Não existe almoço grátis, alguém paga - 20-5-2020
Publicado em 20/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

A reunião programada para amanhã, 21, entre Bolsonaro, Rodrigo Maia e governadores, é para tratar do projeto enviado pelo governo e aprovado pelo Congresso. Pode ser a salvação dos estados e municípios que já vinham sofrendo com a baixa da arrecadação. Mas isso não é de hoje. E nem é causado exclusivamente pela crise atual. A má gestão pública esparrama-se pelo Brasil. Tem exceções, é claro.  Então, não coloquem a culpa somente no vírus. O bolo brasileiro vem diminuindo de ano para ano. O desemprego está ai para constatar. O bolo da arrecadação no país é formado por nós, consumidores. A própria inflação tem se mantido em patamares não muito elevados, porque a população começou a ‘pechinchar’, forçando a baixa dos preços. Em muitas colunas tratei do tema. Desta arrecadação sai os percentuais que cada ente da federação tem direito. É o já famoso Fundo de Participação dos Estados e Municípios.  Faz mais de três anos que sofremos queda na arrecadação, constatada pelo aumento do desemprego. É claro, os orçamentos dos estados e municípios estão a perigo. Tem entes da federação que só não entraram em ‘concordata’ porque são entes públicos. Pois bem, o coronavírus, ou em nome dele, os gastos aumentaram e o ‘perigo’ rodeia quase todos os municípios e alguns estados brasileiros. Diminuir a máquina e o gasto público, nem pensar. Pois bem, a reunião de amanhã, embora não afirmem oficialmente, é para determinarem as regras para quem receber o auxílio. E cá entre nós, essa a abertura total do comércio e Indústria,  embora em doses homeopáticas, fará a roda econômica girar. Sem arrecadação, gerada pelo aumento do desemprego, não vai ter quem se salve. Pois bem, o título que encabeça a coluna de hoje é algo que ninguém desconhece. A coluna relembra: ”Não tem almoço grátis, alguém paga”.

Exemplos privados que justificam o público

E aqui é algo que os brasileiros estão acostumados a sentir na pele. Boa parte da população que está empregada, com carteira assinada, sabe o que vou argumentar. A maioria sente seu salário terminar em 20 dias. Aí usam cartões de crédito, empréstimos bancários ou cheque especial. Qualquer negociação com o banco, além dos juros cobrados, exige a compra de algum produto. Seguro de vida é um deles. E quem busca este recurso, com certeza, cada vez mais vai aumentar sua ‘pindaíba’. Quem não comprar o produto não leva o empréstimo. É o caso da reunião de amanhã. Quem não negociar as exigências do governo, vai demorar ou não vai receber o dinheiro federal. É a lei do mais forte. Sem nenhuma novidade em relação a outros governos. Então, podem crer, até o final do mês, princípio de junho, o coronavírus vai diminuir sua intensidade. Os estados e municípios vão se enquadrando nas exigências e o governo vai sancionando a lei aprovada, com ou sem vetos, dependendo da negociação. É dando que se recebe. Concordam ou não? 

Governo do Rio cria comitê para fiscalizar hospitais

Acontece que serão somente os hospitais de campanha criados para agilizar o combate ao coronavírus. Que pena. Deveria ser para fiscalizar todos os hospitais daquele estado. Assim como poderia servir de exemplo para o governo Central, criar em cada estado, algum comitê para fiscalizar a aplicação dos recursos já liberados, para combate ao vírus. Denúncias de ‘desvio de objetivo’, ou superfaturamento de compra de respiradores, têm aos montes. Já estão fiscalizando? Nas denúncias lançadas a público, alguns estados e municípios, usando verbas para pagar suas dívidas passadas, provocadas por má gestão. Estes, se comprovadas a denúncias, deveriam ser banidos de qualquer ajuda extra do governo federal, que, se diga de passagem, são recursos auferidos pelos impostos pagos pela população. Ou seja, do nosso bolso. Uma das falhas, se é que se pode considerar falha, foi o governo central ter mandado dinheiro para os estados e municípios que adquirirem respiradores. Aí morou o perigo. As denúncias residem sobre o preço pago por cada equipamento. Chegou a mais de 100% do custo. Com o controle que deve ter o ministério da Saúde, baseado nas informações dos estados (que tem o domínio dos municípios), poderiam ter adquiridos os equipamentos via União. Quem compra por atacado compra melhor. Os leitores não acham?


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