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Nada está tão ruim que não possa piorar - 1º de agosto de 2019
Publicado em 01/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

No final da semana passada teve início mais um capítulo da novela que tem como ator principal o presidente Bolsonaro. Quando pensamos que a paz voltaria à “terra do pau Brasil”,  outra declaração surge e tem ampla repercussão na imprensa, nacional e internacional. O ministro Moro, com autorização, é claro, do presidente, cria uma portaria (ou outro nome que queiram dar) que leva o número 666 (não dá nem para apostar invertido!), que “Define regras para entrada de pessoas perigosas no país”. Parei para pensar, às vezes o faço, e a pergunta surgiu ao natural: Já não existem regras? Se existem, como entram diariamente perigosos bandidos? Acontece que nossas fronteiras são abertas e dão passagem livre a traficantes, armas e tóxicos. Para controlar isso seria necessário “fechar nossas fronteiras”. Será que temos “agentes suficientes para controlar toda nossa fronteira”? Então isso está sendo levado para o caminho que querem evitar que Glenn Greenwald, que está detonando com alguns membros do governo, fuja do Brasil. As denúncias que tem publicado, com ampla divulgação dos meios de comunicação, está abalando a confiança que se aproximava da unanimidade, atribuída ao atual ministro da Justiça. Isso tem gerado opiniões, as mais diversas, de comentaristas especializados em política. Uma delas, de Helio Fernandes, o mais antigo de todos, foi publicada na segunda-feira na Tribuna da Imprensa, edição pela internet. Leia:

MORO CRIA CLIMA PARA O ESTADO DE DEFESA

“Colo” parte do comentário que o jornalista (mais de 90 anos) publicou em sua coluna: “Moro, desmascarado e desmoralizado, luta desesperadamente para sobreviver da revelação das práticas criminosas suas e da sua equipe. Para isso, lança mão de dispositivos típicos de regimes totalitários contra a liberdade da imprensa e de expressão”. E vai mais longe, ao afirmar que o telefone do próprio presidente teria sido invadido por hackers. Isso criaria clima para Bolsonaro decretar Estado de Defesa, previsto na Constituição, artigo 136. Caso isso ocorra, o que não creio, teremos restrições a diversos direitos constitucionais, entre eles a liberdade de imprensa. Coisa que para nós não é novidade. A tentativa foi por diversas vezes aventadas pelo governo do PT, liderados por Lula. Nunca conseguiu e, creio, Bolsonaro também não conseguirá. Para tal dependeria em parte do Congresso. Então cabe repetir o que venho declarando nos espaços mediáticos que ocupo: “Os extremos (ditas, direita e esquerda) se aproximam, igual a uma ferradura”. Para complicar, ainda mais, foi realizado um evento na ABI, Associação Brasileira de Imprensa, na noite de terça-feira (30), cujo tema foi liberdade de imprensa: A manchete diz tudo.

PRESIDENTE DA CÂMARA GRAVA VÍDEO

O que diz Maia, em vídeo apresentado na reunião da ABI, transcrevo o essencial, entre aspas: “Tem uma questão primordial e é a base desse debate que é o sigilo de fonte. O nosso país, Brasil democrático, estado democrático de direito, o sigilo de fonte é uma questão Constitucional. Por outro lado, um agente público que vaza informações sigilosas que estão sob seu comando também comete crime”. Também defendeu punição aos hackers investigados pelo vazamento de troca de mensagens pelo aplicativo Telegram atribuídos a Sergio Moro, ex- juiz e hoje Ministro da Justiça e Segurança Pública, e a procuradores da operação lava – jato. Aí parei novamente para pensar: Por que colocou que os agentes públicos também estão sujeitos à Lei quando deixarem vazar informações sigilosas? Aí voltou o passado, não tão distante, do vazamento que o então juiz Moro autorizou a publicar, de viva-voz, a conversa da então presidente Dilma com o Lula. Ela o convidou para assumir a Casa Civil, o que o livraria das mãos de Moro, porque passaria a ter foro privilegiado.  Depois de vazar, reconheceu que havia errado e se desculpou da falha. Mas não foi punido. Porém, e sempre tem um porém acionado, o Supremo não permitiu a posse de Lula, na Casa Civil. Na época, comentei que, se o próprio magistrado sabia que isso não era legal, como cometeu essa “falha”. Os fatos a seguir comprovam a verdadeira intenção. Ou não?  


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