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Não se pode negar: a Justiça tem trabalhado
Publicado em 15/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

A partir do momento em que começaram a denunciar o mensalão, a Justiça tem trabalhado como nunca. Não que antes não trabalhasse. Acontece que, além dos processos do dia a dia, que se acumulam assustadoramente, devemos acrescer os processos sobre corrupção que abarrotam os tribunais. Sem falar que também envolve alguns políticos. Os últimos pela visibilidade que a imprensa livre apresenta a seus leitores, ouvintes e telespectadores. Há exageros? Pode haver. E de todos os lados. Inclusive alguns membros do Judiciário, não todos, extrapolam sua própria autoridade. Após a volta para o sistema democrático, e com a nova constituição sendo aprovada (1988), a liberdade de imprensa se fez sentir. Mesmo que alguns processos fiquem trancafiados no condenável “segredo de Justiça”, a imprensa tem conseguido, em alguns casos, furar o bloqueio. Com vazamentos ou não, de adversários políticos ou não, mas de gente que tem acesso aos processos, sempre no intuito de conseguir seus objetivos. A pauta do momento, da maioria da imprensa, se baseia na corrupção “que assolou o país”. Alguns capítulos giraram e giram na condenação de Lula. Seus advogados, que fizeram de tudo para que seu cliente fosse absolvido, não conseguiram “convencer” seus julgadores. Após condenado, atuaram permanentemente para tentar tirá-lo da cadeia. Não conseguiram. Até que chegou o momento da imprensa estrangeira, através do jornalista Glenn, publicar matérias conseguidas ilegalmente, sobre procedimentos da força-tarefa. Dava a impressão que era mais um poder que se criava para fiscalizar o próprio poder Judiciário. Este vazamento mostrou algumas práticas ilegais, para chegar ao objetivo que era a condenação de quem estava sendo julgado. As matérias foram publicadas em capítulos. Ou, como diria o bom comerciante, a prestação. Ficou ali constatado, porque ninguém negou até agora, que o avalista de todo o processo eram os componentes da força- tarefa. E aí entra no “samba” o próprio julgador do processo, Moro, hoje, ministro. Bateu em componentes do Supremo, a cobra fumou. Os advogados que defendem Lula, não perderam tempo. Manchete de ontem:

Defesa pede ao STF liberdade de Lula

Advogados pedem que mensagens apreendidas pela PF com hackers sejam usadas como prova da parcialidade de procuradores e de Sérgio Moro. Hoje, mais que antes, há outro componente que deve ser levado em consideração: A constatação de que ministros do Supremo também estavam sendo investigados sem autorização judicial, ou seja,  “clandestinamente” (Toffoli e Mendes). Alexandre de Moraes determinou que todo o processo investigatório fosse suspenso e mandou que todos os dados fossem enviados à Suprema Corte. Aqui ficou constatado, possivelmente, que o vazamento das denúncias, embora conseguidas ilegalmente, continham verdades. Foi por aí que a defesa de Lula transitou. Quem acompanha desde o início, mesmo sem se aprofundar na área Jurídica da qual é leigo, dá para opinar sobre outros aspectos não muito explicitados: Lula poderá ter sua prisão domiciliar decretada, baseado em que já cumpriu parte de sua prisão, condenado que foi pelo Triplex. Porém, tem que pagar R$ 2, 4 milhões à Justiça. É a Lei. No caso de ser aceito seu último pedido, ele poderá ser solto sem ter que pagar nada. O outro processo, sobre o sítio de Atibaia, cujo julgamento estava para ser pautado, vai ter que esperar até que o Supremo decida sobre os últimos pedidos de Lula. Diz o ditado: “Enquanto o pau sobe e desce, as costas folgam”. De longe dos fatos, mas perto das notícias, tem um aspecto interessante, sempre baseado na lógica. Há interesse de, pelo menos três ministros de colocar na pauta dos trabalhos a prisão em segunda instância. E essa está há mais tempo para ser pautada. Toffoli pode pautar, inclusive, contrariando sua antecessora, ministra Cármen Lúcia. O que vai acontecer não sei. Só sei que a bola está rolando e a partida não terminou. O jornalista Chico Alves, editor do Jornal O DIA comenta:

Dallagnol - dor de cabeça para Moro

“Apuração de conselho sobre o procurador da Lava Jato pode atingir por tabela o ex-juiz Moro”. Mas isto, acredito, já está acontecendo. Porque se os diálogos apresentados são entre ambos, não tem como não atingir. É o óbvio ululante. Ou não?


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