, após as derrotas, parciais é bem verdade, da última semana nas comissões da Câmara, o governo abre a possibilidade de voltar aos 29 ministérios que mantiveram Michel Temer na presidência. Declaração do final de semana, do presidente Bolsonaro, indica mudança de rumo: “Estamos governando. Alguns problemas? Sim, talvez tenha um tsunami semana que vem (nesta semana). Mas a gente vence esse obstáculo aí com toda certeza”. O aumento de ministérios já repercutiu na Câmara, cujos partidos se mobilizam para indicar nomes. E aí, serão aprovados os projetos polêmicos. A velha política, tão combatida no início, "dá as cartas e joga de mão”. Certo?

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