Nada me surpreende em política
Publicado em 10/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Essa constatação começou a ser formada em minha cabeça (já evoluindo em senilidade), durante o comício das Diretas Já. O Comício da Candelária foi uma manifestação política ocorrida em 10 de abril de 1984 na cidade do Rio de Janeiro em frente à Igreja da Candelária.  A manifestação deu-se no contexto do movimento das Diretas Já e era considerada a maior mobilização política da história do Brasil. O que diz a história, publicada pela mídia, é que o evento que reuniu mais de um milhão de pessoas ‘foi preparado treze dias antes da data escolhida’. Foram impressos dez milhões de panfletos, 200 mil cartazes e foram utilizados 700 outdoors para a divulgação da manifestação. Uma conta para arrecadação de fundos foi aberta no Banco do Estado do Rio de Janeiro. O comício foi transmitido pelas emissoras de televisão, incluída a TV Globo que cedeu trinta minutos da tradicional novela das oito para a emissão do evento. Até aqui fatos da história. Mas porque me despertou a desconfiança? Ora bolas em primeiro lugar por ver de mãos dadas no mesmo palanque, políticos da Arena, que davam respaldo à ditadura, com políticos da Oposição MDB. A adesão da Rede Globo, tida e havida como apoiadora do regime ditatorial, ‘cedendo espaço’ para divulgação do evento. E aqui não há nenhuma invenção minha, porque há pouco tempo a própria emissora confessou seu ‘erro’ ao dar apoio ao regime de força. Duas semanas depois, em 25 de abril de 1984, foi derrotada no Congresso Nacional a emenda “Dante de Oliveira” que visava restaurar as eleições diretas para presidente da República. Desta maneira, o que prova que houve acerto antecipado antes mesmo do comício, entre oposição e situação ao regime ditatorial.   Assim, a decisão da eleição presidencial de 1985 foi indireta, eleita pelo Congresso Nacional, cuja composição tinha a maioria de biônicos, ou seja, nomeados pelo próprio governo. Isso me permite afirmar que “estava tudo combinado” tanto é verdade que a chapa foi formada por Tancredo Neves (MDB) e Sarney (ARENA). A partir daquele momento “nada mais me surpreenderia na política brasileira”. Basta que já em pleno regime democrático, um dos grandes lideres da oposição (Lula) se coligou com um dos grandes lideres da Situação (Sarney). Na busca do poder vale tudo. Por que estou recordando destes fatos passados? Baseado na manchete que li, publicada dia 7 de fevereiro, sexta feira, no Jornal do Brasil (JB), Leia e conclua:

 PT autoriza alianças com Centrão

Em sua primeira reunião de 2020, a executiva Nacional que tem nova composição, autorizou alianças com PSDB, DEM, e até PSL, “Em cidades onde o partido e seus aliados preferenciais, tenham candidatos para prefeitos encabeçando à chapa”. Os preferenciais são PSOL, PDT, PSB, REDE, PCO e UP. Mas tem uma condição, “que os candidatos firmem compromisso expresso de oposição a Bolsonaro”. Alguém vai se surpreender com a decisão? Creio que ninguém de bom senso e que acompanhe a política nacional. Expressão popular: Liberou geral. Ou não?

Declaração de Guedes provoca reação

O ministro Guedes em reunião na sexta feira 7, no Rio, chamou servidor público de ‘parasita’. E ai já veio à tona o nazismo, que provocou a queda de Alvim do Ministério. Servidores comparam declaração de Guedes a estratégia nazista, que comparou judeus a parasitas. As instituições que representam os funcionários públicos, reagiram fortemente. Considerou a declaração “assédio institucional e agressão gratuita”. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, em nota oficial divulgada pela imprensa, assim se manifestou: “O assédio institucional que vem sendo praticado pelo Sr. Paulo Guedes em relação aos servidores públicos já ultrapassa os limites legais e merece reação à altura". As 32 entidades que representam os servidores prometem apresentar uma  representação contra Guedes na Comissão de ética da presidência da república. O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União já acionou seu departamento jurídico para avaliar as medidas judiciais que podem ser tomadas contra os "insultos do ministro". Após a repercussão negativa o ministro veio a público através de nota oficial na qual afirmou: “Sua fala foi tirada do contexto e que reconhece o valor do funcionalismo público brasileiro”. O estrago já foi feito e juntar ‘as penas’ não vai ser fácil. Concordam?


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